Desenvolvimento pessoal

Como viver quando não temos mais a presença de quem amamos e que se foi?

“Você vai ficar longe para sempre?
A luz que você deixou ainda permanece, mas é tão difícil ficar,
Quando eu tenho tanto para dizer e você está tão distante.”

Este é um trecho da música So Far Away, da banda Avenged Sevenfold, composta em homenagem ao guitarrista da banda.

Como viver sem a presença da pessoa que amamos e que faleceu? Como ter forças para continuar vivendo sem poder compartilhar momentos com aquela pessoa? São perguntas que frequentemente passa em nossas mentes quando perdemos alguém próximo que amamos muito. Sentimos que não somos capazes de viver sem aquela pessoa, e que sem ela a vida não tem mais graça.

E realmente em um primeiro momento é muito difícil você conseguir investir suas energias em outra coisa, sem ser na pessoa que faleceu. Afinal, vocês provavelmente vivenciaram muitos momentos, fizeram muitos planos para o futuro, que infelizmente foram interrompidos.

A morte interrompe os planos, é natural que você em um primeiro momento se sinta perdido e sem chão, você pode se sentir dessa maneira, pois esse é o momento para isso. O luto é o momento que você tem para elaborar sua perda, a da pessoa que você perdeu e também dos planos que foram feitos.É o período que você tem para se reorganizar diante dessa falta.

Alguns planos poderão ser realizados de uma outra maneira, quando você se sentir melhor para prepará-los. E sim! é importante na medida em que você vai elaborando, conseguir sim investir suas energias para a vida, pois ainda existe vida.

Dê um tempo para você!

É importante você conseguir se dar um tempo, permiti-ser viver esse momento é fundamental nesse processo, para que aos poucos você consiga reunir energia novamente e direcioná-la para você, para sua vida, sua rotina ou sua nova rotina.

Você pode ser pergunta: “por que nova rotina, se vou voltar para as mesmas atividades, para mesma casa, mesmo trabalho? Nova rotina sim, pois mesmo que você faça essas mesmas coisas, tem algo diferente, uma pessoa que não mais presente fisicamente, e isso causa mudanças em você e na sua vida, além de ser necessário aprender a lidar com essas mudanças.

Lembre-se: você está vivo

É importante lembrar, por mais difícil que seja, que você esta vivo e pode passar por esse momento tão delicado que está vivendo, de uma maneira saudável. Ao contrário do que é visto atualmente, conseguir lidar com a dor de perder alguém é importante para que essa dor não se estenda pelo resto de sua vida.

Não seja uma ferida aberta, que qualquer coisas que esbarrar vai fazer doer. O luto vem com essa intenção, de elaborar essa dor, para que você consiga lembrar dessa pessoa e sentir saudades dela, sem a dor que ocorre no primeiro instante. A lembrança dessa pessoa deve ser mantida em seu coração. Ao elaborar o luto você mantem essa pessoa internalizada em você. Pense nisso: quando não se elabora uma perda, você escolhe esquecer a pessoa que faleceu, pois você vai evitar lembrar dela, pois isso vai te causar dor. 

O luto é natural e esperado, pois ele é o momento para elaborar uma perda, é saudável você vivenciá-lo ao invés de colocar todos os sentimentos e questões que dizem respeito à sua perda para “debaixo do tapete”. Você pode não entrar em contato direto com eles, mas você sabe que eles estão ali, pois estão te incomodando. 

Como diz o nome, é um processo de luto, a elaboração não é algo que se encerra no dia seguinte a perda, ela inicia logo que a perda ocorre, mas você passa por um processo, de momentos de mais introspecção, de choro, de dor ao lembrar, de uma mistura de sentimentos, de questionamentos em relação à vida como um todo, e também de união, de reaproximação, de descoberta em relação a si e também sobre a vida, entre outras questões que podem ocorrer que dizem respeito apenas a você e ao seu luto.

Afinal, o luto é algo individual, cada pessoa o sente de uma maneira, lida de uma maneira, pois só você sabe qual era o vinculo com a pessoa que partiu.

É preciso elaborar uma perda ?

Uma perda quando não elaborada pode acarretar em um luto mal elaborado. Esse pode se arrastar, continuar causando e trazer complicações em várias áreas da sua vida. Um exemplo que gosto de usar é o seguinte: Quando temos um machucado em nossa mão, que nos impossibilita de usá-la normalmente, no entanto nós agimos como se nada tivesse acontecido.

Para que isso aconteça é necessário cuidar desse machucado para que ele possa cicatrizar e não nos impedir de usar nossa mão. Se temos que limpá-lo, passar pomada, trocar curativo para que ele não infeccione e piore e assim traga complicações maiores, vamos fazer isso! Afinal, se a mão está machucada, isso atrapalha em várias tarefas que temos no nosso dia que precisamos usá-la. 

O mesmo ocorre com uma perda significativa se você não elaborá-la, ela vai continuar aí incomodando, causando dor, muitas vezes pode interferir em algumas área da sua vida, como trabalho, seu convívio com a família, além de prejuízos sociais, entre outros. Por isso a importância de elaborar uma perda para que ela não se torne uma ferida aberta. Nesse processo de cicatrização/elaboração da sua perda, você descobre que a morte encerrou a presença física daquela pessoa, mas tudo que foi vivenciado com ela, está dentro de você e isso não se desfaz.

Você não precisa passar por esse momento sozinho. Você pode e deve contar com pessoas que estão próxima a você, para que coloque para fora o que esta sentindo, para que possa chorar se não quiser chorar sozinho.

Permitir colocar sua dor para fora e receber o carinho das pessoas próximas a você também faz parte da superação desse momento. Você não precisa passar por esse momento sozinho. Lembre-se: às vezes é melhor partilhar sua dor para conseguir lidar com ela.

Como você está fazendo isso? Conseguiu para um momento para que “caia a ficha” ? Está conseguindo reunir forças para direcioná-la novamente para sua vida? Tem conversado com alguém sobre o que você está sentindo?

Se você sente que a psicoterapia pode auxiliá-lo(a) nesse momento, não hesite em buscá-la!

 

Obrigada por ler o post.

Um abraço,

Munic D. Zamparoni
Psicóloga, CRP (08/22456)

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