Desenvolvimento pessoal

Como superar um medo: Dê o primeiro passo, fazendo de seus medos seus aliados!

Nesta era tão imediatista em que vivemos, o medo tem sido um dos grandes potencializadores de grande parte das crises emocionais que nossa sociedade tanto sofre.

Somos a todo momento cercados por críticas, cobranças, atualizações, inovações e consequentemente expostos há uma competitividade que vai além da nossa capacidade de ser. Isso, evidentemente nos coloca numa posição exaustiva de comparações, o que aguça exacerbadamente os nossos medos, tornando -nos propensos a absorver sensações e medos que não nos pertencem. 

Para aprendermos a superar estes medos, devemos, antes de tudo, compreendê-los, e isso só é possível a partir do momento que os aceitamos. 

Compreendendo o medo

O medo compõe as nossas emoções primárias, as quais estão ligadas diretamente ao nosso instinto humano, tornando-se, assim, uma necessidade básica, por vezes, silenciosa, mas evidentemente fundamental para nossa sobrevivência. 

As nossas emoções fazem parte de todos os instantes de nossa vida, sendo manifestas desde a infância, adolescência, durante a fase adulta até a nossa velhice. Diante da abordagem fenomenológica, temos a proposição heideggeriana, que nos apresenta o entendimento da dimensão corpórea, de modo que o corpo seja considerado em sua dimensão humana e não somente como um objeto da natureza. Desta forma, devemos compreender que nosso corpo material é uma condição necessária, mas não suficiente para o entendimento das realizações humanas, desta forma, podemos compreender que enquanto houver fôlego de vida, somos e seremos movidos por uma dualidade entre corpo e mente. 

Segundo Heidegger, o medo compõe três elementos existenciais: 

“ a) o diante de que [wofür] tememos algo, que assume o caráter da ameaça. Tememos algo que nos ameaça, seja um ente manual ou a co-presença ou ausência dos outros; 

  1. b) o temer [fürchten] enquanto tal, que abre para nós o mundo; 
  2. c) o porquê [worum] nós tememos, que se refere ao nosso próprio estar-aí. O temor, por isso, é sempre primeiramente um fenômeno privado, embora também possamos temer por um outro, ao assumirmos o medo do outro, por exemplo, quando este não teme nada.”

À vista disso, podemos compreender estes três elementos como: o medo instintivo, sendo este manifesto pela forma mais primitiva do nosso sentir, a qual reage frente às ameaças; o medo racional, o qual é condicionado pela influência das experiências e bases racionais, ou seja, sobre nossas experiências e relações, e o medo imaginativo, sendo este o mais torturante, que se constrói por fatos injustificados e, por vezes,  incompreensíveis, podendo até mesmo ser um medo projetado indiretamente pelo outro, sobre um momento de vulnerabilidade do nosso ser.

Aprendendo a dosar o medo

Na medida que aceitamos e compreendemos a grandiosidade do nosso ser, nos atentamos a cada detalhe manifesto em nossas realizações humanas, o que proporciona uma liberdade maior para lidar com o que devemos e precisamos sentir.

Desta forma, podemos considerar que as nossas emoções, podem ser a nossa maior inimiga ou a nossa maior aliada, tudo dependerá do modo como nos dispomos a compreendê-la e senti-la. Especificamente, diante do medo, a energia estimulada por esta emoção pode nos paralisar ou pode nos aperfeiçoar, sendo importante considerar que nesta segunda possibilidade podemos usufruir de ganhos esplêndidos em nossas experiências e relações humanas.   

Por exemplo, o medo de falar em público, sendo compreendido como um inimigo, nos paralisa, certo? E diante disto passamos a evitar ambientes e relações que nos exponham a este risco de fala, o que impacta negativamente, pois diante disso, perdemos oportunidades incríveis, de aperfeiçoamento, relações e experiências.

Porém, aceitando o medo, e tendo ele como um aliado ao invés da fuga, buscamos e dedicamos a energia deste sentimento em recursos e situações que promovam a preparação para lidar com o medo de falar, como o curso de oratória, ou até mesmo, aderindo diante do espelho, o hábito da leitura em voz alta.

Outro exemplo muito comum é quando se manifesta o medo de morrer, tendo este sentimento como um inimigo, nos paralisamos a ponto de evitarmos qualquer esforço e exposição, nos colocando em desvantagem, considerando que nesta situação a pessoa deixa de ir ao médico por medo de descobrir algo, já tendo o medo como um aliado, esta mesma pessoa passará a dar uma atenção maior a todos os sinais que o seu corpo manifesta, de modo, que venha a ter maior controle e autonomia para oferecer todo o cuidado possível, garantindo, assim, maior segurança e qualidade de vida. 

Somos responsáveis por tudo que sentimos

Podemos perceber que ter o medo como aliado é essencial para nossa sobrevivência, pois desta forma o medo passa a exercer uma atividade de alerta e proteção, que move o ser humano a ter sempre um olhar zeloso para si.

E sim, sabemos que o medo é desagradável, porém, sendo aceito, filtrado e bem interpretado, o medo, pode, sim, ajudar-nos e promover segurança e maior qualidade em nossas vidas. O resultado será a consequência de escolhas: “Eu quero viver no prejuízo ou na vantagem?, O que eu quero?, O que EU MEREÇO?”

Outro ponto importante a ser salientado é que devemos considerar que o medo não deixará de existir ou se manifestar, pois é meramente impossível, que venhamos a isentar-se desta emoção, a qual não pode ser silenciada ou reprimida, por ser esta uma emoção básica e fundamental para nossa sobrevivência.

Desta forma, o primeiro passo para superar e dominar o nosso medo é ACEITAR A SUA EXISTÊNCIA, deixando de penalizar-se e culpar-se por senti-lo, para que assim, consigamos interpretar, filtrar e compreendê-lo, de modo que possamos se beneficiar com essa emoção. 

Vale ressaltar que não só o medo, mas a dualidade do nosso corpo e mente necessita sempre ser dosada, ou seja, tudo que é extremo, seja pelo excesso ou pela falta, nos causará danos, deste modo, buscar o equilíbrio sobre nossas experiências é fundamental para que possamos controlar e dominar todas as manifestações do nosso SER. 

Reconhecer os nossos limites e respeitá-los é o primeiro passo para essa grande superação. Convido você a ser um(a) desbravador(a) do autoconhecimento

Permita-se viver este processo e a ser tornar protagonista da sua história. Estou inteiramente disposta a ajudá-lo(a) e apoiar na sua luta e caminhada. 

Espero por você!

Suelen Miranda

Psicóloga Clínica

06/126895 

Referências:

  1. HEIDEGGER, M. Sein und Zeit. Tübingen: M. Niemeyer, 1986.______. Ser e Tempo. Tradução de Márcia de Sá Cavalcanti. Petrópolis: Vozes, 1989a.
  2. MIRA Y LÓPEZ, E. Quatro gigantes da alma: o medo, a ira, o amor, o dever. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1963.
Suelen Cristina Miranda
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