Ansiedade

Como a psicologia pode me ajudar com a Ansiedade

Falar sobre ansiedade hoje em dia tem se tornando bastante frequente, e a busca por profissionais de psicologia para lidar com a Ansiedade tem aumentado bastante, principalmente nessa fase de pandemia.  

A Ansiedade pode ser entendida como uma série de comportamentos, internos e externos, que surgem por meio de um estímulo aversivo.  

Antes de tudo, é muito importante ressaltar que a Ansiedade é uma reação necessária para a nossa sobrevivência, todos nós sentimos ansiedade, porém, temos de tomar cuidado quando essa reação se torna prejudicial para nossas vidas. 

Dentro da psicologia podemos encontrar diversas abordagens que trabalham com o enfrentamento da ansiedade, aqui irei falar sobre a ansiedade na perspectiva da Análise do Comportamento, que é uma ciência que está dentro das ciências naturais, proposta pelo psicólogo americano Burrhus Frederic Skinner, que estuda o comportamento humano a partir da interação entre o organismo e o meio ambiente.  

Análise do comportamento e ansiedade

Muitas vezes as pessoas costumam dizer que é a Ansiedade que está causando uma consequência negativa em suas vidas. Por exemplo, uma pessoa fala que não conseguiu dormir direito porque estava ansiosa para realizar uma prova que iria acontecer no dia seguinte ou que a pessoa comeu demais porque estava muito ansiosa. 

Para o analista do comportamento a Ansiedade é um comportamento, ou seja, não nos comportamos de determinada forma porque estávamos ansiosos, mas sim nos comportamos de maneira ansiosa devido a fatores do nosso ambiente.  

Esse comportamento de ansiedade pode ser descrito por eventos internos, como taquicardia, alterações da frequência respiratória e náuseas, ou eventos externos, como a maneira que falo ou me comporto quando estou ansioso. 

A Ansiedade pode parecer um sentimento ruim que deve ser evitado, mas também é válido lembrar que, como toda reação do nosso corpo, Ansiedade está lá para nos sinalizar algo. Dessa forma não devemos viver para evitar a Ansiedade, mas sim procurar maneiras de lidar melhor com nosso ambiente sem que esses eventos nos tragam uma carga negativa 

Explicando na prática 

Bem, já entendemos que não nos comportamos de determinada forma porque estávamos ansiosos e sim nos comportamos de maneira ansiosa devido a fatores do nosso ambiente, correto? Então, aonde encontramos a ansiedade nisso tudo? É só me segue que já vou explicar!

As consequências podem ser reforçadoras, ou seja, aumentar a probabilidade de um comportamento acontecer, ou punidores, que diminui a probabilidade de um evento acontecer.

Vamos ver isso na prática?  

Digamos que João nunca tinha enviado um e-mail na vida, quando chegou na empresa seu chefe pediu para que ele enviasse um e-mail com um informativo muito importante para todos os colaboradores de sua empresa (antecedente), João escreve o e-mail e copia todos da empresa (comportamento). Horas depois, João recebe o retorno do e-mail informando que ele havia escrito muito bem e que seu chefe o elogiou bastante(consequência reforçadora). 

A probabilidade de João enviar e-mails será altíssima, ele vai se sentir seguro e sempre vai querer enviar o e-mail, porque o reforço foi positivo, ou seja, a possibilidade do comportamento se repetir é grande.  

Agora vamos supor que houve uma falha quando João enviou o e-mail, fazendo com que ele acabasse enviando uma informação errada, com alguns erros de português e todos os colaboradores responderam com cópia para todos, expondo o erro de João, e por conta disso seu chefe precisou chamar suas atenção. Vamos ver como ficaria? 

Chefe de João pede para ele enviar um e-mail para todos os colaboradores da empresa (Antecedente), João escreve o e-mail e envia para todos (Comportamento), houve erros ao enviar o e-mail e todos responderam expondo seus erros e seu chefe precisou chamar sua atenção na frente de todos da sua sala (Consequência punitiva). 

A probabilidade de João escrever e-mails será bem baixa, já que houve uma consequência punitiva, ou seja, esse comportamento pode não se repetir, ou se repetir com pouca frequência.  

Onde fica a Ansiedade nessa explicação toda?

Você deve estar se perguntando: “o que a Ansiedade tem a ver com isso”? Pois bem, ela tem tudo a ver e eu vou explicar agora o porquê.  

Vamos voltar para João novamente, digamos que o chefe dele não pediu mais para ele enviar e-mails, porém, ele estava fora da empresa e precisava enviar um comunicado, dessa forma ele solicita que João enviasse o e-mail para todos da empresa.  

Nesse momento João fica de frente para o computador e começa a sentir medo, desespero, o coração começa a acelerar e João não consegue enviar o e-mail.

A Ansiedade é exatamente esses comportamentos que João teve que foi o medo, desespero e o coração acelerado. Isso é ansiedade.

Ela é um conjunto de pensamentos, sentimentos e ações, ou seja, ansiedade são respostas fisiológicas e ações que nós temos com o nosso ambiente.  

Onde entra o psicólogo nessa história toda?

Primeiramente é importante reforçar que o trabalho será conjunto, entre psicólogo e cliente.  

A terapia facilita na tomada de consciência, ajudando a pessoa a reconhecer o que desencadeia a Ansiedade, suas possíveis causas e os comportamentos decorrentes dela; orienta sobre técnicas de controle; auxilia na compreensão dos problemas e promove o autoconhecimento

Quando um indivíduo obtém o autoconhecimento do que causa essas respostas fisiológicas que chamamos de ansiedade, ele consegue fazer algo a mais para mudar a consequência, ou seja, o indivíduo adquire total controle e poder sobre a sua vida. 

Tudo bem se você se sentir ansioso por causa de algum evento que aconteceu, isso é normal, só não deixe que esses comportamentos prejudiquem sua vida.

Cada individuo é único, cada um tem seu histórico de vida e de ansiedade, por isso, a terapia é fundamental para cada um se reconhecer e entender o que acontece em sua vida. 

 

Referências: 

 COELHO, Nilzabeth Leite; TOURINHO, Emmanuel Zagury. O conceito de ansiedade na análise do comportamento. Psicol. Reflexo. Crit. , Porto Alegre, v. 21, n. 2, pág. 171-178, 2008. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722008000200002&lng=en&nrm=iso>. acesso em 14 de outubro de 2020.  https://doi.org/10.1590/S0102-79722008000200002 .

CROCOMO, Elisa Forti. Ansiedade: o que a mantém? 2014. Disponível em: https://www.comportese.com/2014/10/ansiedade-o-que-a-mantem. Acesso em: 14 out. 2020.

ZAMIGNANI, Denis Roberto; BANACO, Roberto Alves. Um panorama analítico-comportamental sobre os transtornos de ansiedade. Rev. bras. ter. comport. cogn.,  São Paulo ,  v. 7, n. 1, p. 77-92, jun.  2005 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-55452005000100009&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  14  out.  2020.

Douglas Muniz Fantoni
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