Psicologia geral

Os Transtornos alimentares e seus impactos na saúde mental 

Os Transtornos Alimentares são caracterizados por comportamentos alimentares disfuncionais, podendo levar ao emagrecimento extremo, à obesidade, ou outros problemas físicos. Sendo assim, o comportamento relacionado à alimentação que resulta no consumo ou na absorção alterada de alimentos que comprometem significativamente a saúde física e o funcionamento psicossocial das pessoas. 

Diagnósticos e causas

Para ser considerado um transtorno, o comportamento alimentar incomum precisa durar um certo período, causando prejuízo à saúde física e à capacidade de desempenhar a rotina do dia a dia, afetando negativamente as relações sociais.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Psiquiatria, 1% da população mundial – cerca de 70 milhões de pessoas – sofrem com transtornos alimentares. A etiologia dos Transtornos Alimentares está associada principalmente aos aspecto sócio-cultural, embora não se deva descartar os fatores biológicos, psicológicos e familiares e, por ser multifatorial, a influência social para manter-se magro, seguindo padrões estéticos, a baixa autoestima, entre outros, são aspectos determinantes para desencadear o transtorno alimentar. 

Quem sofre de transtorno alimentar não consegue fazer escolhas livres em relação à sua alimentação ou ao seu corpo, e acaba sendo refém dos medos e obsessões que dominam sua vida.  Todo transtorno alimentar é o reflexo da relação conturbada com o alimento, com o ato de comer e com o corpo. Muitas vezes você pensa que não sofre com um transtorno alimentar, mas sofre com o corpo e com a comida, ou sua alimentação tem sido de forma persistente fonte de angústia, medo e julgamento.

Às vezes você não sabe o que gosta, ou o que não gosta de comer e as regras alimentares têm atrapalhado a sua rotina. E, por fim, muitas vezes sua vida foi afetada pela forma que você se alimenta e encara a sua relação com a comida. 

Aspectos culturais do Transtorno Alimentar – Os padrões de beleza

Segundo pesquisas, a incidência de transtornos alimentares dobrou nas últimas duas décadas Diversos estudos de investigações foram feitos sobre a associação entre os padrões de beleza estipulados pela sociedade e sua relação com respeito ao aumento significativo de número de casos, ao final conclui-se que o ideal de magreza é entendido como um dos fatores culturais principais que contribuiriam diretamente para o aumento da maioria dos transtornos alimentares. 

É claro que o conceito de beleza sofreu – e sofre constantemente – inúmeras variações ao longo dos anos, e os hábitos e práticas alimentares são construídos com base nestas determinações socioculturais, porém atualmente percebemos que as práticas alimentares e os padrões estéticos corporais caminham juntos e trazem para a nossa sociedade um prognóstico bastante preocupante, por exemplo, o preconceito contra a gordura atinge crianças desde a pré-escola.

Deste modo o ser humano é pressionado por diversas formas a concretizar, no próprio corpo, o ideal corporal imposto pela sociedade. 

A sociedade, principalmente a população feminina, que é mais vulnerável aos ideais de beleza criados, é constantemente pressionada para essa representação por punições (como críticas, desprezo, deboche) e gratificações (dinheiro, poder e até mesmo admiração), desta forma o corpo se tornou um dos valores mais importantes no nosso atual momento histórico, e como consequência as pessoas veem o corpo como instrumento que deve ser perfeito.

Esse padrão inatingível de magreza já chegou às crenças nucleares dos indivíduos e os aprisionou dentro de si mesmos.

Em consequência disso, mais de 98% das mulheres não se veem bonitas. Essa busca obsessiva para alcançar os padrões impostos acaba desfigurando a tênue linha divisória entre o que é o cuidado saudável com o corpo e o sutil movimento de instalação de doenças e transtornos alimentares. 

Tipos de Transtornos Alimentares

De acordo com a OMS e a Associação Americana de Psiquiatria (AAP) são classificados como transtorno alimentar oito categorias diagnósticas principais:

  • Anorexia nervosa,
  • Bulimia nervosa,
  • Transtorno de compulsão alimentar,
  • Pica,
  • Transtorno de ruminação,
  • Transtorno alimentar restritivo,
  • Síndrome do comer noturno,
  • Transtorno purgativo.

Por ser um grupo de doenças que envolvem emoções e sentimentos negativos na relação com a comida (medo, culpa, arrependimento, fracasso), percepção corporal inapropriada (depreciação ou distorção de imagem corporal), crenças nutricionais distorcidas (sobre calorias e alimentos ditos proibidos) e sintomas afetivos ansiosos (como depressão e ansiedade) após o diagnostico, por se apresentar uma diversidade de sintomas, tanto cognitivos, quanto comportamentais, o tratamento envolve uma equipe multidisciplinar: psicólogos, nutricionistas, psiquiatras, endocrinologistas e também profissionais da educação física.

Aspectos psicossociais

O transtorno alimentar afeta não só a saúde física, mas também a psicossocial. Aspectos de personalidade, como por exemplo baixa autoestima e intolerância à frustração, são alguns dos fatores que podem desencadear um transtorno alimentar.

É nítido nestes tipos de transtornos que os pensamentos e as emoções ligados ao corpo e à alimentação provocam sofrimento e dificuldades no convívio social, como por exemplo: pessoas que possuem anorexia nervosa, dependendo do grau, deixam de sair de suas casas pois sabem que ficarão expostas a comportamentos que direcionam à comida. 

Características psicológicas do Transtorno Alimentar – A importância das intervenções preventivas

Falar de prevenção é de extrema importância e pode ocorrer tanto individualmente, quanto na família, em grupos, de forma institucional (principalmente no ambiente escolar) em comunidades e também na sociedade em geral (propagandas, ou políticas públicas em geral), mas a questão chave em todo este processo preventivo é oferecer informações relevantes acerca do tema. 

A prevenção de transtornos alimentares ainda é um campo novo, mas que começa a florescer tanto em ideias quanto pela necessidade. Proporcionar novas formas para o enfrentamento de situações sociais e moldar novas habilidades para poder identificar pessoas em risco de transtorno alimentar já são trabalhos positivos e que estão se tornando cada vez mais recorrentes, uma vez que – atualmente – nossa busca por qualidade de vida se expandiu. 

Tratamento

A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) promove um trabalho direto no que diz respeito ao comportamento alimentar, pois ajuda o paciente a desenvolver uma capacidade de refletir sobre o pensamento e de identificar, investigar e gerar novas alternativas no modo de pensar.

Durante o processo terapêutico também é feita uma reestruturação cognitiva, que consiste numa correção das distorções que os pacientes tem em relação à forma corporal e ao peso. A terapia também vai auxiliar na redução dos sintomas depressivos associados, na melhora da autoestima e também do funcionamento social. 

Tudo isso tem tratamento, é um caminho longo de autoconhecimento e muitos questionamentos, mas o fundamental é acreditar na mudança!

Camila Pescuma Gomes – Psicóloga CRP 06/113169 – Especialista em Transtorno Alimentar, Obesidade e Cirurgia Bariátrica 

 

Referencia:

American Psychiatric Association (APA). Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 4th ed. Washington (DC): American Psychiatric Association; 1994.

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