Desenvolvimento pessoal

Que vida você vem escolhendo para você?

Você sente dificuldade de realizar escolhas na vida? Como você avalia sua capacidade de escolher? Você se responsabiliza por aquilo que sua vida é? Gostaria de fazer escolhas com mais consciência? Você gosta da vida que escolheu para você?

Em minha prática clínica, frequentemente me deparo com clientes insatisfeitos com suas vidas e que, em sua maioria, responsabilizam seus pais, seus cônjuges, seu trabalho, seu chefe e até mesmo o azar ou destino por sua infelicidade.

Isso acontece com você ou com alguém que você conhece? Se isso acontece com você, antes de continuar a leitura deste texto, proponho que você pare e reflita a respeito das questões acima. Até que ponto você acredita que somos responsáveis pela vida que levamos?

As várias abordagens psicoterapêuticas e a Gestalt-terapia 

A Gestalt-terapia é uma das abordagens da psicologia clínica. O psicólogo que atua na área clínica em sua formação escolhe quais serão os pressupostos teóricos e técnicos que embasarão sua prática. 

Esta escolha sem dúvidas tem relação com a história de vida, personalidade e crenças do próprio psicoterapeuta. As abordagens psicológicas envolvem uma percepção acerca dos conceitos de sujeito, mundo e relações interpessoais, assim como uma orientação quanto às diversas demandas que surgem no consultório e a forma de abordá-las, permitindo o favorecimento da saúde emocional do cliente. 

A Gestalt-terapia foi fundada por Frederick e Laura Perls, na década de 1940. Seu objetivo primordial é favorecer a ampliação da consciência do sujeito atendido com relação a seus pensamentos, sensações, sentimentos e comportamentos, e como eles são experienciados, favorecendo a transformação, autoaceitação e autovalorização. Suas bases filosóficas são a Fenomenologia, o Humanismo e o Existencialismo. Exploraremos, a seguir, esta última.

O Existencialismo e o ato de escolher

Podemos assinalar como os principais teóricos dessa corrente filosófica o dinamarquês Sören Kierkegaard e o francês Jean-Paul Sartre. Um dos pontos de grande relevância para esta escola foi a premissa de que o ser humano é um ser de possibilidades, ou seja, é livre, é autor de sua própria existência e está em constante construção de si mesmo.

Portanto, primeiramente existimos, escolhemos o nosso trilhar, que não apenas constitui as nossas vidas, como também a nós mesmos e nossa essência.

Durante toda a nossa vida temos o benefício de escolher os nossos caminhos e possibilidade de dar significados diferentes aos eventos a que somos sujeitados. A escolha é tida tanto como privilégio do sujeito, como também condenação de nossa existência, permeada pelo sentimento de angústia, já que escolher nos torna responsáveis por nossos destinos e nos impossibilita de contemplar os ganhos envolvidos em todas as possibilidades.

Toda escolha implica em ganho e perda

Do nascer ao pôr do sol escolhemos. Escolhemos levantar da cama ou não, a roupa que vestiremos, o que falamos ou deixamos de falar, nossas ações e o que fazer com aquela economia fruto de vários sacrifícios.

Escolhas têm consequências, algumas avaliadas por nós como positivas, outras nem tanto. Não existe sequer uma escolha que não envolva ganhos ou perdas. Escolher é aprofundar-se em uma possibilidade e abdicar-se de outra, o que é um dos seus mais desafiadores aspectos.

Não é fácil perder, não é fácil abrir mão. Escolher é abrir uma porta, porém fechar outras. 

Algumas pessoas sentem dificuldade no ato de escolher e acreditam que “ficar em cima do muro” e renunciar uma ou demais escolhas é uma possibilidade, no entanto, não o é, já que não escolher é também uma escolha, que como as outras, possui consequências diversas e implica, também, na autorresponsabilização. 

A Gestalt-terapia e as escolhas

Caso você deseje aventurar-se em um processo psicoterapêutico junto a um Gestalt-terapeuta, saiba que faz parte da caminhada a compreensão de que sua vida é resultado de suas escolhas, e há a necessidade de assumir a responsabilidade pelas consequências dessas escolhas.

Entretanto, autorresponsabilização é diferente de culpabilização. Nossas escolhas sofrem influência da nossa história de vida e dos recursos de enfrentamento que temos naquele momento. É importante que você tenha claro que fez o melhor que poderia, naquele momento, com os recursos internos de enfrentamento que estavam ao seu dispor. 

Dizer que todos têm escolhas não é, de forma alguma, negar as condições objetivas, materiais e sociais envolvidas. Nosso gênero, etnia, classe social, cultura, relações interpessoais desde o nascimento, rede de apoio e experiências por toda vida, somadas aos fatores biológicos como a genética, influenciam na construção de nossa personalidade, de quem somos e, sem sombra de dúvidas, influenciam nossas escolhas.

Entretanto, muitas vezes nos colocamos em posição passiva, como se fossemos vítimas de nossas condições biológicas, materiais e sociais e nos esquecemos que mesmo dentro de possibilidades limitadas, sempre temos possibilidade de ser e agir no mundo, conforme nossas escolhas.

Assumindo nossas responsabilidades, não estamos negando a responsabilidade do estado, da família, da sociedade. A função e responsabilidade destas instituições é inegável e também influencia na construção do sujeito.

Porém, sem considerar e valorizar sua autonomia, impedimos que este mesmo sujeito se coloque em posição ativa, de autor de sua própria escolha, como um ser de possibilidades e capaz de transformar a si mesmo e a realidade à sua volta. 

Culpa e autoaceitação

Uma realidade avessa é quando o sujeito, ao se arrepender de alguma escolha anteriormente tomada, vivencia o sentimento intenso de culpa, muitas vezes martirizando-se por aquela decisão e atitude. Assim como a autorresponsabilização, a autoaceitação é indício de crescimento e amadurecimento emocional. 

Aceitar-se não é conformar-se com seus erros, acomodar-se. Pelo contrário, quando aceitamos a nossa história e aprendemos a nos perdoar por aquilo que consideramos falho, estamos muito mais próximos da transformação.

Podemos reavaliar nossas escolhas passadas e mudar de ideia, mas é preciso que este movimento seja permeado pela amorosidade e por uma postura de acolhimento de si mesmo. Afinal, se hoje você pensa diferente é porque a sua realidade e você foram transformados no caminho.

Quer se aventurar neste processo?

Como citado mais acima, a psicoterapia dentro da abordagem Gestáltica tem como objetivo auxiliar o sujeito a se tornar mais consciente de si mesmo, o que facilita a tomada de decisões também mais conscientes e coerentes com os seus propósitos de vida.

O processo psicoterapêutico é, dessa forma, muito semelhante com a nossa capacidade e possibilidade de escolher: desafiador, muitas vezes assustador, porém delicioso, belo e libertador! 

E você: gostaria de aprender a levar a vida com mais leveza, construindo-a a partir do equilíbrio entre a autorresponsabilidade e autoaceitação? 

Se sim, será um prazer fazer parte desta caminhada junto com você.

 

Referências Bibliográficas:

PERLS, Friderick Salomon. Gestalt-terapia explicada. (1977). São Paulo: Summus Editora.

SANTOS, Jéssica Emilly Rodrigues dos. Existencialismo: uma relação com a Gestalt-terapia. Psicologado, [S.I] (2017). Disponível em

https://psicologado.com.br/abordagens/humanismo/existencialismo-uma-relacao-com-a-gestalt-terapia. Acesso em 20 de setembro de 2020.

RIBEIRO, Jorge Ponciano. Gestalt-terapia: refazendo um caminho. (1985). São Paulo: Summus Editora.

YONTEF, Gary M. Proceso, Diálogo e Awarness: ensaios em Gestalt-terapia. (1988). São Paulo: Summus Editora.

Amanda Araújo Malta de Sá
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