Terapia durante a gravidez e o perinatal

Tornar-se mãe

Não há como falar sobre a gravidez e maternidade sem antes falar das mudanças que aconteceram nas últimas décadas na concepção do ser mãe. Aconteceram avanços significativos tecnológicos e também econômicos, já que a mulher está cada vez mais inserida no mercado de trabalho e suas diversas atribuições. 

O conceito de família sofre alterações juntamente com esse movimento e, assim, o projeto de ser mãe torna-se um desejo de vida para muitas, mas árduo em diversos aspectos, dentre esses, o psicológico. Diante disso, o torna-se mãe está cada vez menos associado apenas ao cumprir um papel social e bem mais associado à transformação, crescimento materno, busca por nova identidade, que envolve aprendizagem e enfrentamento de novos desafios para o cuidado do filho. 

Pesquisas apontam que a gravidez pode ser um momento de crise emocional no processo de desenvolvimento de qualquer mulher, não apenas naquelas que possuem sofrimento psíquico anterior ao momento.

Ocorrem mudanças de diversas formas:

  • Sociais,
  • Culturais,
  • Hormonais,
  • Físicas,
  • Conjugal,
  • Profissional,
  • Pessoal,
  • Dentre outras mais e individuais de cada mulher.

Para que todas essas alterações sejam vivenciadas com um menor impacto na vida da gestante, é necessário o acompanhamento psicológico. 

O pré-natal psicológico 

O pré-natal é um acompanhamento conhecido das gestantes, mas quando se trata do pré-natal psicológico, a coisa já se torna bem menos conhecida.

O pré-natal psicológico é o atendimento gestacional, realizado dentro da psicoterapia, voltado para promover o cuidado emocional para a mãe, para o casal e também para os familiares envolvidos na rede de apoio da gestante. 

O acompanhamento pode acontecer antes de ter iniciado a gravidez, no momento que há um planejamento familiar, estender-se para durante o período gestacional, pós-parto e processo educacional durante a infância dos filhos. 

O ambiente terapêutico se mantem na missão de acolher as demandas geradas durante o período, promovendo escuta acolhedora dos envolvidos, direcionando e tirando duvidas sobre a gravidez, parto e pós-parto, prevalecendo a promoção de saúde da gestante, introduzindo a vinculação com o bebê e as mudanças que irão ocorrer na relação do casal, além de outras questões que envolve ansiedade, estresse, depressão e preocupações que possam interferir no processo da mãe consigo mesma.  

Por que é essencial fazer terapia durante a gravidez e o perinatal?

A gravidez acarreta diversas transformações, como foi esclarecido no decorrer desse texto. Sendo assim, vivenciar tudo isso vai além das estimadas 40 semanas. É recomendado um acompanhamento multidisciplinar para que o momento seja observado como um todo, e não apenas os sintomas e mudanças físicas da mãe e do bebê. 

Por esse motivo, é essencial o acompanhamento psicoterápico e de preferencia com um psicólogo perinatal para acrescentar e auxiliar nessa jornada. É por meio desses encontros que será possível a avaliação da saúde emocional da mãe, identificar as alterações e evitar que elas se intensifiquem durante a gestação e no pós-parto. 

Além de promover benefícios à mãe de cuidado, fornece orientações, desconstrução de pensamentos e crenças que causam sofrimento, até mesmo chegando em um autoconhecimento e cuidado único de cada gestação.

Portanto, é importante que se tenha o reconhecimento de si, dos limites, das dificuldades, do erro para que o papel de ser mãe não paralise diante da culpa que nasce a cada nova situação. Tudo se trata de como a maternidade é singular e do valor que ela tem para cada uma, e de acolhermos a sua jornada da forma mais leve possível.

Renata Santos Silva

CRP 19/4238

Referências

  1. ARRAIS, Alessandra da Rocha; MOURÃO, Mariana Alves; FRAGALLE, Bárbara. O pré-natal psicológico como programa de prevenção à depressão pós-parto. Saúde e Sociedadev. 23, n.1, jan./mar. São Paulo, 2014.
  2. Leite, Mirlane Gondim, Rodrigues, Dafne Paiva, Sousa, Albertina Antonielly Sydney de, Melo, Laura Pinto Torres de, & Fialho, Ana Virginia de Melo. (2014). Sentimentos advindos da maternidade: revelações de um grupo de gestantes. Psicologia em Estudo19(1), 115-124. https://doi.org/10.1590/1413-7372189590011
  3. MALDONADO, M. T. Psicologia da gravidez. Editora Ideias & Letras, 2017.
Renata Santos Silva
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