Desenvolvimento pessoal

Qual impacto a rede social está tendo em sua autoestima?

Já notaram como a vida é perfeita e cheia de felicidade nos diversos perfis das mídias sociais? 

Não se engane! Ninguém é perfeito e todos temos problemas, os posts que vemos são apenas uma única face do que querem mostrar. É preciso avaliar se a rede social está sendo um estimulo ou um enfraquecimento para você.

Afinal, a sua visão de si mesmo pode estar ofuscando sua percepção. 

Baixa autoestima: uma visão embaçada

A imagem que temos de nós mesmos não é herdada e sim aprendida. Ao longo da nossa vida adquirimos informações que são continuamente armazenadas por nós em forma de crenças.

Assim, a relação que estabelecemos com o mundo externo desenvolve em nossa mente uma imagem de como acreditamos que ele seja. Os fracassos e sucessos, os medos e inseguranças, as sensações físicas, os prazeres e desgostos organizam-se em uma imagem interna sobre sua própria pessoa.

Quando temos uma visão negativa de nós mesmos, comumente damos importância aos dados que confirmem a nossa crença: exemplo disso acontece quando somos bombardeados com publicações positivas das redes sociais, pois comparamos a nossa vida cheia de defeitos com a vida “perfeita” de um perfil virtual.   

No entanto, o que muitas pessoas não enxergam é que a grande maioria dos posts nas redes sociais mostram somente o que o dono do perfil deseja: por um lado, mostra apenas eventos positivos de sua vida e, por outro, distorce eventos negativos para que se pareçam com eventos positivos.

Ainda, alguns indivíduos mais exigentes costumam classificar os diversos aspectos da vida no estilo de tudo ou nada, sem considerar os matizes: “ou tenho a vida de sucesso como aquela pessoa ou sou um fracassado”, “Sou capaz ou incapaz?”, “Sou inteligente ou tolo?”

No entanto, a vida é muito complexa para utilizar esta forma de pensamento com apenas dois opostos, pois não existe nada absoluto.

Tendo uma visão mais realista

Não imponha metas inatingíveis a si mesmo!

Seja exigente conforme suas possibilidades e capacidades reais, pois, às vezes, ao almejar as mesmas coisas que vemos nas mídias sociais, traçamos metas que a curto prazo podem ser irreais. 

Ainda, quando começamos a perceber que tais metas não serão atingidas, surge o sentimento de frustração, que reforçam as crenças disfuncionais, por exemplo, de que não somos bons o suficiente, de que fracassamos em tudo que atuamos, enfim, e assim criamos um mecanismo defensivo que é o de desistir sem antes mesmo começar.

Então, antes de mais nada, reveja suas metas: coloque-as em degraus alcançáveis por você e aproveite e comemore cada submeta alcançada. E claro, comparar suas metas com o de outras pessoas pode sim ser salutar – mas lembre-se apenas de que os posts de mídias sociais não são referência para comparação.

Portanto, tenha mais generosidade com você! Pois, felizmente, nós não somos perfeitos e não atingir alguma meta não nos torna uma pessoa horrível. Pense em você de forma carinhosa e tente não se cobrar demais: a autocrítica na medida certa é saudável e benéfica para o crescimento pessoal, mas se usada de forma cruel,  afeta a sua saúde mental.

O hábito de ficar fazendo constantes autocríticas duras e inflexíveis aumenta a insatisfação e as sensações de insegurança. Vale a pena esclarecer que, embora uma autoestima bem constituída se mantenha no tempo e tenda a ser constante, não significa que às vezes você não vá se sentir mal.

Revelando o “eu real” 

Quando falamos de “eu real’’, estamos falando sobre como nós somos, incluindo nossas qualidades e nossos defeitos.

Todas as pessoas são assim, ninguém é perfeito e ninguém tem apenas defeitos. O “eu ideal” (que é o “eu” que gostaríamos de ser) é a visão irreal do que se quer alcançar, e que geralmente acreditamos que nos trará a felicidade. 

E é o que muitos acreditam que está na mídia social, baseado no que é transmitido intencionalmente. 

Não caia na rede dos ideais inalcançáveis! 

Não existe uma verdade absoluta sobre a perfeição. E é por isso que você encontrará pessoas que acham lindo alguém que você particularmente acha feio.

O importante é distribuir a atenção para incluir aquilo de que gosta em você e tirar o brilho insuportável do que não gosta. Portanto, é importante o autoconhecimento para saber reconhecer suas reais potencialidades e executá-las da melhor forma.

Para equilibrar a autoestima é necessário comemorar suas conquistas e reconhecer seu valor, ou seja, praticar a autoaceitação.

Pessoas saudáveis normalmente estão contentes de estar vivas. Não medem seus valores intrínsecos por suas realizações extrínsecas ou pelo que os outros pensam delas. Se são verdadeiramente sábias, tentarão evitar avaliar-se na sua totalidade e no seu ser. De fato, tentarão mais apreciar do que se provar.

Como a terapia pode contribuir?

Existem várias formas dentro de cada abordagem de ajudar o paciente com autoestima baixa, umas delas é a reestruturação de crenças irracionais.

Segundo os pressupostos da terapia cognitiva, as pessoas desenvolvem e mantêm crenças básicas ao longo da vida, a partir das quais formam a visão de si própria, do mundo e do futuro. Sob esse enfoque, o terapeuta e o paciente trabalham juntos para identificar distorções cognitivas, que são pensamentos, pressupostos e crenças a serem modificados.

A modificação de crenças que a pessoa tem sobre si própria é o principal objetivo da terapia cognitiva. Essas mudanças podem ser específicas ou gerais dependendo da demanda de cada caso. 

Além disso, na terapia o paciente aprende a ser menos autocrítico, compreendendo o porquê daquele sentimento, aprende a não julgar suas diferenças e inadequações, e a substituir a autocrítica por uma resposta mais amável, capacitando-nos assim a mudar o que deve ser mudado.

O psicólogo é alguém que, sem críticas ou julgamentos, o acompanha nessa jornada de autodescoberta.

 

Referências Bibliográficas 

Rangé, Bernard.Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria.  Porto Alegre : Artmed, 2008.

Riso, Walter. Apaixone-se por si mesmo: o valor imprescindível da autoestima. São Paulo: Planeta, 2012.

Wright, Jesse H. , Monica R. Basco, Michael E. Thase. Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental um guia ilustrado–Dados eletrônicos. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Eliana Santana
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