Ansiedade

Redes sociais e ansiedade

Atualmente, o uso da internet e das redes sociais está cada vez maior, e no período da pandemia houve um aumento exponencial.

Trabalhos migraram para o home office, aqueles que não eram adeptos dessas tecnologias sentiram a necessidade de passar a usá-las, para entrar em contato com a família ou parentes distantes. E deste modo ficamos cada vez mais conectados.

Isso não é totalmente ruim, a internet veio para possibilitar inúmeras coisas, encurtar distâncias, manter contato com pessoas queridas mesmo a milhares de quilômetros, facilitar processos burocráticos, promover ensino sobre diversos conteúdos, favorecer leituras enriquecedoras como, por exemplo, as que temos neste blog.

No entanto, também existe uma parte negativa nisso, a internet é programada para mostrar aquilo que você quer, aquilo que você gosta, e isso te prende e te faz “perder tempo”, dependendo de qual é o seu consumo.

As redes sociais

Aqui é o lugar onde vemos aquilo que o outro quer mostrar, não necessariamente o que é real. As fotos são dos melhores ângulos, da melhor luz, os textos são sempre otimistas, motivadores. Isso não é ruim, mas sua interpretação a partir do conteúdo do outro, pode ser prejudicial. 

Basear-se, inspirar-se em pessoas é legal e necessário, porém, quando são pessoas “virtuais” é preciso mais cautela. Você não sabe em quem realmente está se inspirando, você conhece aquele personagem criado, que nem sempre é real.

Quem levanta às 8h, vai para academia, toma suco detox, faz procedimentos estéticos, almoça salada em restaurante caro, mostra produtos maravilhosos para você, faz aplicações financeiras, aulas de inglês, yoga, tem 3 cachorrinhos, uma família linda para jantar juntos, entre outras coisas. Tudo isso num dia só 

E aí, como fica você que tem uma rotina totalmente diferente? 

Quanto tempo você perde acompanhando tudo isso? Quanto dinheiro você gasta comprando produtos e serviços que você vê nas redes, mas às vezes nem tem necessidade de ter? Você se inspira ou se compara com as pessoas que segue? Está usando as redes de forma saudável ou não? 

Vivemos num mundo muito rápido, onde todos querem tudo para aquela hora. Isso nos acelera e nos deixa ansiosos.

E na internet recebemos muitos estímulos em todo momento, toda hora notificação de mensagens, de vídeos, de jogos, celular tocando… Isso nos tira do tédio e do momento de ócio, mas muitas vezes nos sobrecarrega, além de poder nos levar à ou procrastinação de outras atividades mais importantes por conta do mundo virtual. 

Quando uma pessoa já tem tendência a crises de ansiedade, o fato da(o) blogueira(o) não ter postado nada até metade do dia já traz uma angústia, uma pessoa não responder a mensagem que foi enviada já é um gatilho para uma nova crise.

Aquelas notícias terríveis que você vê e que se lembra toda vez que vai sair na rua causam medo e pânico todos os dias. A postagem de uma nova foto que não tem curtidas ou interações, traz sofrimento, aumenta a insegurança e crescem enormes questionamentos sobre sua aparência, sobre quem se é. 

São várias questões.

O uso excessivo de celular e internet

Existe um transtorno chamado “nomofobia”, que basicamente é caracterizado pelo medo excessivo de ficar sem celular/internet, qualquer tecnologia, ou ainda de se tornar incomunicável.
Se você se sente ansioso, angustiado ou nervoso com a ideia de que vai ficar desconectado é hora de ligar o sinal de alerta.

E se você costuma checar o celular a cada minuto, tem a impressão de escutar ele tocando ou vibrando, se os seus relacionamentos estão ficando desgastados e prejudicados por conta desse uso, é hora de passar a olhar para esse isso com mais cuidado.

Como enfrentar esse problema?

O primeiro passo é conhecer-se, ver quais os conteúdos consomem mais o seu tempo, como você fica em momentos onde não pode acessar a internet, como ela tem te atrapalhado na vida e rotina, entre outras coisas.

Se você concluir que está passando muito tempo nas redes sociais, sua vida tem se prejudicado em alguns aspectos por conta do uso exagerado delas ou da internet, se você tem sentido crises de ansiedade fortes só em imaginar de ficar desconectado, considere a hipótese do acompanhamento psicológico e psiquiátrico, serão de grande valia e te ajudarão a ter uma qualidade de vida muito melhor.

Algumas dicas práticas:

Começe:

  • Restringindo notificações no celular, deixe somente as que sejam de extrema importância, delete aplicativos que você não utiliza, monitore o tempo de uso ao celular. 
  • Nas redes sociais, tente seguir ou ver conteúdos somente daquilo que agregue em sua vida, deixe de lado o que for desnecessário.
  • Se você utiliza o telefone enquanto ele estiver carregando, mude esse hábito, utilize esse momento para fazer outras coisas, desligue a internet ou todas as notificações, para não cair na tentação de “dar uma olhadinha”.
  • E um detox digital, já cogitou? Um dia, ou alguns dias sem utilizar as redes, que tal esse desafio? Experimente por um tempo, faça coisas agradáveis nesse momento, aproveite quem estiver por perto, aproveite a vida real. Depois pode até voltar, mas lembre-se de ter mais cautela, de não deixar ser controlado pelo seu telefone.  Muitas vezes necessitamos ficar desligados de tudo isso, para nos conectarmos a nós mesmos.

Vale ressaltar que tudo tem lado positivo e negativo, é necessário sempre que possível buscar um equilíbrio, as redes sociais também nos apresentam milhares de coisas boas e que nos ajudam a progredir.

A internet também está aqui para ajudar, maior exemplo é a psicoterapia online, feita através da internet e que tem grandes benefícios. E estamos aqui para provar isso. Se você nunca experimentou essa modalidade, por que não tentar? 

Vem! Aguardo por você!

Use a internet com moderação. 

Psicóloga Luísa Dias 

CRP 01/22611

 

Referências Bibliográficas:

Maziero MB, Oliveira LA. Nomofobia: uma revisão bibliográfica. Unoesc & Ciência – ACBS. 2016 jul/dez; 8(1):73-80

MOROMIZATO, M.S. et al. O Uso de Internet e Redes Sociais e a Relação com Indícios de Ansiedade e Depressão em Estudantes de Medicina. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 41, n. 4, pp 497-504, 2017.

Luisa Cristina Dias Neves
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