DestaquePsicologia do trabalho

Burnout: Quando o trabalho adoece

Você já ouviu falar no termo Burnout? 

O nome pode até parecer um pouco difícil, mas ele define algo que é cada vez mais comum nas empresas: o adoecimento por causa do trabalho.

Trabalhar é muito bom, pois além de ser a forma de sustento das pessoas, é também uma maneira de ocupar o tempo, de se colocar como útil na sociedade e muitas vezes é benéfico para a saúde mental, mas a questão é, o que acontece quando trabalhamos demais?

Seria muito bom se pudéssemos produzir várias coisas no mesmo dia, ser multitarefas, cumprir metas, ganhar bonificações. Mas esquecemos de algo muito importante: não somos máquinas. Nosso corpo pede descanso. Nós adoecemos.

O que é Burnout?

Uma das principais consequências que o excesso de trabalho pode trazer é o Burnout. O termo vem do inglês e significa algo como “combustão completa”. Ou seja, algo que recebe tanta energia, tanto gás, que pega fogo. 

Este termo é reconhecido aqui no Brasil desde 1999 como uma doença relacionada ao trabalho. Suas consequências não se limitam apenas ao pessoal e subjetivo de cada trabalhador, mas afetam a organização como um todo, prejudicando, por exemplo, a taxa de absenteísmo e rotatividade.

Um estudo diz que uma das principais características do Burnout é a presença de uma má fadiga, ou seja, um tipo de esforço contínuo e corriqueiro, típico da vida moderna que se contraria ao natural humano. 

Nestes casos o cansaço é crônico. Isso quer dizer que mesmo descansando a energia não é recuperada.

Relação do Burnout com o estresse

Burnout e estresse são temas muito próximos entre si, sendo que alguns estudiosos defendem que a proximidade é tanta que não seria necessária uma separação entre os dois termos. 

As rotinas exaustivas de compromissos e reuniões constantes, agendas lotadas causam uma sensação de que a sobrecarga e alta tensão são normais e que fazem parte do processo de trabalho. 

Mas a verdade é que o excesso paralisa. Você já passou pela experiência de ter várias opções de comida na geladeira e ao final chegou à conclusão que não tinha nada para comer? Então, as coisas funcionam mais ou menos assim no trabalho.  

Muitas demandas, muitas tensões e autocobranças paralisam.

Principais sintomas do Burnout 

Por se tratar de uma doença relacionada ao trabalho, ela deve ser investigada e acompanhada por médicos, psiquiatras e psicólogos. Eles utilizam a escala diagnóstica de MBI para determinar a intensidade da doença. 

Vamos citar alguns dos sintomas mais comuns:

  • Sentimento de esgotamento, seja ele físico ou mental;
  • Distanciamento maior com os colegas de trabalho; 
  • Baixo sentimento de realização pessoal;
  • Sensação de incompetência e diminuição da produtividade;
  • Sintomas relacionados com a depressão.

Como evitar o Burnout: um ensinamento

Em um TED, Melanie Sodka descreve como as pessoas normalmente estão agindo em seus trabalhos e traz alguns ensinamentos para evitarmos este sentimento de exaustão e esgotamento.

A primeira coisa que ela faz é uma reflexão sobre a forma como vivemos: quantas vezes não nos pegamos dependendo de aplicativos para sermos mais produtivos? Quantas outras sofremos por antecipação diante da possibilidade de notificação de nosso chefe pedindo mais um trabalho a ser feito?

Para nos ajudar a refletir sobre isso, ela fala sobre um conceito que deveria ser mais explorado em nossas relações de trabalho: o da capacidade. Para ela, a capacidade é a soma da paixão, energia e satisfação. 

Saber qual é a paixão, o que te dá energia e o que te satisfaz te ajuda a decidir sobre as coisas que você tem capacidade para fazer. 

Ela também separa a capacidade em quatro estágios:

  • Indulgente: é aquele momento que dizemos sim para tudo, que queremos validar o talento e nos viciamos na adrenalina de produzir;
  • Fatigado: por produzirmos tanto no estado anterior, não conseguimos mais fazê-lo agora e nem o descanso nos acalma. Aqui é quando surge o Burnout;
  • Reservado: após nos afastarmos por um tempo, fazermos o tratamento e descansamos, voltamos ao trabalho, mas ficamos com receio de voltar ao esgotamento;
  • Maximização: este é o estado ideal, no qual estamos conectados com as nossas motivações, temos autoconhecimento e podemos dizer não sem nos sentirmos culpados. 

Quando atingimos o estado de maximização isso quer dizer que usamos bem a nossa capacidade e que dizemos sim a coisas relevantes e importantes. Isso quer dizer que nos conhecemos suficientemente bem para definir e escolher. 

E, com certeza, ter em uma empresa funcionários com essa mentalidade é muito benéfico, pois eles estarão focados em projetos e se dedicarão verdadeiramente ao seu desenvolvimento.

Como a empresa pode ajudar?

Nós não estamos dizendo que trabalhar é algo ruim, mas que a intensidade e a maneira com a qual ele é feito podem ser negativos e adoecer as pessoas.

Você, como empregador, pode ser uma peça fundamental para ajudar os seus funcionários nesta jornada em busca de mais equilíbrio e resiliência. Aqui estão algumas sugestões de medidas que você pode adotar em sua empresa:

  • Observe: veja em quais atividades os colaboradores se sentem mais motivados e realizados. Quanto mais o trabalho estiver alinhado com o propósito, melhor;
  • Seja flexível: esteja aberto para pedidos de flexibilização de prazos ou para remanejar demandas, caso um trabalhador esteja muito atarefado;
  • Reconheça: se algum funcionário disser que não pode realizar uma tarefa, pois não possui esta capacidade, reconheça sua sinceridade e indique cursos de formação;
  • Incentive: a participação de colaboradores em grupos para manter a saúde mental como yoga, teatro, culinária. Incentive também a terapia e o autoconhecimento.

Com essas dicas as pessoas serão mais conscientes de seu propósito e terão mais sabedoria em relação à aceitação das demandas, e conquistarão mais equilíbrio e saúde. 

Você, ao pensar na saúde de seus funcionários não estará apenas mostrando que se preocupa com o bem-estar deles, mas será visionário e criará um espaço produtivo, com uma equipe saudável e que produz com alegria.

Se você quer saber mais sobre Burnout, temos mais uma matéria feita especialmente para você. Acesse aqui! Afinal, quando a mente ultrapassa o corpo e o trabalho se torna tudo, é tempo de parar. Nessas horas, descansar é uma forma de trabalhar.

Referências

TED

  1. https://www.ted.com/talks/melanie_sodka_burnout_how_addiction_to_distraction_is_eroding_our_capacity?language=pt-br

ARTIGOS

  1. https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2018/06/27/sindrome-de-burnout-12-estagios-ou-sintomas-do-esgotamento-profissional.htm
  2. https://blog.psicologiaviva.com.br/sindrome-de-burnout/
  3. https://www.scielo.br/j/physis/a/57RLsw3NPS4YRKzMLHPGyTy/?lang=pt
  4. https://blog.psicologiaviva.com.br/sindrome-de-burnout-a-sindrome-da-atualidade-e-o-bem-estar-ameacado-pelo-trabalho-durante-a-pandemia/
  5. https://blog.psicologiaviva.com.br/burnout-e-ter-maior-produtividade/
Psicologia Viva
Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar