Psicologia geral

Psicologia dentro dos processos patológicos do câncer 

Câncer maligno X câncer benigno

Considerado por muitos como a doença que não tem solução, o câncer é tratado com bastante tabu dentro da sociedade, muitas vezes os pacientes e familiares não gostam nem de mencionar o nome.

O câncer assusta a população mundial há algumas décadas e com o passar delas os números de incidência têm se mostrado cada vez mais presentes. Segundo o ministério da saúdeCâncer é o crescimento desordenado de células que invadem órgãos e tecidos”.

Essas células doentes podem espalhar-se para outras regiões, o que conhecemos como metástase. Atualmente, existem mais de 100 tipos de câncer na literatura médica mundial.

O câncer é maligno quando o crescimento desordenado dessas células é incontrolável, em grande quantidade e agressivo, o que deixa a pessoa debilitada e, em grande parte dos casos, traz risco de morte a curto, médio ou longo prazo, conforme as condições clínicas e avanço da doença em cada situação.

câncer é benigno quando essas células desordenadas crescem em apenas um local específico do corpo, de forma devagar, e trazem semelhanças aos tecidos originais. Esse tipo de câncer raramente constitui risco de morte. 

O tema existencial que mais dá medo no ser humano é a morte. Por estar atrelado a ela, o câncer traz esse medo aos pacientes diagnosticados com ele, porem os tratamentos para o câncer, como toda a medicina tem evoluído muito tecnologicamente, trazendo métodos mais eficazes na luta contra o câncer. 

Segundo Carvalho (2002) “Em 1981, a publicação do livro de Robert Adler, chamado Psiconeuroimunologia, deu início a uma nova disciplina que congrega a pesquisa científica do complexo campo das interligações entre os sistemas endócrino, imunológico e nervoso. Na sua amplitude maior, a Psiconeuroimunologia visa estudar a inter-relação mente-corpo através dos mecanismos pelos quais os sistemas psicológico e fisiológico se comunicam.”

A psico-oncologia

A partir desse livro, começou-se o questionamento sobre a conexão entre o psicológico e o fisiológico. Como já tinha sido criada a psicologia da saúde, que teve forte influencia nesses estudos, começou a desenvolver outras áreas. A psico-oncologia vem dessa leva que tem se desenvolvido recentemente.

A psico-oncologia teve visão após a crescente no numero de casos de câncer pelo mundo, com essa crescente começou a se pesquisar sobre a área e teorizar sobre a psicologia e o câncer, como os fatores psicológicos influenciavam nos aspectos biológicos e patológicos do câncer. 

A psico-oncologia é uma área que tem crescido nos últimos anos dentro da psicologia, voltada para os fatores psicológicos que cercam os pacientes e seus familiares dentro do processo de aceitação e enfrentamento ao câncer. Entendendo a necessidade da qualidade de vida e longevidade, dentro dos cuidados paliativos que são necessários em meio às doenças crônicas. A psico-oncologia estará inserida no trabalho multidisciplinar pensado no bem-estar emocional do paciente.

Levando em consideração os trabalhos em rede feitos dentro da estrutura da saúde brasileira, podemos perceber que os cuidados paliativos que entram na atenção primaria, segundo a portaria 2436 publicada em novembro de 2017 que falara sobre a atenção básica, estão ligados a este lugar de gerenciar os sofrimentos do paciente dando a ele qualidade e proporcionando que ele viva bem dentro de suas condições. 

No Brasil, o primeiro congresso voltado pra essa área foi em 1989 em Curitiba e posteriormente em outros estados, com a visibilidade desses congressos e a quantidade de profissionais presentes, criou-se o curso de extensão, após dois anos da sua criação a psico-oncologia se tornou uma especialização.

Em um congresso de psico-oncologia, em São Paulo no ano de 1994, viu-se a necessidade de normatizar a área. Também nesse ano criou-se a Sociedade Brasileira de Psico-oncologia. Segundo Carvalho (2002) Embora a Psico-Oncologia seja uma área de atuação multidisciplinar, em nosso país ela tem sido desenvolvida principalmente por psicólogos. Cerca de 70% da frequência aos Congressos e a maioria das contribuições a estes tem sido de psicólogos.”

Os casos de câncer nas ultimas décadas têm sido pauta de discussão por todas as áreas da saúde. A psicologia devido às questões emocionais e existenciais ligados ao câncer, sendo um diagnostico muito duro de ser recebido, tem feito parte dessas discussões e se inserido dentro das equipes multiprofissionais por entender a necessidade da atuação do psicólogo na área da oncologia.

Segundo Costa Junior “Observa-se que a psico-oncologia vem se constituindo, nos últimos anos, em ferramenta indispensável para promover as condições de qualidade de vida do paciente com câncer, facilitando o processo de enfrentamento de eventos estressantes, se não aversivos, relacionados ao processo de tratamento da doença, entre os quais estão os períodos prolongados de tratamento, a terapêutica farmacológica agressiva e seus efeitos colaterais, a submissão a procedimentos médicos invasivos e potencialmente dolorosos, as alterações de comportamento do paciente (incluindo desmotivação e depressão) e os riscos de recidiva.

Vem se pesquisando nos últimos anos a importância do tratamento psicológico dentro da evolução do câncer, como isso afeta o sistema imunológico e como a depressão, o estresse e a ansiedade, podem enfraquecer esse sistema imunológico.

A psicologia humanista existencial e o câncer

Pensando nessa necessidade a psicologia humanista existencial, com todo seu arcabouço teórico, traz construções interessantes para essa área emergente da psicologia, conseguindo fazer com que o paciente elabore através dos temas existências sobre o câncer.

O amor incondicional ao paciente e sua capacidade de trazer a empatia como ponto principal, a fim de entender o sofrimento vivenciado pelo paciente, são partes importantes dessa teoria não se esquecendo da importância do sujeito ter o poder decisório de escolha preservado, lembrando-o que eles devem se responsabilizar por suas escolhas.      

Através dos temas existenciais levamos o sujeito a se haver com seus sentimentos, que ele conseguiu nomear a partir do sentido da vida, conectando-se com o processo de terminalidade, responsabilizando-se pelos seus atos e mudando suas ações em prol de uma melhor qualidade de vida. 

Através do processo psicoterápico conseguimos ver as oscilações de humor e suas angústias do sujeito, fazendo com que o mesmo se enxergue com um ser de possibilidades, capaz de mudar suas ações, além de ter uma melhor qualidade de vida dentro de sua vivencia autêntica. 

Luís Henrique de Araújo Silva

Referencias:

  1. BRASIL, Ministério da Saúde, Saúde de A à Z, Câncer: sintomas, causas, tipos e tratamentos, Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/cancer Acesso em: 27 de abril de 2021.
  2. CARVALHO, Maria Margarida. Psico-oncologia: história, características e desafios. Psicol. USP,  São Paulo ,  v. 13, n. 1, p. 151-166,    2002 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642002000100008&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 23  de Maio de  2021.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-65642002000100008.
  3. COSTA JUNIOR, Áderson L.. O desenvolvimento da psico-oncologia: implicações para a pesquisa e intervenção profissional em saúde. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 21, n. 2, p. 36-43,  June  2001 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932001000200005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em:  27 de abril de 2021.  http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932001000200005.
  4. OLIVEIRA, Max Moura de et al . Estimativa de pessoas com diagnóstico de câncer no Brasil: dados da Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. Rev. bras. epidemiol.,  São Paulo ,  v. 18, supl. 2, p. 146-157,  Dec.  2015 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-790X2015000600146&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 27 de abril de 2021.  http://dx.doi.org/10.1590/1980-5497201500060013.
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