Desenvolvimento pessoal

Sobre o que é importante refletir neste fim de ano?

Acredito ser de suma importância neste fim de ano nos aprofundarmos em alguns temas que possam nos ajudar a refletir e nos darmos conta de quem somos e de como estamos diante de nossas vivências. Fritz Perls, um dos fundadores da Gestalt-terapia, salientava que viver de forma harmônica consiste em prestar atenção às nossas necessidades e na medida do possível tentar satisfazê-las. Isso implica tomar consciência de forma mais profunda de como estamos nos sentindo, de como está nosso modo de vida e também do significado de nossas experiências.

Assim sendo, quero escrever sobre alguns temas para que possa ajudar na reflexão e no aprofundamento em si que se faz tão necessário atualmente, especialmente também após um período inusitado de uma pandemia como a que vivemos e que de certa forma ainda estamos assimilando e elaborando em nossa existência.

Autocuidado

O autocuidado implica olhar para si, cuidar de si mesmo, visando o bem-estar. Ao longo da vida o indivíduo vai adquirindo autosuporte em suas experiências, sendo que nem sempre vive sua vida da forma mais equilibrada e saudável que lhe é possível. Vale lembrar que para Perls (1977a, p. 49) “amadurecer é transcender ao apoio ambiental para o auto-apoio”. Para ele, aprender a cuidar de si é parte do processo de amadurecimento e quando isso não ocorre há uma falha no processo de desenvolvimento, há uma desordem chamada de neurose.

Quando o indivíduo passa a se conhecer com mais profundidade, vai amadurecendo nas suas experiências, adquirindo mais autonomia e precisando menos do apoio do meio para o atendimento de suas necessidades. Pode-se dizer que a pessoa passa a ter mais autonomia e autosuporte. Neste momento de reflexão de fim de ano, acredito que vale a pena tentar perceber como o AUTOCUIDADO foi vivido em sua vida. Algumas perguntas são importantes agora: COMO VOCÊ SE VÊ? QUAIS SÃO SUAS NECESSIDADES AGORA? COMO TEM CUIDADO DE SI E DE SUAS NECESSIDADES?

Abaixo quero elencar algumas dicas importantes quando se pensa na prática do autocuidado. São elas:

  • Fazer meditação;
  • Praticar alguma atividade física, podendo ser a que mais lhe agrada;
  • Manter contato com a natureza;
  • Cuidar da alimentação e também da saúde física;
  • Focar no momento presente através, por exemplo, do exercício de respiração, por pelo menos 5 minutos por dia;
  • Fazer passeios que lhe agradam;
  • Conversar sobre suas emoções e tentar compreender como elas influenciam sua vida;
  • Buscar sua rede de apoio, que são pessoas que possam te ajudar de alguma forma em suas dificuldades, até mesmo com uma boa conversa para desabafar;
  • Buscar ajuda de um profissional da saúde mental para lidar com suas dificuldades emocionais ou com um processo de adoecimento psíquico;
  • Dentre outros.

Fazer uma reflexão de como você tem cuidado de si é de suma importância para viver uma vida mais fluida e equilibrada. Cabe também avaliar suas reais necessidades e como você pode atendê-las no momento presente.

Elaboração de experiências

A gestalt-terapia é uma abordagem psicológica que vê o ser humano como um ser de relação, que sendo inserido no campo organismo-meio, age criativamente nesse meio. Para esta abordagem, quando a pessoa age nesse meio assimilando algo “novo” do “velho”, superando o que não é mais funcional, sem deixar de dar importância ao que foi vivido, ela está em um bom ajustamento, chamado de AJUSTAMENTO CRIATIVO. Perls (apud JACOBS,1997, p.97) define o ajustamento criativo como um “relacionamento entre pessoa e meio no qual a pessoa com responsabilidade contata, reconhece e lida com seu espaço de vida e se responsabiliza por criar condições que a conduzam ao seu próprio bem-estar”. 

Mesmo não me estendendo muito no tema do ajustamento criativo, quero salientar a importância de perceber como estamos vivendo nossas experiências, mesmo com limitações ambientais, quais as reflexões que fazemos de nossas experiências? COMO TENTAMOS NOS ADAPTAR? QUAIS EMOÇÕES VIVENCIAMOS EM CERTAS SITUAÇÕES E O QUE FAZEMOS COM ELAS? NOS DAMOS CONTA DESSAS EMOÇÕES OU ELAS PASSAM DESPERCEBIDAS POR NÓS? COMO BUSCAMOS INTEGRAR O QUE VIVEMOS? QUAL O SENTIDO QUE DAMOS?

É de suma importância identificar nosso funcionamento e também aceitar que a maneira que reagimos ou que lidamos com as situações é a melhor forma possível no momento. Porém, isto não implica que não possamos nos aprofundar através de um processo de autoconhecimento e buscar novas formas mais saudáveis para lidar com o que sentimos e vivemos. Vale refletir sobre nossas relações e experiências e contactar com nosso íntimo, buscando perceber emoções, sensações, potencialidades e dificuldades para que possamos buscar novos rumos em nossa existência.

A importância das emoções nas decisões

É muito importante olhar para as emoções nos momentos de tomada de decisão, pois muito mais que usar apenas a razão e o raciocínio para escolher, a pessoa precisa entrar em contato com o que sente. Ela precisa tentar perceber o que lhe faz bem e o que cada situação pode lhe proporcionar em termos emocionais também. Na medida em que somos um todo integrado, que se configura e reconfigura a todo instante, nada é permanente em nós. Assim, precisamos sentir, pensar e também nos mobilizarmos e entender como nos mobilizamos para uma realização.

Um exemplo que pode ser dado é quando uma pessoa está prestes a escolher um emprego e avalia os prós e os contras apenas levando em consideração a questão salarial. Cabe salientar, que é de suma importância sentir e identificar os benefícios emocionais que o novo emprego pode lhe proporcionar ou não. Sentir quais as suas potencialidades e também quais outras necessidades serão satisfeitas no novo trabalho, dentre elas a necessidade social, de estima, dentre outras.

Refletir sobre a importância do que sentimos no que nos habilitamos a fazer ou no que escolhemos na vida é essencial para uma maior equilíbrio e uma vida com mais autoconhecimento e também mais saudável.

Motivação

A motivação pode ser entendida como um motivo que leva à ação, como uma energia que aciona e direciona o comportamento. Por muitas vezes as pessoas podem não se sentir motivadas em suas vivências. São inúmeros fatores que podem estar envolvidos, dentre eles:

  • Perda de emprego,
  • Fim de relacionamentos,
  • Baixa auto-estima,
  • Timidez,
  • Dificuldades de relacionamento e também
  • Transtornos Psicológicos e episódios depressivos podem levar a uma sensação de falta de motivação.

É importante falar aqui de um termo que é ANEDONIA, que consiste na perda de satisfação e interesse de realizar diversas atividades. A Anedonia pode estar presente em pessoas ansiosas, que têm episódios depressivos, bem como em pessoas que já tentaram ou pensam em cometer o suicídio, dentre outros. De qualquer forma, acredito que a motivação precisa ser mais olhada hoje em dia pelas pessoas, tendo em vista que através dela pode-se conseguir mais bem-estar e melhorar a qualidade de vida. Porém, cada pessoa tem sua singularidade e pode acreditar estar desmotivada por diversas razões, mas de uma forma geral, cabe aqui lembrar o quanto é importante se fazer alguns questionamentos, especialmente neste fim de 2021, onde por vezes sentimos que algo novo pode desabrochar no começo do ano que virá. Alguns destes questionamentos podem ser: ONDE ESTÁ MINHA ENERGIA HOJE? O QUE BUSCO PARA MIM? QUAIS EMOÇÕES SÃO MAIS FREQUENTES EM MINHA VIDA? COMO LIDO COM ELAS? SINTO-ME MOTIVADO COM O QUE ATUALMENTE? O QUE ME FALTA? QUAIS AS MINHAS REAIS PERSPECTIVAS?

Bem, estes são apenas alguns questionamentos que podemos nos fazer para um maior aprofundamento em si. Em caso de sintomas psicológicos ou maiores dificuldades não hesite em pedir ajuda, seja da sua rede de apoio ou de um profissional de psicologia.

Cuidar da nossa energia, do nosso corpo e das nossas emoções leva-nos a começar um novo ano com um olhar diferente diante do que somos e daquilo que não sabemos que ainda está por vir.

Referências

  1. PERLS, F. S.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P.Gestalt-terapia.São Paulo: Summus, 1997.
  2. GINGER, Serge; GINGER, Anne. Gestalt: uma terapia do contato. São Paulo: Summus, 1995.
Rayssa Mazza de Castro Alencar
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