Sem categoria

Quando e como a psicologia pode auxiliar o tratamento para emagrecer

Como a psicoterapia pode ajudar?

O processo psicoterapêutico auxilia a pessoa a se conhecer mais, auxilia o indivíduo a identificar e nomear os sentimentos.

Parece simples dar nome aos sentimentos? Mas quantas vezes percebemos que alguns comportamentos e sensações acontecem e simplesmente parece que se repetem? Pois bem, a partir do processo de autoconhecimento é possível conhecer a história da pessoa e identificar nas situações vivenciadas quais estruturas de pensamentos fundamentam a maneira que cada um percebe as sensações e sentimentos que ocasionam o comportamento. 

O processo psicoterapêutico é um mergulho para dentro de si, um processo que auxilia a pessoa a olhar-se por dentro e reconhecer-se, possibilitando assim um resgate da autoestima.

Conhecendo a obesidade

Agora que já entendemos um pouquinho do processo psicoterapêutico precisamos conversar sobre obesidade, que hoje é considerada doença crônica e multifatorial, caracterizada pelo excesso de acúmulo de gordura que traz prejuízos à saúde física e emocional.

Como condição multifatorial, precisamos entender alguns fatores que podem contribuir para o aumento do peso. Dentre elas estão:

  • Alterações hormonais,
  • Sedentarismo,
  • Hábitos alimentares inadequados,
  • Hereditariedade,
  • Alterações no padrão de sono,
  • Ambientes obesogênicos e também fatores emocionais.

A obesidade precisa ser vista e cuidada como uma doença, pois ainda hoje em nossa sociedade ela é vista por muitos como uma condição associada somente a hábitos inadequados, ou ainda à preguiça ou falta de motivação.

Quando partimos do conceito de doença pressupomos um tratamento adequado, que passe a olhar o indivíduo como um todo, e a partir desse ponto todo o tratamento deve ser planejado de forma individualizada.

Tratamentos X cansaço

É muito comum a pessoa que busca tratamento para perda de peso encontrar orientações especializadas, porém isoladas. Muitos pacientes já realizaram consultas com médicos endocrinologistas, fizeram uso de medicamentos com objetivos de aumentar a sensação de saciedade ou diminuir a ansiedade, seguiram dietas prescritas por nutricionistas ou nutrólogos, ou ainda buscaram informações em outras fontes como a internet.

A pessoa que busca o emagrecimento e cuida apenas de um dos fatores, frequentemente pode apresentar a recidiva, que neste caso pode ser expresso popularmente pelo “efeito sanfona”, caracterizado por falha na manutenção do tratamento, cujo resultado imediato de perda de peso é alcançado, mas é seguido pelo ganho, às vezes levando a pessoa para um peso maior que o inicial.

Isso tudo pode gerar cansaço, desanimo e por vezes a sensação de impotência. Muitos são os fatores que levam ao “efeito sanfona”.

Algumas equipes multidisciplinares contam com a participação do psicólogo para agregar a esse tratamento. Pois a pessoa que sofre com o “efeito sanfona” apresenta um cansaço que pode gerar baixa autoestima e conflitos com a autoimagem e um processo psicoterapêutico inicialmente breve e focal auxilia na identificação de falhas no planejamento alimentar.

Vamos fazer um teste, será que você já se fez uma simples pergunta como: “sinto fome no momento das refeições?”.

Essa pergunta parece simples? Pois a partir dela é possível reconhecer hábitos de organização, prioridades, capacidade de planejamento. Mas e se a resposta for “não sinto fome”, entenda a fome como necessidade fisiológica.

Percebo que como por ansiedade, engulo a raiva, a tristeza, a alegria, os “sapos” do dia a dia! Esse é o primeiro passo. Para que depois, com ajuda do atendimento psicológico, você possa começar a refletir e entender a respeito da sua relação com a alimentação.

Relação alimento X afeto

Você sabia que todos nós temos uma relação com os alimentos que passa pelo nível dos afetos?

Isso mesmo!

É muito comum vermos posts e informações que esclarecem as diferenças entre fome física e fome emocional. Aprender a perceber essas diferenças é o primeiro passo para começar a pensar: “quais as relações que eu estabeleço com os alimentos?”.

Essa relação de afeto é trazida lá da primeira infância, quando o bebê chora e lhe é oferecido o leite materno, seja no peito ou na mamadeira. É desde esse momento que se inicia essa relação, e pode acontecer de outras necessidades ou sensações serem reforçadas com alimentos.

Com o crescimento, essa relação pode ser reforçada quando alguns alimentos são colocados no lugar de prêmios. Por exemplo: “se você se comportar poderá tomar um sorvete”, ”será só uma picadinha e depois o seu lanche favorito”, “para ganhar a sobremesa tem que raspar o prato”, “seu lanche favorito associado ao personagem do momento”.

E conforme vamos crescendo vamos percebendo que o alimento ocupa um lugar de importância em nossa cultura, festas, jantares, confraternizações, happy hours, etc. Dessa forma, cada um vai estabelecendo uma relação diferente com os alimentos, mas todos nós temos a fome emocional!

A partir dessas primeiras relações, associadas às preferências, estímulos, fatores ambientais e ritmo de vida, formamos os nossos hábitos, e muitas vezes nem nos damos conta de como um hábito foi instalado.

Em meio a um dia corrido, uma semana com contratempo que impossibilitou planejar as compras, preferências de alguns membros da família, alterações em horários da escola dos filhos, reuniões longas, enfim, é necessário parar, respirar e começar um trabalho que se assemelha ao de um detetive, e é nesse momento que o psicólogo pode começar a te ajudar.

Acompanhamento psicológico

Agora é a hora que precisamos juntar os conceitos descritos acima. É necessário que a pessoa tenha uma vontade inicial de conversar com o psicólogo.

No início, será um trabalho e investigação para conhecer seus hábitos, suas preferências, o histórico da doença, as tentativas anteriores de tratamentos, como é a percepção da obesidade. A partir de alguns pontos iniciais é realizado o plano de tratamento. Este plano vai auxiliar o paciente em alguns pontos de reflexão sobre seus pensamentos e comportamentos, sobre como está se relacionando com o corpo, quais as expectativas que está depositando no tratamento todo e identificar possíveis questões emocionais que estejam interferindo na perda de peso.

Além dessas percepções, um acompanhamento psicoterapêutico te auxilia a manter-se motivado, a perceber em quais momentos você pode estar se autossabotando, afastando-se de seus objetivos.

É importante que o psicólogo que vai receber essa demanda esteja atualizado e engajado no trabalho conjunto com outras especialidades, pois o olhar multidisciplinar possibilita um maior sucesso no tratamento.

Se você ficou curioso ou percebeu que um atendimento psicológico pode te auxiliar, agende um horário, experimente esse autocuidado.

MARCELA CRISTINA T NUNES
Últimos posts por MARCELA CRISTINA T NUNES (exibir todos)
Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar