Desenvolvimento pessoal

Reciprocidade: o amor em busca de um equilíbrio!

O que é reciprocidade?

Você já viveu o peso de uma relação onde você parece se doar e nunca receber em troca reconhecimento? Ou uma relação onde o cuidado e atenção que você dedica ao seu parceiro ou parceira são muito superiores ao que você recebe? Bom, diante dessa queixa que não é tão incomum, cada vez mais casais ou indivíduos têm questionado sobre o valor da reciprocidade para fazer o relacionamento ter qualidade e valer a pena.

Mas, o que é reciprocidade?

No dicionário, reciprocidade fala em complementaridade. Na filosofia, reciprocidade diz respeito a objetos que ocupam o mesmo espaço e interagem de forma complementar. Mas, na psicologia social, reciprocidade é uma relação em que um comportamento positivo recebe em troca um outro comportamento positivo, e um negativo receberá em troca o mesmo. Poderíamos, então, pensar a reciprocidade como uma forma de equilíbrio entre aquilo que você doa e aquilo que você recebe.

No entanto, numa relação as coisas podem complicar um pouco, porque cada parceiro traz a sua história pessoal, com suas limitações, com suas dificuldades e interpretações. Assim, quando um acha que o que faz é algo positivo ou que se doa de maneira intensa, pode não ser entendido da mesma forma pelo outro e, diante de uma situação como essa, sentir-se frustrado, magoado ou até mesmo ter sua autoestima abalada, afetando a forma como enxerga as relações diante da vida.

O mais importante para entender o que é reciprocidade é saber identificar o que NÃO é reciprocidade!

Reciprocidade não é igualdade. Igualdade é quando você tem a mesma medida, as mesmas obrigações e a mesma intensidade de sentimentos. Impossível mensurar o que sentimos, né? Reciprocidade não é obrigação. Obrigação é um encargo, uma coisa feita de forma obrigatória. Quem gostaria de doar amor e receber atenção em retorno só por obrigação? Amor não é algo imposto. Reciprocidade também não é equidade. Equidade é quando a gente tenta dar o necessário para que, ao fim, todo mundo tenha igual. Mas, como medir a igualdade?

Então, reciprocidade é uma medida que identifica se há cuidado e carinho na forma certa que precisamos para nos sentirmos bem e, se de maneira recíproca, conseguimos devolver esse bem com comportamentos que façam o outro feliz, sem que com isso nos preocupemos com quantidade, mas qualidade.

Afinal, durante o decorrer do tempo a relação passa por momentos diferentes e cada parceiro por necessidades diferentes, afinal todos nós possuímos os nossos pontos fortes e fracos. Assim, às vezes é preciso que um esteja mais presente, e em outro momento o outro, mas o importante é que o resultado seja sempre positivo com sentimentos como gratidão, admiração e respeito.

A reciprocidade é um princípio para a vida. Ela orienta a cooperação e nos incentiva a sermos úteis em benefício do outro. Ao adotarmos a reciprocidade em nossa vida buscamos chegar a um resultado que nos dê mais satisfação e felicidade.

Qual a importância da reciprocidade para as relações?

Durante toda a nossa vida estamos envolvidos em diferentes relações e em todas elas, em alguma medida, desenvolvemos ou aprendemos sobre reciprocidade. Somos filhos, irmãos, sobrinhos, primos, etc. Sempre estamos envolvidos em diferentes formas de atividades que exigem a nossa atenção aos comportamentos e às emoções presentes.

As pessoas reagem a nossa forma de agir o tempo inteiro, elogiando ou criticando: somos taxados de bons ou maus, introvertidos ou extrovertidos, atenciosos ou descuidados, etc. Às vezes somos vistos de uma forma por um grupo, e de outra totalmente diferente por outro; isso é bom, pois nos ajuda a moldar a nossa personalidade, reforçando o que dá bons resultados e afastando aquilo que nos trouxe algum prejuízo.

Isso acontece por dois motivos. Por um lado, nós mesmos fomos orientados ou observamos que é comum agir de diferentes maneiras dependendo do local e da ocasião em que estamos. Na escola seguimos algumas regras, com nossos amigos costumamos ser mais espontâneos que na Igreja, por exemplo. Seriam as nossas personas: as diferentes “máscaras” sociais que usamos para cada ambiente que precisamos frequentar.

Por outro lado, muito do que entendemos como certo ou errado, depende do que as pessoas nos ensinam sobre os nossos comportamentos, e isso acaba afetando a forma como a nossa subjetividade, nosso eu menos visível, interpreta o mundo. Somos então a soma daquilo que observamos sobre o mundo, do que as pessoas dizem sobre nós e do que sentimos acerca disso tudo.

Numa relação amorosa duas pessoas reúnem as suas histórias e subjetividades que são, naturalmente, diferentes. Claro que também é natural ter interesses e gostos em comum, ou até mesmo semelhanças em suas histórias de vida. Mas, de fato, ninguém é igual a ninguém. Por isso, sem dúvida nenhuma, toda relação é um desafio para mostrar ao outro os nossos gostos, as coisas que consideramos importante, os sonhos que gostaríamos de conquistar e compartilhar com a pessoa que está ao nosso lado.

Uma relação amorosa pode ser pautada só no sentimento amoroso, mas certamente as chances de uma relação mais profunda, tranquila e longa aumentam ainda mais quando os parceiros além do sentimento, compartilham valores, crenças e planos, sem perderem suas individualidades. Mesmo que não gostem das mesmas coisas e, vez ou outra, de maneira muito saudável estejam sós em seus interesses, ainda assim, sabem reconhecer a importância do outro em sua vida, fazem planos como casal e dedicam-se de forma conjunta em atividades compartilhadas.

Aqui está a medida da reciprocidade, saber que pode contar com o outro em tudo que for relevante, importante e fundamental para a sua felicidade e para a felicidade do casal.

Infelizmente, nas clínicas e nos consultórios, a ausência de reciprocidade acaba sendo uma queixa recorrente. Em outras palavras, a queixa chega através da acusação de falta de parceria, de doação e de entrega em uma medida que gere satisfação aos dois lados.

Essa queixa é muito comum em mulheres, para quem a dedicação emocional aos outros e aos relacionamentos é culturalmente mais atribuída, mas acontece em qualquer relação de qualquer natureza. Acontece que, numa terapia, é importante reconhecer o que de fato é uma ausência afetiva do parceiro ou parceira ou uma expectativa irreal e fantasiosa sobre o que outro deve ou não deve fazer em uma relação.

Não é incomum relações começarem pautadas em um esforço muito grande em mostrar ao outro o melhor de nós, acreditando que aquela pessoa corresponda as nossas fantasias e, por isso, merece um esforço intenso para que permaneça ao nosso lado. Relações que começam dessa maneira, em que um se responsabiliza pelo bem-estar do outro, certamente já começa com uma dívida emocional grande, afinal, em algum ponto, essa doação será cobrada, mesmo que não tenha sido solicitada.

Da mesma forma, algumas pessoas aceitam relações em que não existe um interesse real pelas necessidades do parceiro, mas exigências e cobranças que são entendidas como amor, mas são apenas controle. Existem muitas formas de narrarmos quando uma relação está notoriamente sendo exaustiva emocionalmente para um ou outro.

Numa terapia serão muitas as perguntas: o que você deseja do outro?, O outro é capaz de dar isso?, O outro lhe ofereceu isso?, O outro sabe de seu desejo? Ao passo que cada pergunta dessa é respondida de forma honesta e corajosa, deixa de ser importante saber o que o outro tem feito, mas o que você tem feito nessa relação, por que está nela e o que deseja fazer ainda ali ou em outro lugar? No fim, mesmo em uma terapia de casal, o que importa mesmo é definir as expectativas individuais e o quanto é possível alinhar isso em um sentido único. A ferramenta para isso é a empatia e a comunicação.

Como a psicologia pode ajudar a desenvolver a reciprocidade na relação

A psicologia pode ajudar tanto a partir de um trabalho individual como conjunto. Primeiro é importante identificar o que é, de fato, reciprocidade. Muita gente faz ideia do que seja e até acredita na importância dela para a relação, mas, na prática, não damos a devida atenção. Isso porque, como quase tudo em questão de comportamento em nossa vida, a reciprocidade é aprendida desde cedo e envolve prestar atenção ao equilíbrio entre dar e receber.

E esse equilíbrio nem sempre está presente como gostaríamos e acabamos reproduzindo alguns erros que já vivenciamos em nossa história. Para desenvolvermos uma relação saudável é importante reconhecermos as nossas limitações, desenvolvermos a noção de responsabilidade conjunta e nos dedicarmos a uma maturidade emocional que exige muito autoconhecimento e maturidade.

É importante em uma relação amorosa buscar estabelecer algumas questões de suma importância para o bem-estar:

  1. Definir quais são os valores pessoais, objetivos e quais as expectativas que cada um possui na relação, e de que forma isso pode ser compartilhado. O conhecimento entre o casal precisa ser claramente definido desde o princípio e alinhado às expectativas dos dois, mas para isso o autoconhecimento é fundamental. 
  2. Buscar desenvolver a noção de responsabilidade compartilhada numa relação. Isso só é possível se a pessoa consegue desenvolver a noção de responsabilidade pessoal em tudo que se envolve na vida. Uma relação em que um sempre cede para que o outro, sem que nunca haja contrapartida, cria uma desigualdade prejudicial. O bem-estar nunca é responsabilidade só de um.
  3. Elaborar uma comunicação eficiente auxilia na vida individual e será uma excelente ferramenta para cada casal. É importante que essa comunicação respeite as particularidades individuais e dinâmica de cada casal. Mesmo que em gestos, palavras e comportamentos, é preciso desenvolver canais de expressividade em que os pares possam ser honestos, sem receio de serem punidos ou certeza de serem ignorados;
  4. Respeitar a individualidade e as diferenças de cada um favorece a empatia. É importante abrir espaço para o outro realizar coisas sozinho que não são do interesse do casal, evitando o controle de um sobre o outro. Será difícil desenvolver a reciprocidade no relacionamento se um dos parceiros assumir “o controle” da relação.
  5. Buscar entender o que é descaso ou falta de cuidado e o que é uma limitação ou dificuldade. Importante deixar claro que, como pessoas, somos sempre capazes de melhorar e é sempre possível desenvolver habilidades necessárias ao bem-estar de qualquer relação, como por exemplo a empatia e a confiança.
  6. Desenvolver a valorização pessoal e incentivar que o outro também se valorize. Se você não se enxerga como uma pessoa importante, além de enxergar também seus desejos como fundamentais, dificilmente saberá impor limites ou cobrar a devida atenção. Além disso, dificilmente terá noção de como é ruim que não deem importância ao que é especial, estando atento às necessidades do parceiro (a). Valorize-se e, na mesma medida, valorize o outro.
  7. Saiba reconhecer as atitudes que são prejudiciais e cobrar o fim delas. Saiba também reconhecer e elogiar as atitudes boas, incentivando a sua permanência. Mais uma vez, o autoconhecimento é uma grande ferramenta que poderá ajudar nisso.

A maturidade em uma relação apresenta, naturalmente, reciprocidade. Isso é um bom indicador de uma convivência pautada não só no sentimento, mas na plenitude emocional e no bem-estar.

Casais passam por dificuldades e podem amadurecer juntos. A terapia pode ajudar a resolver conflitos, identificar pontos negociáveis e até mesmo ressignificar mágoas, mas não pode obrigar ninguém a assumir a responsabilidade pela sua mudança ou da relação. Um relacionamento saudável exige que ambas as partes aceitem suas responsabilidades pessoais. Com isso, ao fim do processo, o indivíduo ou o casal pode, por exemplo, entender que não possuem mais afinidades e haveria muito desgaste em permanecer juntos.

Desistir de um relacionamento de forma respeitosa é sempre algo valoroso. Mas é possível também chegar a novos começos, estabelecer novas metas e seguir em frente com vontade em doar o seu melhor para a sua relação e a certeza de que, em troca, algo de bom também irá receber. Um equilíbrio saudável e importante em qualquer relação, ainda mais em uma amorosa.

 

Se estiver enfrentado problemas emocionais e precisa de ajuda que tal vir falar comigo?

Maria D’Ajuda Costa Passos – Psicóloga CRP-02/14549, especialista em Saúde da Família (UNIVASF); Mestre em Administração (UFBA); e doutoranda em Administração (UFBA). Realizo atendimento Presencial (Petrolina- PE) e Online (Psicologia Viva!), Petrolina-PE. Contatos: (87) 99656-9399 e ducapassos@yahoo.com.br

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