Desenvolvimento pessoal

Quem sou eu em meio a tantos papéis sociais?

Constantemente recebemos várias demandas sociais e muitas delas nos impulsionam a fazer as nossas escolhas diárias. Mas diferente das possibilidades de escolhas que temos frente a estas demandas, o momento atual nos impõe uma condição, o isolamento social, que implica justamente na restrição de um tipo de escolha que somos convocados a fazer desde o momento em que nascemos: nos relacionar com o outro.

Nesse momento, muitos dos nossos papéis sociais parecem ficar mais expostos, evidentes e talvez mais conscientes, porque a dinâmica de atuação desses papéis foi modificada sem o nosso consentimento e, num primeiro momento, sem que pudéssemos escolher como (re)organizá-los. Esta reorganização requer que, inicialmente, sejamos capazes de nos permitir reconhecer em quais destes papéis estamos atuando em nosso dia a dia. Mas o que são estes papéis sociais?

A importância dos papéis sociais

Os papéis sociais representam uma espécie de compromisso entre as pessoas e a sociedade a respeito das formas com as quais elas se apresentam e se relacionam. Nossos nomes, posições em estruturas familiares, ocupações profissionais e nossas condições de amigo(a) são alguns exemplos de diferentes papéis sociais que representamos no nosso dia a dia.

Por meio destes papéis vivenciamos um processo de adaptação às normas e às realidades de diferentes grupos, que é imprescindível a nossa sobrevivência. 

A participação em diferentes grupos pressupõe por muitas vezes o uso de atributos como roupas e condutas específicas que são apropriadas para cada situação, e possibilitam a distinção de profissões, grupos etários, atividades de lazer entre outros contextos sociais. Estes diversos atributos contribuem para que possamos transitar e nos perceber nos nossos diferentes papéis sociais. 

Dessa forma, é possível nos despirmos de nossos papéis profissionais ao, por exemplo, retirarmos o crachá ou fecharmos a porta do estabelecimento e vestirmos o nosso papel de amigo(a) em uma vídeo chamada para descontrair, ou nosso papel de mãe/pai/filho(a) nas relações afetivas e atividades familiares.

O mesmo ocorre nas nossas ações de nos arrumarmos e nos deslocarmos para o trabalho, que permitem nos afastarmos temporariamente dos papéis familiares para assumirmos o papel profissional. 

Importante observarmos que não é possível excluir os papéis sociais de nossas vidas. Estes são representações sociais de uma unidade coletiva. E os utilizamos enquanto recursos saudáveis da nossa psique.

No entanto, estas adequações não nos impossibilitam de sermos honestos, verdadeiros e autênticos com a nossa individualidade. Ou seja, é possível sim nos adaptarmos sem nos transformarmos em outra pessoa para nos relacionarmos em diversos grupos.

A minha individualidade nos papéis que são sociais

Os papéis são sociais, mas a atuação em cada um deles é própria de cada pessoa. Dessa forma,  é possível que cada um de nós escolha dar seu toque pessoal mesmo diante das diversas condutas apresentadas pela coletividade.

O que tem de único em cada pessoa pode ser vivenciado na forma como cada um se apresenta, se comporta, fala, se relaciona, participa de grupos, etc., e que ao longo de uma construção possibilita falar sobre quem somos e sobre nossa individualidade.

Esta construção acontece na medida em que nos relacionamos com outras pessoas, outros amigos, conhecemos novos hábitos e novas construções familiares através das nossas experiências. Por meio de nossas vivências, podemos olhar aquilo que é nosso dentro do coletivo e, através do nosso filtro, entendermos o nosso mundo particular.

Contudo, é necessário que tenhamos claro os limites individuais de adaptação para pertencimento aos diferentes grupos. Há grupos em que não iremos nos encaixar e reconhecer essa possibilidade nos permite sermos autênticos em nossa individualidade e, consequentemente, na escolha de quais meios sociais estaremos disponíveis para nos adaptar.

Ou seja, a necessidade de pertencimento não pode implicar na dissolução de nossas individualidades nos diferentes grupos sociais.

É possível identificar quando me distancio de quem eu sou?

Em alguns momentos da vida, podemos perceber uma maior dedicação de tempo e energia na atuação de um determinado papel social. A própria dinâmica dos processos de adaptação requer esse direcionamento de fluxo de energia e está tudo bem.

No entanto, a necessidade de pertencimento pode contribuir para que sejam feitas adaptações com o objetivo único de agradar outras pessoas. Em situações como esta podem ser observadas conexões fracas nos relacionamentos, mal-estares físicos e psíquicos e sentimentos de que a vida está vazia.

Nesse contexto, as possíveis inseguranças quanto a mostrar as individualidades contribuem para que a pessoa permaneça em uma relação que lhe é desconfortável, mas que aparentemente lhe é percebida como mais segura.

Uma extrema identificação com um determinado papel social também faz com que a pessoa se apresente nos seus diversos relacionamentos de maneira unilateral. Em relação a um papel profissional, por exemplo, retirar o crachá ou fechar a porta do estabelecimento não é mais suficiente para a pessoa transitar para um outro papel social.

Então a pessoa apresenta uma rigidez que faz com que ela se relacione com familiares e amigos como se estivesse no ambiente de trabalho. Além de causar possíveis desgastes nessas relações, uma demissão repentina pode fazer com que a pessoa se sinta perdida, sem conseguir reconhecer quem ela de fato é. 

O distanciamento da individualidade contribuiu para que as pessoas se sintam sem vitalidade e desconfortáveis em suas relações. As sensações de estar vivendo a vida de outra pessoa e de não se sentir suficiente para dar conta de seus compromissos também podem ser indícios de que as adaptações aos papéis sociais não estão considerando as individualidades. A percepção desses indícios é um passo importante para o (re)encontro consigo mesmo. 

O processo de (re)encontro com a minha essência

Neste processo, é preciso olharmos com gentileza para nós mesmos e então identificarmos em quais papéis sociais estamos atuando e quais são aqueles para os quais olhamos de longe e desejamos genuinamente estar.

Refletir sobre as demandas externas e as escolhas diárias que fazemos contribuem para identificarmos o quanto as nossas necessidades de pertencimento podem estar nos distanciando de nossas individualidades. Esse movimento de olhar para dentro pode gerar sim um desconforto inicial. Isso acontece porque precisamos nos (re)apresentar a nós mesmos e todo início de relacionamento pode nos causar uma certa apreensão. 

Mas você não precisa estar sozinho(a) nesse processo de (re)encontro, a terapia pode ser sua importante aliada nessa caminhada.

A realização de um trabalho de autoconhecimento possibilitará que você amplie a sua consciência sobre si mesmo. De modo que será possível que você resgate aquilo que você tem de mais pessoal: a sua individualidade.

Se estiver precisando de ajuda para se (re)organizar em seus papéis sociais e/ou se (re)conhecer em cada um deles, estou aqui disponível para ajudar você. Fique à vontade para entrar em contato. 

Um abraço,

Julia Vieira Alvarenga

Psicóloga Clínica – CRP: 08/30426

 

Atendimento para adultos e idosos

Presencial: Curitiba/PR

Online: Residentes no Brasil e no Exterior

Contato: (41) 99192-5802

 

Referências Bibliográficas:

Jung, C. G (2015). O eu e o inconsciente. [tradução: Dora Ferreira da Silva). 27ª ed. Petrópolis: Vozes.

Stein, M. (2006). Jung: O mapa da alma. [tradução: Álvaro Cabral). 1ª ed. São Paulo: Cultrix.

Julia Vieira Alvarenga
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