Desenvolvimento pessoal

Relacionamentos afetivos: como estou me afetando em meu relacionamento? 

Ao falarmos sobre afetos, precisamos compreendê-los como uma série de sentimentos que podemos sentir mediante relações familiares, amorosas ou em grupos de amigos/as. Podem ser sentimentos de raiva, alegria, angústia, tristeza, dentre outras expressões.

Em geral, todos os relacionamentos possibilitam em algum momento esses sentimentos, pois ao convivermos com outras pessoas passamos por divergências, encontros e desencontros de diálogos

Nas relações afetivas de casais, precisamos discutir a presença de cada uma dessas formas de sentir. Ao construir um relacionamento, as pessoas buscam uma relação de companheirismo, de carinho, atenção e cuidado, que em consequência, geram afetos alegres.

A alegria de estar em uma relação saudável faz com que o desenvolvimento individual em todos os setores da vida (trabalho, universidade, família, etc.) aconteça de forma criativa e inventiva (MARQUES, 2020).

Os afetos tristes nas relações acontecem por diversas questões, vão desde desentendimentos entre o casal, até situações de ciúme. Poderíamos então dizer que é algo comum sentir afetos tristes em relacionamentos? Até certo ponto sim. Esses afetos podem acontecer em dado momento, porém não com continuidade, causando sentimentos de mal-estar, desamparo ou depreciando a autoestima da(o) companheira(o).  

Afetos alegres

Os afetos alegres nas relacionamentos devem ser os mais comuns, considerando que são estes que viabilizam a manutenção de uma relação estável e saudável. Uma relação segura possibilita que em conjunto o casal possa trilhar um percurso de companheirismo no qual possam crescer juntos.

As relações de trabalho se tornam mais fluidas, as relações familiares mais seguras, o estar entre amigos proporciona segurança e diversão, e tudo isso está interligado, pois o sentir-se acolhida(o) em relação amorosa faz com que você encare sua vida de maneira mais espontânea. 

Afetos tristes 

Para discutirmos os afetos tristes, gostaria de trazê-los através de três pontos: desentendimentos, ciúmes e relacionamentos abusivos.  

  1. Desentendimentos: a convivência entre duas pessoas com opiniões singulares irá gerar inevitavelmente desentendimentos. Isso seria algo comum dentro de relações entre casais. As divergências podem acontecer acerca do filme que querem assistir, qual show querem ir, qual modelo de decoração escolher para a casa. Porém, são discussões pontuais que por vezes são resolvidas de forma rápida. Isso não quer dizer que não gerem estresse ou desgaste; podem gerar, pois a forma com que sentimentos cada coisa é individual de cada pessoa, e por isso é importante sempre manter a calma, buscar compreender o(a) companheiro(a) e assim mensurar o que cada um pode ou não abrir mão para que o desentendimento seja resolvido.
  2. Ciúmes: As chamadas “crises de ciúmes” podem acontecer por diversas circunstâncias. Vão desde problemas de autoestima até sentimentos de insegurança presentes no relacionamento. Com isso, é necessário estar atento aos motivos que levam ao ciúme. Podemos ir por duas vias: 1) ligado a si – Você que sente ciúmes do seu(sua) parceiro(a) frequentemente, é preciso que identifique os motivos desses comportamentos levantando questionamentos como: “sinto ciúmes com grande frequência?”, “Quais motivos meu/minha companheiro(a) me dá para que eu me sinta assim?”, “É um comportamento comum em todas as minhas relações?”, “Meus ciúme está ligado a ações do(a) meu/minha namorado(a) ou a inseguranças minhas?” Esses questionamentos servem de pontapé para gerar reflexões que possibilitem sua mudança de comportamento, criando estratégias de se relacionar que sejam mais saudáveis a você e a seu/sua companheiro(a). 2) ligada ao outro – Nessa via você deve buscar compreender o que seu/sua parceiro(a) tem feito para que te cause ciúme, alguns questionamentos que podem ser levantados são: “ele(a) já me traiu?, “Meu/minha companheiro(a) não respeita meus pedidos?”, “Estou me sentindo acolhido(a) em meu relacionamento?”, “Meu/minha companheiro(a) tem me colocado para baixo gerando inseguranças em mim?” Assim é possível você começar a elaborar quais o afetos que sua relação está te proporcionando, percebendo eles, você pode conversar com seu/sua companheiro(a), traçando resoluções para aliar interesses da relação e resolver essas problemáticas. As formas de se resolver podem ir desde mudanças de comportamentos até a busca de profissionais para auxiliá-lo nesse processo.
  3. Relacionamentos abusivos: No tocante aos relacionamentos abusivos, os questionamentos que você deve fazer caminha por outra ordem. Vale ressaltar que os abusos podem acontecer de diversas formas: físicos, verbais, psicológicos ou sexuais. Para iniciarmos, irei trazer algumas pontuações: 
  1. Relacionamento abusivo não produz afeto saudável; 
  2. Relacionamentos dificilmente começam sendo abusivos, esses abusos se constroem aos poucos; 
  3. Sair de um relacionamento abusivo nunca será fácil;
  4. Você não merece vivenciar qualquer afeto abusivo. 

Nesse sentido, é necessário que você inicie identificando quais os motivos que te levam a permanecer nesse relacionamento. Sem dúvidas, o primeiro deles é o abuso. A maneira com que este se constrói te prende, te suga e te sufoca, e mesmo com esses sentimentos, a dificuldade de se desligar é imensa. 

Cada pessoa em seu universo singular terá motivos específicos para buscar sustentar a relação, motivos que por vezes são difíceis de identificar. Porém, podemos partir de alguns questionamentos, como: “Já vivenciei outras relações abusivas?”, “Como me vejo nessa relação?”, “Como vejo meu/minha parceiro/a?”, “Eu mereço vivenciar uma relação destrutiva?”, “Consigo me libertar sozinha/o dessa relação?”.

Trace essas reflexões, mesmo que não chegue a conclusões, mas elas serão um dos primeiros passos para que você se reconheça e reconheça o que te faz permanecer nesse ciclo (SCORSOLINI-COMIN & SANTOS, 2010).

Relações abusivas acabam interferindo em todas as áreas de sua vida, como no trabalho, no ciclo de amizades, com seus familiares, na universidade ou escola. Sair delas ou reconstruí-las é a possibilidade de encarar a vida de forma mais saudável, com afetos alegres, com cuidados recíprocos. 

Por fim, é preciso que sempre haja a compreensão de que esses afetos tristes não podem ser frequentes e você sempre deve estar atenta(o) ao que tem gerado eles dentro do seu relacionamento, tanto para buscar ações para resolver, como formas de enfrentamento. Afetos tristes frequentes não são normais.

Como a psicoterapia te auxilia no processo de afetos tristes? 

Inicialmente, o espaço psicoterápico é um espaço de acolhimento, escuta, onde não há qualquer tipo de julgamento. Seus afetos são acolhidos de forma ampla. Nesse espaço, você terá um lugar de fala, em que pode se expressar e trilhar novos percursos de como você sente seus afetos e como os expressa.

Os sentimentos gerados por desentendimentos, ciúmes ou relacionamentos abusivos são diversos e nem sempre você precisa conseguir lidar com eles sozinha(o). A busca pela psicoterapia deve ser vista como um passo para o amadurecimento de si.

Um espaço em que você pode reinventar a maneira como vê a si mesma(o), produzindo mais empoderamento, aumentando sua autoestima e possibilitando que você se coloque em suas relações de maneira ativa, sem estar a mercê das ações do outro.

Ah! Deixa nos comentários indicações de textos que sejam do seu interesse, quem sabe não podemos discuti-los por aqui!

 

Instagram: @mardeafetos

Referências Bibliográficas:

MARQUES, Sílvia. As três afinidades essenciais para um relacionamento afetivo. Site Obvius. Disponível em: <http://obviousmag.org/cinema_pensante/2015/04/-as-tres-afinidades-essenciais-para-um-relacionamento-afetivo.html> Acesso em: 30 de Junho de 2020. 

SCORSOLINI-COMIN, Fabio; SANTOS, Manoel Antonio dos. Relacionamentos afetivos na literatura científica: uma revisão integrativa sobre a noção de conjugalidade. Psicol. América Latina, nº.19, México, 2010. 

Liliane Silva
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