Desenvolvimento pessoal

Responsabilidade e responsabilização social: por que devemos assumir mais as nossas ações e falas?

A atualidade e a fluidez das relações interpessoais

A atualidade, conforme pontua Lima e Freire (2017), é muito caracterizada pela fluidez das relações interpessoais, de modo geral. Assim, há a tendência de considerar o outro como um meio para obter nossos desejos pessoais.

Nascimento et al. (2019) também destacam a fragilidade das várias formas de relações na atualidade, como as amorosas, profissionais, familiares e de amizades. Também, com o advento da tecnologia, houve mudanças nas formas de se relacionar (amorosamente): antes, a paquera e a conquista começava num bar, no trabalho, num parque etc., atualmente, está muito num like (“gosta”) ou deslike (“desgosta”) em aplicativos de relacionamento.

Smeha e Oliveira (2013) concluíram, numa pesquisa sobre os relacionamentos amorosos, pela ótica de jovens, que a individualidade, a igualdade de gêneros, descartabilidade, busca do romantismo, liberdade e superficialidade são elementos característicos dos relacionamentos atuais.

As pessoas entrevistadas também afirmaram procurar numa relação respeito, beleza, confiança e alguém com bom futuro profissional. Em paralelo, ressalta-se o medo da responsabilidade e a necessidade de investir constantemente no relacionamento.

As autoras pontuam também como as uniões amorosas atuais se amparam somente no amor e, neste sentido, é suficiente que o amor se apague para acabar a relação, abrindo assim espaço para que outra relação surja. (SMEHA; OLIVEIRA, 2013).

Nesse sentido, visando a sobrevivência das nossas relações interpessoais, devemos pensar mais nas nossas ações e ter mais responsabilidade na vida e com as pessoas. Assim, podemos definir responsabilidade como o ato ou efeito de responsabilizar-se por algo ou um evento, cometido por si mesmo ou por outrem; qualidade ou situação de quem é responsável.

A responsabilidade é aplicada em todos os âmbitos da vida: econômico, afetivo, sociopolítico etc. Ter responsabilidade é seguir as leis e cumprir suas obrigações sociais, ou seja, seus deveres, no trabalho (em suas tarefas e funções), com a sua família, despesas, com as pessoas etc.

Responsabilização social

A responsabilização social está relacionada aos aspectos sociais e políticos. Relaciona-se ao modo que cada sujeito se envolve na sua comunidade, nas decisões coletivas, no exercício da sua cidadania de forma geral.

Com mais responsabilização social, uma sociedade com equilíbrio social pode ser alcançada. Refere-se às coletividades e/ou a grupos sociais. A responsabilidade individual, nesse sentido, vem antes e deve ser um exercício de cada um.

O aspecto político está associado, na medida que governantes podem trabalhar para fortalecer as comunidades e as fontes de empregos, para a distribuição de rendas, investir nos setores da saúde, educação, cultura, lazer, segurança, empreendedorismo etc.

É com consciência das nossas responsabilidades individuais que impulsionamos mais a responsabilização social ao nosso redor. Nossas ações e comportamentos influem na sociedade, que se modifica, e essas mudanças refletem em nossas vidas, pois este é o ciclo social.

Sobre a crise política atual, Nascimento et al. (2019) afirmam que a justificativa se encontra na falta do exercício ético dos políticos que ao não agirem muitas vezes a favor da vida e da coletividade, aumentam ainda mais essas crises que são comuns na sociedade. Dessa forma, a sociedade deve insistir no diálogo e na educação, bem como na ética, para a recriação do modelo político. Pois, a felicidade plena é intrínseca à justiça e somente será alcançada com o equilíbrio social, a realidade atual oposta ao que o povo brasileiro vive. (NASCIMENTO et al., 2019).

Responsabilidade afetiva

Responsabilidade afetiva é ser verdadeiro com seus sentimentos e consigo mesmo(a) sobre o que você quer para si e com uma outra pessoa, em suas relações interpessoais. É ser responsável com a forma que expressamos nossas ações ou falas para o outro. É não se sujeitar ou se diminuir para caber em algo. É sobre respeitar os seus momentos, entendendo quando é ou não bom para estar em um relacionamento amoroso, por exemplo. É estabelecer junto à pessoa o que entendem por relacionamento e sobre respeitar as decisões dela, em relações amorosas.

O amor, segundo Lima e Freire (2017), é um lugar de morada, onde cada sujeito se abriga e se constitui junto ao outro. Essa troca não se baseia no pertencimento ou na apropriação. O outro não deve ser igual, nem se fundirá a quaisquer sujeitos.

Dessa forma, não é depósito de desejos de amantes que impõem a responsabilidade em completá-los. O amor se relaciona com o consentimento em desvendar o outro, intimando e convocando à responsabilidade por outrem nesta relação, compartilhando projetos e a vida. (LIMA; FREIRE, 2017; MOSCHETA; SANTOS, 2006).

Em relacionamentos amorosos, a escolha pela relação não monogâmica é uma escolha ética, segundo Nascimento et al. (2019), e não deve ser uma justificativa para comportamentos desonestos ou abusivos.

Os relacionamentos não monogâmicos são quaisquer relacionamentos que vão além do paradigma da monogamia, variando entre relacionamentos abertos, a relação livre, o poliamor, o swing etc. A não monogamia envolve a concordância e ciência de todas as pessoas envolvidas. “O padrão social ocidental é pela monogamia, sendo assim, na falta de qualquer acordo explícito, se presumiria pelo comum, o padrão.” (NASCIMENTO et al., 2019, s/n).

Como posso começar a mudar minhas relações sociais?

Ter responsabilidade na vida é um exercício. Não é uma qualidade inata e, portanto, pode ser ensinada. Então, organize-se, anote suas tarefas e afazeres do dia e aja; priorize os deveres e obrigações no seu cotidiano, assim, você conseguirá mais tempo para seu próprio lazer e ócio; assuma seus erros e recomece; reconheça os seus acertos e aprimore-os; seja verdadeiro sobre seus sentimentos e respeite os sentimentos e decisões de outrem; escolha bem seus representantes pois as decisões desses afetam sua vida e o coletivo.

O exercício ético é fundamental para todas as relações pessoais, profissionais e amorosas. A bondade, generosidade e virtude facilita as relações com as pessoas na sua coletividade e a sensação de felicidade. Os tempos atuais é marcado pelas rupturas e fragilidades nos relacionamentos, inclusive os amorosos, assim, os sujeitos procuram relacionar-se, seja pelo amor, carinho ou sexo casual. O mito do amor romântico se tornou uma queixa para a psicologia. (NASCIMENTO et al., 2019).

Tem dificuldades em se organizar? Não consegue assumir os seus erros? Sente culpa por tudo? Está com problemas no seu relacionamento? Tem dificuldades ou problemas para aceitar ou entender suas emoções?  Não se sente uma pessoa muito responsável? Eu posso te ajudar! Marque um horário para o atendimento psicológico. O primeiro passo para o seu tratamento depende exclusivamente de ti. Você merece um cuidado adequado e integral!

Sobre o autor:

Luís Felipe Dutra Avelar é um psicólogo, colaborador da Psicologia Viva. Formado em Psicologia (Bacharel), pela Multivix-Vitória, desde dez/2017. Especializado em Psicologia Clínica, com o público-alvo de adolescentes, jovens, adultos e idosos. Trabalha a partir da Psicologia Institucional e a Esquizoanálise. Contato em: https://perfil.psicologiaviva.com.br/lfdavelar

Referências bibliográficas:

LIMA, M. J. V., FREIRE, J. C. O lugar do outro nas relações amorosas contemporâneas: uma leitura levinasiana. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, Londrina, v. 8, n. 2, p. 85-99, dez., 2017.

MOSCHETA, M. S., SANTOS, M. A. Metáforas da vida a dois: sentidos do relacionamento conjugal produzidos por um casal homoafetivo. Revista Brasileira de Sexualidade Humana, v. 17, n. 2, p. 2017-231, 2006.

NASCIMENTO, A. B. M., PONTES, L. B., BARBOSA, N. M. P., NETO, A. A. A ética nos relacionamentos interpessoais. JusBrasil (Revista eletrônica), 2019. Disponível em: https://amandameirelles.jusbrasil.com.br/artigos/734314581/a-etica-nos-relacionamentos-interpessoais. Acesso em: 24 abr. 2021.

SMEHA, L. N., OLIVEIRA, M. V. Os relacionamentos amorosos na contemporaneidade sob a óptica dos adultos jovens. Revista Psicologia: Teoria e Prática, 15(2), 33-45. São Paulo, SP, maio-ago. 2013.

LUIS FELIPE DUTRA AVELAR
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