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Saúde emocional frente ao Home Office

Muito se tem lido sobre saúde emocional. Mas, como se manter psicologicamente “estável” nas atuais circunstâncias? Diversos pensamentos cruzam a mente, como se fosse um bombardeio numa guerra!

Sim, de certa forma, estamos em guerra. Pior, não se trata de guerrear contra um inimigo físico, palpável. É um inimigo desconhecido por todos atualmente. Um inimigo invisível, porém, fatal. Que não temos ideia donde virá o ataque, e nem quando será. Realmente nos sentimos no meio de uma batalha.

Qual impacto disso?

Isso nos afeta profundamente, gera muita angústia, ansiedade, desânimo, falta de expectativa de vida, desinteresse e podemos até entrar em depressão.

Nessa linha de raciocínio, com tantas mudanças acontecendo, vamos nos ater às mudanças de tipo e ritmo de trabalho. Afinal, estávamos acostumados a levantar, ir para o trabalho – pelo menos a grande maioria das pessoas atua desse modo – fechando a porta da casa e seguindo para o trabalho. De repente, não podemos mais seguir um figurino de anos, que nosso cérebro e corpo estavam acostumados, em modo on (indo e vindo).

E aí? Como assim, temos que ficar no home office direito? É obrigatório? Como lidar com essa nova realidade?

Não posso mais tomar meu cafezinho no coffe/bar, ou em outro lugar que sempre vou, antes de entrar no trabalho? Não posso mais ir e vir? Não posso mais falar presencialmente com as pessoas.

Não, não pode! E como me adequar a essa nova realidade?

Enquanto para alguns o home office já faz parte da vida, outros sofrem para se adaptar.

Num primeiro momento, foi o impacto das novas ordens, no teatro/palco da vida, todos ligados aos jornais, nas informações, como íamos trabalhar e viver? Passado o choque, vem a nova adaptação ao novo modelo de trabalho em casa, tendo que deixar o ritual aprendido de anos.

E, assim, vamos caminhando. Agora mais em modo stand-by. Ou seja, estamos tocando.

Medo, ansiedade, depressão e família vs trabalho

As perguntas que não querem calar: medo do novo; o medo se dará certo, o medo dos prazos e tempos a serem cumpridos e, principalmente, de todo stress de acomodar a nova realidade.

Nisso, entra também a realidade da família. Sim, tem isso também (outro medo). Pois, de um lado, ficamos aparentemente de “férias em casa”, o que não é verdade. Digo aparentemente pois a realidade é outra. Em casa acabamos “relaxando um pouco”. No sentido de ficarmos mais à vontade, ou não! 

Cada pessoa é um universo à parte, e estamos tão “ligados” no nosso modo de pensar, agir, que em meio a qualquer mudança (nesse sentido, drástica) ficamos totalmente perdidos.

Para quem tem filhos, ou irmãos, ou pais, ou idosos, ou mesmo os que moram sozinhos, a vida mudou totalmente, estamos numa nova veracidade. Numa nova forma de vida, até então, desconhecida para trabalhar. Desde horários, problemas na adaptação para fazer as coisas funcionar, algo que antes tínhamos tudo na mão, tudo junto. Se algo não dava certo, era só chamar ou pedir para outro do setor, por exemplo. Mas agora depende só de mim.

Fora o barulho! A família chamando (afinal, você está aí mesmo), os problemas diários de uma casa, e por vai.

Perguntas mil vêm à sua cabeça, como por exemplo: “como darei conta de toda essa realidade?”, “como me manterei nesse emprego, e se quando voltar eu for dispensada? Pois não consegui cumprir ou me adaptar a essa nova modalidade de trabalho.”

Minha cabeça está “pirando

Estou com medo de não ter emprego após tudo isso passar, estou com medo de alguém pegar o vírus em casa, estou com medo de sair, ou ao contrário, estou muito bravo(a) de não poder sair. Estou revoltado(a) com essa situação.

Quero minha “vida” de volta. A hora não passa, o serviço parece monótono e sem graça, muito diferente do local de trabalho. Dentro de você, parece haver um “vulcão” prestes a explodir com tantas coisas acontecendo.

Dormir bem, nem pensar. E o trabalho está monocromático, um tédio. Antes da quarentena o trabalho tinha um ritmo pré-definido; lógico que às vezes também o trabalho ficava” paralisado”. Porém agora é muito diferente, pois há a obrigação de fazer e principalmente de ficar em casa, não socializar, isso acaba com qualquer pessoa. E a família em cima. 

Quais as minhas expectativas e motivações atuais?

Como posso melhorar esse quadro? Bem, primeiramente é fazer o planejamento de tudo que envolve o home office.

Desde o lugar, horários, metas, projetos etc., em que devemos sim seguir regras, talvez não estejam explícitas por estarmos em casa, porém são comuns na empresa e é necessário que se faça uma adaptação como se estivemos no local físico do trabalho.

Portanto, partindo desse princípio, o qual o cérebro/corpo já está acostumado, por ser um caminho nosso conhecido, ficará mais fácil para lidar com as todas emoções.

Como lidar com toda essa mudança?

Algumas dicas

O importante é fazer as pausas, seguindo sempre um padrão, por mais difícil que seja, pois, estando em casa, tudo tem a tendência de nos distrair.

Outro fator não menos importante é fazer uma “conferência” em vídeo com os outros colegas do trabalho, aqueles de nosso cotidiano, para tomar café, trocar ideias, para se distraírem, etc. Essa seria uma pausa agradável para “jogar conversa fora”, assim como, seguindo este mesmo padrão, um hábito saudável.

Outra estratégia importante é o método Pomodoro, intercalando períodos de foco com pausas programadas. Desta forma, visa-se o rendimento, pois ajuda o cérebro a ter mais atenção e uma maior produtividade.

Procurar fazer:

  • Exercícios,
  • Relaxamento,
  • Meditação,
  • Ou mesmo algo que “descanse” a mente.

Dentro desse contexto, a saúde emocional é expressa pela capacidade de controlar e administrar as variações do comportamento que atuam sobre nossas atividades cotidianas.

Nesse sentido, surgem sentimentos que acarretam a falta de motivação no trabalho e nos relacionamentos, ou seja, a sensação de vazio existencial, tristeza e falta de perspectiva de vida, gerando, com isso tudo, sentimentos apáticos e de procrastinação frente às atividades diárias.

É primordial, além de identificar os problemas relacionados à saúde emocional, também gerenciar suas atitudes para possíveis soluções diante dessas sensações que as pessoas, na maioria das vezes, não conseguem nomeá-las.

Dessa forma, a terapia vem de encontro para poder ajudar que tenhamos atitudes que nos auxiliem e nos norteiem para encontrar as prováveis soluções que, no momento, estão confusas.

 

Ana Paula Villares Mendes-psicologa CRP 006/157086 

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