Desenvolvimento pessoal

Viva sua vida, mulher

Acolhimento

Neste dia da mulher, na posição de psicóloga, como eu poderia ofertar acolhimento através deste texto?

Para encontrar essa resposta, decidi mergulhar no conceito de acolhimento.

Acolhimento

substantivo masculino

  1. ato ou efeito de acolher; acolhida.
  • maneira de receber ou de ser recebido; recepção, consideração.

“o novo funcionário teve bom a. na empresa”

  • abrigo gratuito; hospitalidade.

“ofereceu-nos a. durante nossa estada em sua cidade”

Primeiramente, sinta-se acolhida

Assim, percebi que para alguém se sentir acolhido, ele precisa ser recebido pelo outro. Mas não é qualquer forma de receber. É um receber que reconheça as lutas enfrentadas pelo sujeito e sua implicação dentro de seu contexto. Pois, assim será possível colocar-se em seu lugar e entender suas dificuldades. E sabemos o valor que tem em ser entendido.

Para começar, vamos trocar os pronomes e substantivos masculinos, pois o público que esta escrita pretende atingir é bem claro: as mulheres.

Antes de psicóloga, sou mulher. E este texto é baseado em minhas experiências pessoais, também como filha, neta, nora, sobrinha, amiga e como psicóloga. Todas estas posições que ocupo, me aproximam da experiência do papel feminino. Tanto como participante, como ouvinte/observadora.

Vamos refletir sobre nossa realidade?

Se pararmos ao menos um instante para pensar, iremos nos surpreender com as injustiças que as mulheres sofreram ao longo dos séculos. Mas, ainda não nos curamos disso, pois ainda as vivemos diariamente. Por mais que seja extremamente necessário, o intuito desta escrita não é problematizar ou entrar em discussões políticas ou ideológicas. Pois por hoje, quero apenas acolher.

Então mulher, saiba que eu entendo e acolho teu sofrimento. Não é fácil, ser agredida, humilhada, cuidar de filhos sozinha, ser agredida por ser uma mulher trans, ser obrigada a casar e ter filhos, não poder vestir a roupa que quer, sentir-se obrigada a seguir padrões de beleza, sentir-se na necessidade de parecer forte, ouvir que teu marido “te ajuda” com as tarefas domésticas, passar por crises de ansiedade e estar sozinha, aguentar certas coisas para proteger a família, ser obrigada a seguir um caminho que você não quer, e muitas outras coisas que não foram citadas e outras que fazem parte da tua jornada pessoal.

Impactos na saúde mental

Estas problemáticas presentes na vida da mulher impactam diretamente em sua saúde mental. A mulher se sente constantemente ameaçada, insegura e com a autoestima prejudicada. E neste momento, ela se sente sozinha e não compreendida. Então, através destas situações surgem os sintomas físicos e psicológicos. Neste momento, a psicoterapia torna-se indispensável.

Se você que está lendo é mulher e já se sentiu prejudicada, injustiçada ou agredida, sabe o quanto é difícil sair desta situação. Mas gostaria de te dizer que não é sua culpa. Você só precisa de ajuda. Por isso, não deixe de buscar ajuda profissional. Com a psicoterapia você poderá ser ouvida sem julgamento e fortalecerá suas potencialidades para lidar com a situação.

Ao falar com sua psicóloga sobre sua história de vida e demandas atuais, você poderá fazer uma reflexão sobre aspectos essenciais para a resolução do problema. Ao endereçar sua palavra para sua terapeuta, além de se sentir acolhida e compreendida, você terá uma visão geral sobre você e sua vida.

Viva sua vida, mulher

Chegando ao final desta reflexão, é importante lembrar que você tem o direito de viver sua vida da forma que achar mais interessante. Você não é obrigada a seguir um script que outras pessoas criaram para você. É somente você que sabe da sua vida, de seus desejos e objetivos. Ninguém vive sua vida por você, e que bom que é assim. Você é única dona da sua história, que não precisa ser igual a da tua irmã, da tua prima, da amiga, vizinha ou de qualquer outra mulher. Pois, cada mulher carrega suas próprias dores e alegrias.

Então mulher, ocupe todos espaços que quiser ocupar. Fale sobre o que você vive. Saiba que você é muito mais do que os julgamentos que fazem sobre você. Procure ajuda. Por mais que seja difícil, encontre formas de sair da situação que a magoa. Entendo que neste momento parece que não tem solução, mas com auxilio profissional e de sua rede de apoio, você pode sair dessa situação.

E por fim, hoje eu gostaria de substituir o “feliz dia da mulher” por “viva a sua vida, mulher”. Cuide de sua saúde mental, se precisar de auxilio, estou à disposição.

Psicoterapia

Este último espaço foi reservado para aproximar você da experiência da psicoterapia. Para aquelas pessoas que nunca fizeram, podem surgir algumas dúvidas quanto ao funcionamento. Então, irei explicar os principais pontos.

Psicologia é a ciência que compreende o sujeito através de sua subjetividade. É a ciência que entende cada ser em sua particularidade, em seus desejos. Entendendo também a forma com que este se relaciona com o outro e como está inserido em seu contexto. 

Ao realizar psicoterapia, o profissional estabelece um contrato de sigilo com você. Ou seja, o que você fala é mantido entre vocês, raras exceções de situações que você ou outra pessoa estão em risco. Em média os encontros são semanais, com duração de 40 min – 50 min. Neste tempo, você poderá falar sobre sua trajetória e angústias

A psicoterapia é um processo. Ao falar com uma psicóloga, você será ouvida sem julgamentos. Então ao longo desse período, você fará diversas reflexões, no intuito de entender alguns acontecimentos que você busca resposta e fortalecer suas potencialidades para lidar com as situações que são mais difíceis para você. 

Psicóloga Gabriela Gonçalves

CRP 07/33741

(51) 984078750

@psi.gabrielag

 

Referências:

Araújo, Maria de Fátima. (2008). Gênero e violência contra a mulher: o perigoso jogo de poder e dominação. Psicologia para América Latina, (14) Recuperado em 02 de março de 2021, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1870-350X2008000300012&lng=pt&tlng=pt.

Medeiros, Mariana Pedrosa de, & Zanello, Valeska. (2018). Relação entre a violência e a saúde mental das mulheres no Brasil: análise das políticas públicas. Estudos e Pesquisas em Psicologia18(1), 384-403. Recuperado em 02 de março de 2021, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812018000100021&lng=pt&tlng=pt.

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