Psicologia geral

Papai Noel existe?

Estamos nos aproximando do Natal, a temporada mais mágica, bonita e poética do ano. Pelo menos para a grande maioria das pessoas.

É nesta época que os adultos se desdobram em criatividade para contribuir com a imaginação das crianças sobre o Papai Noel.

Françoise Dolto, pediatra e psicanalista francesa, em seu livro QUANDO OS FILHOS PRECISAM DOS PAIS  trata desse tema iniciando com a pergunta: ”O que é uma coisa de verdade?”. E continua dizendo que as crianças precisam de poesia e os adultos também. Esta lenda, se assim podemos dizer, perdura por tanto tempo justamente pelo simbolismo de esperança, bondade e alegria que representa.

O Natal é uma das recordações mais bonitas que trazemos da infância, e o que fica registrado em nosso inconsciente não é só a figura do entregador de presentes, pois o Papai Noel representa muito mais do que isso. 

A magia

Sabemos que a imaginação é muito importante para o desenvolvimento saudável das crianças, através dela pode-se compreender os acontecimentos da vida, facilitar o desenvolvimento intelectual, aumentar a capacidade criadora e oferecer recursos emocionais para lidar com a realidade. Histórias de fadas, monstros, reinos encantados e a lenda do Papai Noel continuam encantando crianças e adultos das gerações dos computadores, videogames, tablets e celulares por seu poder de simbolizar e “resolver” os conflitos psíquicos inconscientes que ainda dizem respeito às crianças de hoje.

Simbolismo do Natal

Uma das lendas mais populares no mundo inteiro é a lenda do Papai Noel, sobrevive a séculos e atravessou fronteiras. Desde muito cedo as crianças sabem da sua existência, faz parte da nossa cultura e sempre esteve presente em todos os lugares na época de Natal. É uma festa muito celebrada entre os cristãos. O Cristianismo é a religião com mais adeptos no planeta, neste dia comemora-se o nascimento de Jesus Cristo.

Espelho da ingenuidade infantil e símbolo do natal, o velhinho de barba branca habita o imaginário infantil e chega a provocar discórdia à medida que a verdade vai se descortinando apenas para alguns.

Os benefícios em acreditar em Papai Noel

Quem ainda não ouviu falar do bom velhinho de trajes vermelhos, de bigode e barba branca que entrega presentes para crianças do mundo inteiro na noite de Natal?

Os pais devem facilitar a imaginação dos filhos, “a tarefa mais importante e também mais difícil na criação de uma criança é ajuda-la a encontrar significado na vida”. A fantasia e a imaginação colaboram para que isso ocorra.

Crianças que acreditam no impossível tendem a ter maior compreensão da realidade, conseguem formar hipóteses e traçar “soluções” para conflitos psíquicos do inconscientes.

A ideia de que na noite de Natal todas as crianças do mundo inteiro recebem presentes faz com que se estabeleça uma relação de igualdade, de vinculo mais afetuoso, sentimento de esperança que nos dias atuais nos é tão importante. 

O natal evoca valores como o amor ao próximo e a gratidão, o simbolismo que o Papai Noel traz está ligado à doação a outras pessoas, com presentes ou atos de caridade, nos faz mais solidários.

Todos sabemos que papai noel chega à noite. Por isso é preciso esperar, dormir, ter paciência para receber os presentes no Natal. Essa tradição ajuda a criança a entender que tudo tem seu tempo para acontecer, que não temos o poder de realizar o que queremos quando queremos. A criança tem a oportunidade de construir a paciência e entender que devemos ter sabedoria para usa-la. 

As crianças gostam muito de acreditar em Papai Noel. Quando se descobre que papai noel não existe, a frustação é inevitável. Porém, neste momento a frustração favorece para que sejam desenvolvidos o amadurecimento e a capacidade de superação, afinal, a realidade é dura mas ensina.

E quando surge a pergunta: Papai Noel existe?

Chega um tempo em que esta pergunta se faz necessária. Quando se faz essa pergunta é porque já se pensou sobre. Então o assunto pode ser debatido e ver como a crianças pensa a respeito. 

Alguns pais ficam temerosos diante do questionamento das crianças. Não cabe aos adultos omitir a verdade, nem por isso deve-se tirar o encanto da inocência diante da pergunta.  

É importante que os pais busquem da criança o que ela sabe, até que ponto está vivendo esta fantasia ou perceber se já tem maturidade suficiente para confirmar sua suspeita e constatar que Papai Noel vem somente no natal. 

Uma das maneiras é deixar a criança descobrir aos poucos.

Revivendo a infância

O Natal traz fantasia e auxilia a saúde mental dos adultos também, este cenário faz com que os adultos revivam momentos especiais de sua própria infância através de uma nova experiência, colaborando para que as crianças participem de alguma maneira da sua historia.

Desta forma não é uma mentira, mas uma fantasia que auxilia o desenvolvimento da vida da família.

O encanto perdura

Enquanto a criança necessitar de fantasia ela deve ser respeitada. A fantasia do Papai Noel é resguardada pela cultura social. 

E se é chegada a hora de falar a verdade nem por isso o encantamento do Natal se perde. Toda criança gosta de acreditar em Papai Noel, e mesmo quando descobre que tudo não passou de uma fantasia ela sabe que a magia do Natal, a bondade exercida pelos mais próximos continua existindo.    

Uma saída é dizer que o Papai Noel não existe como uma pessoa, uma figura, mas sim como um símbolo do Natal. É uma lenda e como toda lenda tem quem acredite e que todas as crianças acreditam enquanto ainda são pequenas. Que Papai Noel existe somente no Natal e no nosso coração, no coração de quem quer agradar e surpreender as crianças.

Seja qual for a decisão, contar ou não contar, o papai noel sempre trará magia e brilho nos olhos de adultos e crianças na época do Natal.

“A imaginação e a poesia infantis não são nem credulidade, nem puerilidade, mas inteligência em outra dimensão.” Françoise Dolto.

Referências

  1. Dolto, Françoise, Quando os filhos precisam dos pais. Paris :Martins Fontes,2012.
  2. Bettelheim, Bruno, – A psicanalise dos contos de fada:9° edição São Paulo : Editora Paz e Terra, 1992 
  3. Diana L. Corso;Mario Corso, Fadas no divã-Psicanalise nas historias infantis. 1° edição Porto Alegre:Editora Artmed,2005
Ivana Maria Vitor Alves
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