Desenvolvimento pessoal

A ressignificação diante da perda

“A morte e a vida não são contrárias, são irmãs. A reverência pela vida exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir.” Rubens Alves

A morte é a única certeza que temos da vida, sendo um fato inevitável e inerente ao ciclo dos seres vivos, bem como nascer e crescer. Entretanto, na sociedade ocidental, a morte é pouco discutida, sendo excluída do âmbito social, uma vez que traz incômodos, principalmente porque ela nos coloca em contato com a nossa finitude gerando angústia e ansiedade

O luto

Em uma revisão na literatura sobre o luto, percebe-se que não há uma definição universal sobre o luto, entendemos que isso acontece por ser um processo complexo e individual de cada sujeito. Embora não haja um consenso sobre uma definição única, diversos termos como período de recolhimento, resposta esperada e natural, rompimento de vínculo são frequentemente citados.

A maioria de nós quando pensa em luto relaciona à perda de um ente querido, entretanto, o luto reflete no rompimento de um ciclo, ou seja , luto pela perda de uma pessoa, perda de um emprego, fim de um relacionamento, etc.

Nessa linha de pensamento, consideramos o conceito:

“O luto é o processo inevitável de elaboração de uma perda e que todas as pessoas que perdem um ente querido tendem a passar por isso. Sendo um processo natural que ocorre em reação a um rompimento de vínculo.” John Bowbly (1990 apud BASSO; WAINER, 2011).

Dessa forma, o luto é uma adaptação à perda, ou seja, é a reorganização de nossa vida diante dessa perda. É um processo que requer cuidado por ser uma das vivências mais dolorosas vividas pelo ser humano. Este processo é perpassado pelo tipo de morte, nível de afinidade e os recursos internos disponíveis que possibilitam a elaboração de um luto normal ou patológico.

Entendemos, aqui que o luto normal se caracteriza por uma resposta saudável à perda de um ente querido como a capacidade de enfrentar o luto e expressar a dor. Quando os recursos de enfretamento são escassos, pode levar ao processo de luto patológico.

Algumas reações comuns em um processo de luto

  • Sentimentos: tristeza, ansiedade, solidão, raiva, culpa, cansaço, saudade.
  • Pensamentos: pensamentos confusos, ter a sensação que a morte não aconteceu, preocupações e memórias que invadem a mente.
  • Sensações físicas: aperto no peito e na garganta, falta de energia, boca seca.
  • Comportamentos: alterações no sono e apetite, agitação, choro, sonhos, evitação de lembranças.

O luto patológico diz respeito às manifestações dos sintomas físicos e mentais que levam à negação e à repressão da dor pela perda. Essas pessoas se forçam a abandonar o luto antes mesmo de o terem completado, não manifestando suas tristezas e não se permitindo vivenciar tal experiência, e, por consequência, sentem-se mais depressivas e solitárias.

Este luto não vivenciado pode levar o sujeito ao profundo sofrimento, quando esse processo de luto se prolonga pode causar problemas de saúde, distúrbios psíquicos, depressão, ansiedade, etc.

As fase do luto

Embora o luto seja um processo muito particular, não há um padrão único de enfrentamento das perdas, podemos perceber alguns pontos em comuns na maioria das pessoas, é o que chamamos de fases do luto que é um modelo descritivo proposto por Elizabeth Kübler-Ross, referência no assunto. As fase do luto são compostas da fase de: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Negação   

É a primeira fase do luto e se manifesta como uma defesa psíquica, onde a pessoa se nega a acreditar no que ocorreu e de alguma forma tenta não entrar em contato com a realidade, evitando falar sobre o assunto. É uma fase de dor intensa e dificuldade para lidar com a perspectiva da ausência.

Raiva

A segunda fase se caracteriza pelo sentimento de revolta com o mundo e com todos, onde o indivíduo se sente injustiçado e não se conforma com o que está se passando. Ocorre a conexão com a realidade e a percepção que não é possível reverter a situação.

Negociação ou Barganha

Na terceira fase, a pessoa negocia consigo mesma. É uma tentativa de aliviar a dor e ponderar possíveis soluções para sair daquela circunstância. Normalmente, relaciona-se a uma conjuntura religiosa e promessas a um Deus.

Depressão

Nesta quarta fase ocorre a reclusão da pessoa para o seu mundo interno, onde ela passa a isolar-se e a considerar-se impotente frente ao ocorrido. Geralmente, é a fase mais duradoura do processo do luto, caracterizada por um sofrimento intenso.

Aceitação

Quinta e última fase do luto, o indivíduo não se sente mais desesperado e já consegue enxergar a realidade como ela é. Ocorre, assim, a assimilação e a aceitação por completo da perda ou morte de forma consciente.

Sem dúvida, o processo de luto é dinâmico e provedor de sofrimento e que causa alterações em todos os âmbitos da vida do sujeito, especialmente no contexto social em que o enlutado está inserido. Entretanto, a intensidade das reações ou o prolongamento do luto vai ser influenciado pelo tipo de vínculo que o sujeito possuía com o ente querido.

Ademais, a elaboração de outras perdas anteriores e as crenças relativas à morte também podem ser fatores que interferem no luto.

O luto é superado aos poucos. A vida vai voltando ao normal, a alegria e o prazer nas pequenas coisas do dia a dia. Mas se esse luto permanece por mais tempo que o esperado é necessário a busca por ajuda, buscar um profissional qualificado, psicólogo ou psiquiatra para uma avaliação, uma vez que estes possuem ferramentas que podem te auxiliar no enfrentamento dessa dor.

Se você está passando por um processo de luto, busque ajuda! Independente de sua perda, nós psicólogos estamos aqui para acolher você nesse momento de profunda tristeza, oferecendo a você escuta ativa e disponibilidade emocional para poder auxiliá-lo a ressignificar essa perda .

Referências:

  1. BASSO, Lissia Ana; WAINER, Ricardo. Luto e perdas repentinas: contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental. Rev. bras.ter. cogn.,  Rio de Janeiro ,  v. 7, n. 1, p. 35-43, jun.  2011 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872011000100007&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  07  abr.  2021.
  2. As cinco fases do luto ou a curva da mudança de Elizabeth Kübler-Ross. Blog. 2019 <https://www.paxbahia.com.br/blog/50-as-fases-do-luto.html>>. acessos em  07  abr.  2021.
Maria Helena dos Santos
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