Psicologia geral

Diferenças entre psicoterapia e tratamento psiquiátrico

Muitos pacientes que iniciam o tratamento psicoterapêutico têm dúvidas quanto à utilização de remédios e, também, sobre a diferença de um tratamento psicoterapêutico e tratamento psiquiátrico. Isto se dá porque não há informação suficiente que explique os efeitos – na vida do paciente – de cada tipo de tratamento. 

Um remédio não substitui a psicoterapia, da mesma forma que em casos extremamente graves apenas a psicoterapia pode não ser suficiente. De maneira geral, as duas coisas podem estar aliadas e, com a psicoterapia fluindo bem, o paciente torna-se apto a realizar o desmame do remédio psiquiátrico gradativamente.

Para um melhor entendimento, serão expostos alguns pontos importantes a respeito dessas duas vertentes relacionadas à saúde mental.

Tratamento psiquiátrico

O tratamento psiquiátrico é realizado por meio de um diagnóstico com base no DSM (manual de transtornos mentais) e se dá com a prescrição de remédio aliado à psicoterapia. A função do remédio é a de amenizar os sintomas do paciente.

Em alguns casos os sintomas podem tornar a vida do paciente improdutiva e podem agir de maneira incapacitante, de forma que o paciente passa a não conseguir realizar tarefas cotidianas em casa, no trabalho ou no cuidado de si e de outros que, por ventura, dependem dele.

Os sintomas também atingem os laços sociais, podendo gerar brigas, desentendimentos, intrigas e afastamento de familiares e amigos próximos, levando o paciente a um estado permanente de infelicidade e isolamento, sensação de solidão e incompreensão acerca de seus problemas.

Assim, com base nos sintomas específicos expostos pelo paciente, pode-se iniciar um tratamento medicamentoso, e a partir disto, na maior parte dos casos o paciente experimenta uma melhora gradual de seus sintomas físicos e psíquicos.

Tratamento psicológico

Na maioria dos casos, apenas o tratamento medicamentoso não é suficiente para que haja uma melhora efetiva no quadro do paciente. O remédio age de maneira orgânica, mas não altera a maneira de pensar, sentir e perceber a vida de cada sujeito. 

É comum pacientes chegarem ao consultório relatando que o remédio não o curou da depressão, do Transtorno Obsessivo Compulsivo, dentre outros diagnósticos, exatamente porque o medicamento em si não possui efeito de cura. É preciso que o paciente fale sobre suas principais questões e tente compreender, através de sua fala e das pontuações do psicólogo, o que o leva a pensar e sentir de determinada forma e a ter determinados comportamentos, e isto é do campo do tratamento psicológico.

O tratamento psicológico é o tratamento da neurose em si, do que é próprio do sujeito, da sua subjetividade, pontos que o remédio não pode atingir ou alterar, mas que um tratamento psicológico bem orientado pode atenuar, melhorando assim a qualidade de vida do paciente de forma mais duradoura.

Remédios e seus efeitos

Os medicamentos psiquiátricos, psicofármacos ou psicotrópicos são grupos de substâncias químicas que irão agir no sistema nervoso central, afetando os processos mentais e fazendo com o que o indivíduo experimente uma melhora em sua percepção, disposição física e em seus comportamentos.

Os remédios podem apresentar alguns efeitos colaterais, isto vai depender da gravidade do caso e do tipo de remédio prescrito, embora atualmente tenhamos disponíveis uma série de medicamentos novos, com efeitos colaterais mais brandos.

O efeito do remédio é no organismo, e o objetivo é gerar uma melhora na qualidade de vida do indivíduo, especialmente daqueles que estão em um nível incapacitante, com dificuldade de realizar o básico do dia-a-dia, como tomar banho, alimentar-se, dirigir, dentre outros.

Psicoterapia e seus efeitos

Embora o remédio opere no organismo trazendo ganhos como mais disposição no dia a dia, o efeito do medicamento não atua na maneira de ser do sujeito, ou seja, as neuroses continuam agindo. A forma como o paciente vê e entende a vida, seus pensamentos – que determinam seu comportamento – e a maneira como se sente nas mais diversas situações de sua vida não sofrem mudanças devido ao uso de psicofármacos.

Os efeitos de uma boa psicoterapia são a longo prazo e possuem uma duração maior, pois levam o sujeito a trabalhar ativamente em cima de suas questões e a tentar entendê-las, de forma que pode passar a pensar, agir e sentir diferente, podendo superar suas principais questões de maneira consciente, possibilitando assim um melhor manejo de seu sofrimento diante das dificuldades que a vida impõe.

Como sabiamente colocou Freud: A ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como o são umas poucas palavras boas.

Não tenha vergonha

A maioria das pessoas necessitam, em algum momento da vida, de ajuda psicológica ou psiquiátrica. Isso não deve ser motivo para julgamentos pejorativos de si mesmo e nem de vergonha. Buscar auxílio profissional, especialmente na época difícil em que estamos vivendo, é uma decisão racionalmente importante para que se possa manter o mínimo de saúde mental e produtividade em um momento onde não podemos ter a proximidade que gostaríamos com familiares e amigos.

A vergonha, muitas vezes, pode ser uma forma de resistência ao tratamento e pode levar a uma piora considerável do quadro, pois com o tempo os sintomas podem se intensificar, gerando ainda mais sofrimento.

Procure ajuda

Caso esteja sentindo desconforto emocional e mental, procure ajuda. Busque atendimento qualificado. Em muitos casos, não é necessário o tratamento psiquiátrico, alguns sujeitos que possuem quadros leves e moderados se saem muito bem apenas com o tratamento psicoterapêutico que, dependendo do comprometimento do paciente, pode correr bem e gerar diversos ganhos, dependendo apenas da disposição do paciente de falar sobre seus incômodos e questões diante da vida.

Ao implicar-se no tratamento, dentro do setting terapêutico o paciente tem a oportunidade de verbalizar todos os seus pensamentos e sentimentos de maneira sigilosa e segura. Todas as questões, de qualquer natureza, podem ser expostas a uma escuta ativa e profissional, diferentemente do que acontece nas conversas coloquiais com amigos e conhecidos.

Ao desfrutar dessa liberdade, o indivíduo tem mais chances de trabalhar seus medos, traumas, ansiedades, tristezas, e tem a chance de olhar mais profundamente para dentro de si, para tentar enxergar a origem de seus sintomas e, assim, elaborá-los, dando outro significado ao que antes era entendido como um problema ou impedimento.

Cibelle Fontes Perondi
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