Desenvolvimento pessoal

E se tudo fosse diferente?

Às vezes, simplesmente queremos esquecer algo, deixar de lado os momentos ruins e focar apenas nos bons momentos. Você provavelmente já teve esse pensamento, todos já tivemos. Já se perguntou se realmente seria bom? Deixar todos esses momentos ruins realmente nos faria bem?

Talvez você esteja vivendo um momento realmente difícil ou, quem sabe, viveu. E gostaria de não mais se lembrar desses momentos, se pudesse escolher provavelmente desejaria esquecer ou abandonar tais instantes. Se tivesse a oportunidade de voltar, provavelmente gostaria de fazer tudo de outra maneira. Dessa forma, provavelmente a resposta seria “sim” à minha pergunta, pois mudar realmente seria bom.

Hoje, desejo falar sobre um filme e recomendá-lo para que assista, caso ainda não tenha assistido. A obra é um pouco antiga, de 2004, contudo ainda se mostra atual para conversarmos sobre o tema proposto. Brilho eterno de uma mente sem lembranças é um drama estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet. 

A obra pode ser interpretada de diversas formas, mas focarei em algo bastante presente no longa.

A possibilidade de podermos esquecer momentos, pessoas ou situações que não nos agradam mais e, dessa forma, simplesmente deletar tais questões da memória. Para as lembranças desaparecerem as personagens se submetem a um procedimento de eliminação delas, apagando-as diretamente no cérebro.

O filme usa do artifício dramático para demonstrar que a exclusão das lembranças ruins associadas a uma pessoa, leva inevitavelmente à eliminação das experiências boas associadas a ela. Para fazer tal procedimento, é necessário renunciar às memórias boas, em troca do esquecimento total de todos momentos ruins relacionada à pessoa em questão.

Pergunto agora: valeria a pena abandonar todos os momentos bons e as experiências emocionantes em troca de se livrar dos sofrimentos realmente valeria a pena?

As boas lembranças são importantes, mas o fato delas existirem não eliminam a existência de momentos ruins que continuam a nos afetar. Porém, posso me expressar da seguinte maneira: sou como sou por conta da vida que vivi. Nossa existência é um reflexo dos acontecimentos experimentados.

Só podemos ser realmente quem somos porque passamos por tudo que vivemos. Qualquer acontecimento alterado em nossa vivência poderia ter gerado resultados totalmente opostos em nossa trajetória. Poderíamos ser completamente diferentes em razão de pequenas experiências vividas de outras formas, podemos ver tal noção mais bem trabalhada no filme Efeito borboleta, todavia não falaremos desse filme por agora. Avise-nos se tiver interesse que falemos desse longa tão querido por nós. 

Quando pensamos e fantasiamos com as possibilidades de se fazer de outra maneira aquilo feito no passado, esquecemos de um detalhe: só podemos pensar em possibilidades modificadas quando já passamos pela experiência. Existe uma angústia nesse pensamento, pois nunca saberemos como seria se tivéssemos feito outras escolhas, vivido de outra maneira, ter sido alguém distinto. Afinal, só podemos saber o resultado da escolha quando já foi feita.

Se escolhêssemos de forma diferenciada teríamos vivido diferente, porém não estaríamos livres da angústia de pensar que outra escolha poderia ser melhor, sempre viveríamos com a dor da escolha feita. Logo, se tivesse escolhido um caminho oposto, não sofreria o que sofreu, mas não estaria aqui pensando nisso, não seria essa pessoa e não teria vivido suas experiências boas.

Há nesse pensamento algo de belo, a pessoa que sou não pode se separar de minhas experiências. Para o filósofo Jean-Paul Sartre, essa angústia é um resultado da liberdade, pois somos responsáveis pelas escolhas feitas e, consequentemente, por suas implicações. Por esse motivo, para Sartre, a liberdade é angústia e somos obrigados a sermos livres.

Lembre-se: tudo de bom experimentado não existiria se voltássemos atrás e fizéssemos outras escolhas. Sendo assim, cabe falar das dores restantes, as dores das experiências ruins e das possibilidades de lidar com elas.

As pessoas encontram diversas formas de lidar com suas dores e experiências ruins. Uns vivem fingindo que algumas situações não ocorreram, e, assim, tentam enganar a si mesmos. Outros encontram formas de ressignificar tais questões de alguma forma. Há ainda quem tenta esquecer, mas já vimos pelo exemplo do filme as implicações dessa escolha.

Se você passa ou passou por alguma situação que não tem conseguido lidar, tente buscar ajuda. Existem várias maneiras de se trabalhar com a dor e sofrimento, cada pessoa o faz de uma forma singular. O importante está no fato de procurar ajuda para passar por essa dor. Não é necessário caminhar sozinho com sua dor, caminhar sozinho é sempre mais difícil.

O psicólogo é uma pessoa capacitada para te auxiliar a compreender melhor a situações de sua vida, assim buscarão juntos (isto é, você e ele) melhores caminhos para você trilhar na sua vida. Queremos te escutar e te ajudar, venha trilhar seu caminho conosco, estamos aqui para te auxiliar.

Guilherme Matos
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