Desenvolvimento pessoal

Está se sentindo triste ou sozinha durante a gravidez?

A maternidade

De fato, a maternidade é um período que traz momentos de tristezas e sentimentos de solidão, ainda que você esteja rodeada por muitas pessoas que possam lhe auxiliar.

Na fase da gestação ocorrem significativas mudanças de sentimentos ocasionadas pelas alterações hormonais, de vida e reflexões acerca disso. É nesse período que você poderá notar uma oscilação de humor, com momentos de intensa tristeza, contrastada por momentos de imensa alegria.

É inevitável e necessário pensar sobre essas diferenças que ocorrem ao se tornar mãe, para que você possa se preparar para a maternidade e para que possa ir construindo a relação com seu filho. Ao mesmo tempo, como consequência desse processo reflexivo, podem surgir as preocupações, os medos, as tristezas, angústias, sentimentos de raiva, frustrações e sensações de incapacidade, e todos estes afetos podem acabar impactando consideravelmente no seu dia a dia, nas condições de trabalho, produtividade, relação com seu (sua) cônjuge e demais relações familiares, se você não conseguir se organizar psiquicamente, dentro dessa dinâmica. 

Diferenciar o que é importante e quais preocupações se deve ter de fato daquilo que é fantasia criada por você é essencial para conseguir se equilibrar nessa fase, afinal, todos nós construímos fantasias baseadas em vivências pessoais, medos, crenças etc.

Nem toda mulher tem o sonho de ser mãe

Talvez você nunca tenha refletido sobre tudo isso, porque fomos ensinadas a pensar diferente e a romantizar a função materna. A maternidade nos foi apresentada como uma condição, algo natural e instintivo simplesmente, e para algo nato não há espaço para questionamentos ou dúvidas. Nada melhor do que nos fazer crer na existência de um desejo e um dom genuíno, próprios a qualquer mulher, contudo, nem toda mulher tem o sonho de ser mãe. 

“Toda mulher sabe ser mãe”. “Quando o bebê nascer, você vai saber o que fazer”. Certamente você já escutou estas frases, mas saiba que ser mãe é, antes de mais nada, uma escolha. Um aprendizado, uma construção diária com acertos e erros. Isso parece óbvio, que maternar é um exercício com falhas, porém na prática muitas mulheres se sentem cobradas a ser sempre exemplares e perfeitas. 

Depois de centenas de atendimentos na maternidade, na qual atuo, e no consultório, trabalhando questões relacionadas à maternagem, ao desejo materno, às insatisfações que a função materna traz, somados à inúmeros estudos na área, envolvendo aspectos clínicos, sociais e culturais, posso lhe assegurar que mesmo para aquelas que a maternidade é um desejo, o dia a dia como mãe é permeado por momentos ruins e difíceis, ainda que, com inúmeros prazeres e bons momentos. 

Acontece que quase ninguém conta a parte ruim, porque todas nós aprendemos que não devemos reclamar, ou dividir esses sentimentos. É aí que se encontra o problema, pois quando uma mulher não externaliza suas dificuldades como mãe, todas as outras deixam de ter conhecimento que estes sentimentos são comuns, e quem os vivencia se sente só, estranha, ingrata por não estar feliz o tempo todo com a chegada do bebê, ou culpada, e novamente num ciclo perverso, outras inúmeras mulheres voltam a passar por isso, sem perceber que suas sensações são perfeitamente normais.

É preciso abrir possibilidades para vivenciar as dificuldades e tristezas de qualquer relação, inclusive da relação com nossos filhos!

Quando a gente se permite viver o que não está bom, abrimos possibilidades para mudanças, e é reconhecendo que a maternidade traz medos, angústias e tristezas que nos tornamos capazes de lidar com estes sentimentos de forma saudável, acolhendo nossas imperfeições e fazendo o que é possível, sem a pretensão de sermos super mães ou super mulheres.

Vamos combinar que lidar com novos gastos, novas responsabilidades e preocupações, geram todos estes sentimentos mesmo, estranho seria não os sentíssemos! 

Neste sentido a terapia tem o papel importante de ajudar você a identificar os problemas que impactam no seu dia a dia, além de ajudar você a se organizar psiquicamente, de modo a entender qual a sua melhor forma de resolver os próprios problemas, ou de lidar com aquilo que não tem solução, contribuindo para que você, ciente das suas limitações, naturais de todo ser humano, consiga exercer a sua melhor versão. 

Ao lado da terapia, a consultoria é uma outra possibilidade que vem facilitar o processo, principalmente no momento de gravidez, uma vez que tem o objetivo de ajudar os pais a se organizarem.

Como a terapia pode ajudar?

A consultoria, ao contrário da terapia que costuma ser um processo mais demorado, que vai a fundo em várias questões que tangenciam ou não a maternidade, geralmente acontece em algumas sessões e tem a finalidade de ajudar, de forma prática, a mãe ou o casal, a lidar com suas dúvidas e incertezas. Algumas questões apresentadas abaixo, são exemplos de como o processo terapêutico e de consultoria podem lhe auxiliar:

Processo terapêutico

  • A terapia poderá ajudar você a compreender e tratar suas angústias e sentimentos conflitantes relativos à maternidade.
  • Ajudará na compreensão do seu papel como mãe e os significados disso.
  • Ajudará a resolver seus tabus relacionados à função materna.
  • Trabalhará sentimentos de culpa, tão presentes nas mães.
  • Trabalhará sintomas psíquicos que influenciam no processo de gravidez, parto e pós-parto, assim como no seu papel de mãe e mulher.
  • Ajuda a diferenciar e a atuar com o seu papel de mãe e o papel de mulher.

Consultoria

  • Processo que auxilia no planejamento familiar, para a chegada do bebê.
  • Trabalho educacional no sentido de solucionar dúvidas referentes à maternidade e ao preparo para ela, como por exemplo, questionamentos referentes à saúde emocional do bebê e o seu desenvolvimento psíquico.
  • Preparo prático para o momento do parto.
  • Preparo para lidar com questões emocionais e físicas que possam surgir no bebê.
  • Preparo emocional para o parto e pós-parto, com compreensão do que se espera de reações psíquicas decorrentes da mudança hormonal, típica desse período.

Portanto, a maternidade como um todo (gestação, parto, pós-parto e ao longo da vida da mãe com o filho) traz muitas vivências boas e ruins, sendo que a parte boa você conhece, porque já te contaram, e a parte ruim não fomos preparadas para lidar, deparando com essa realidade, na maioria das vezes, no pós-parto ou no processo de adoção.

No entanto, é possível viver a maternidade da melhor forma possível, trabalhando suas questões como medos e preocupações, e acolhendo suas limitações desde a concepção até o crescimento do seu filho. É possível tornar esse processo mais leve e prazeroso.

 

Referências Bibliográficas:

FLESLER, Alba. A psicanálise de crianças e o lugar dos pais. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

FRANÇA, Flávia Ilka. A importância do bebé imaginário na vinculação materno fetal. 2009. Disponível em: http://repositorio.ul.pt/handle/10451/2122#. Acesso em 09 de janeiro de 2021.

HASLINGER, A. P. S. C. et al. A importância da psicologia no atendimento a mães e pais na maternidade. 2011. Disponível em:  https://www.unisc.br/anais/jornada_pesquisa_psicologia/2011/arquivos/02.pdf. Acesso em 09 de janeiro de 2021.

SOUZA, Elizandra. O paterno e o materno em psicanálise. 2016. Disponível em: https://www.elizandrasouza.com.br/post/o-paterno-e-o-materno-em-psicanalise. Acesso em 03 de janeiro de 2021.

ZORNIG, Silvia Maria Abu-Jamra. Tornar-se pai, tornar-se mãe: o processo de construção da parentalidade. 2010. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-48382010000200010.  Acesso em 08 de janeiro de 2021.

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