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Caminhos para a cultura dos relacionamentos

Relacionamento 

Existem inúmeras questões de relacionamentos, como os interpessoais – em relação à família, amigos, trabalho, casal e outras relações que vamos estabelecendo ao longo de nossas vidas. Essas questões estão ligadas ao afeto que temos com o outro, pois temos os mesmos objetivos e interesses, e isso envolve convivência, comunicação, afinidade e atitudes que devem ser recíprocas.

Nos primórdios, o relacionamento era vivido por conta da procriação e eles eram algo escolhido pelos familiares, e com o tempo veio a questão do amor romântico a romantização do afeto entre dois seres, já hoje não vemos mais a questão do relacionamento como víamos antes, hoje existem novas termologias para o tema e o vivenciamos de forma mais fluída, aprendemos a estabelecer contratos e acordos para que as relações perdurem. 

A mudança dos relacionamentos veio cheia de novas estruturas e novas questões, por exemplo: “será que é isso que eu realmente quero vivenciar?”.

Relacionamento afetivo

São as relações pautadas nos sentimentos que as pessoas vão desenvolvendo pelo outro o amor (amor romântico), é uma descoberta nova, ambas as pessoas vão se “completar”, pois cada sujeito é único e singular. Porém, quando ele está disposto a essa relação a dois, eles têm a intenção de agregar a vida do parceiro e elas são mantidas pela cumplicidade, afinidade emocional e intelectual entre as pessoas envolvidas.

No contexto afetivo dos relacionamentos entre casais, existem diferentes maneiras de se relacionar com alguém:

  • Monogamia,
  • Relacionamento aberto,
  • Poli amor,
  • Liberal,
  • Relacionamento à distância,
  • Sério,
  • Relações Livres,
  • Anarquia relacional e
  • Don’t ask, don’t tell (não pergunte, não fale). 

E eles dão certo pela questão do acordo que são estabelecidos em cada relacionamento que o casal decide seguir.

Como nos relacionamos?

As mulheres

As mulheres pensam e sentem de uma forma diferente da do homem em uma relação afetiva, pois geralmente as mulheres são ensinadas desde a sua infância a serem carinhosas, compreensivas, abertas e até mesmo não demostrar em palavras o que sente (fechar-se para alguns questões) e temos alguns tabus referente a esse universos feminino mais sensível e sentimental. Podemos dizer que algumas gerações de mulheres vivenciam o padrão de amor Disney, pois cresceram assistindo os contos de fadas e levam isso como algo possível, e ele pode ser possível mas é algo diferenciado do que se trata nas grandes telas. 

Os homens

Os homens são mais racionais e práticos, é o famoso sim ou não, é ou não é, o talvez é uma alternativa que não existe muitas vezes (8 ou 80), e assim como as mulheres, também são ensinados desde pequenos algumas ações como ser errado chorar, não poder expressar sentimentos e são mais livres para falar o que realmente sentem. Os homens têm vivenciando cada vez mais a relação visual, do que é o posto como belo e o que lhes der prazer com o olhar. 

E como isso afeta a nossa vida adulta?

Cada sujeito vem se desenvolvendo de forma relativamente diferentes, mas ambos têm a escolha de mudar o que eles foram ensinados e desenvolver outros pontos. Quando escolhemos nos relacionar com alguém de forma afetiva, a escolha deveria ser de forma saudável e “cheia de frio na barriga”, pois você está disposto a se entregar ao outro e esse outro vai adentrar em sua vida, pode ser que perdure por anos ou seja só temporário, e isso só pode ser efetivo quando a nossa relação interpessoal está saudável.

Quando de fato nos conhecemos, nos cuidamos e nos damos o devido valor, isso também remete à questão de como enxergamos as relações ao nosso redor, quando a nossa relação não está boa podemos nos machucar e até mesmo machucar o outro, pois a relação é feita de duas pessoas ou mais, mas há sempre uma regra a ser dita.

Como enxergamos nós nessa relação, onde tudo o que temos são dois corpos que estão dispostos a abrir um pouco dos dois mundos e duas histórias para viver um corpo só:

[…] não tenho um corpo, mas sim, eu sou corpo; corpo que percebe e é simultaneamente percebido […] é a partir do corpo próprio, do corpo vivido, que posso estar no mundo em relação com os outros e com as coisas. O corpo é a nossa ancoragem no mundo […] é nosso meio geral de ter o mundo. (Merleau-Ponty, 1994, citado por Polak, 1997, p. 35)

E além das nossas histórias, nosso corpo é a forma que temos de nos expressarmos e estarmos presentes nas relações, pois ele é único e quando abrimos para o outro estamos dispostos a vivenciar o coletivo.

Diferenciação dos tipos de relação 

Vem a ser a questão dos acordos (pactos) que vamos constituindo com o outro (relacionamento monogamia) ou com os outros (relacionamento aberto), pois quando entramos em uma relação afetiva devemos deixar as cartas na mesa de quem eu sou e do que de fato eu gosto, e o outro a mesma coisa, e assim estabelecemos o dito e isso fica claro ao longo do processo, ou seja, a regra foi posta.

Se podemos mudar e se existe essa possibilidade é necessário reformular este acordo, pois entramos numa relação em que ambos são subjetivos e têm interesses diferentes, mas que estão dispostos a confiar e deixar que o outro adentre a sua realidade. A grande diferença de fato vem a ser a regra, pois se é uma relação monogâmica são apenas 2 pessoas, se é um relacionamento aberto, pode ser 1 pessoa para dois ou 2 pessoas uma para cada, ou podemos nos envolver com outros, à distância, podemos continuar na monogamia ou mesmo se dar conta de que se quer um relacionamento liberal, etc., são diálogos e constituições que estamos dispostos a escrever e que queremos vivenciar com o outro. 

Como a psicoterapia auxilia você no processo das relações

O processo de psicoterapeuta é uma espaço de acolhimento, escuta, onde você leva todos os assuntos e não há um espaço para o julgamento da sua fala. São assuntos que nesse momento são importantes para você que sejam dialogados, você será escutada e compreendida e as suas questões seriam respondidas em conjunto com o profissional. 

Quando sentimos que há necessidade podemos sentar e decidir em conjunto se é necessário fazer uma terapia de casal, pois vocês podem estar cada um vivendo a relação de uma forma e isso pode ser um problema, quando levamos essas questões para terapia em casal, estamos dispostos a escutar e vivenciar o lado e o olhar do outro sobre essa relação. 

Referências

  1. COMIN, Fabio Scorsolini-; AMORIM, Katia de Souza. Corporeidade: uma revisão crítica da literatura científica. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-11682008000100011> Acesso em: 03 de Outubro de 2021. 
  2. MARQUES, Sílvia. As três afinidades essenciais para um relacionamento afetivo. Disponível em: <http://obviousmag.org/cinema_pensante/2015/04/-as-tres-afinidades-essenciais-para-um-relacionamento-afetivo.html> Acesso em: 03 de Outubro de 2021. 
  3. NETO, Orestes Diniz; CARNEIRO, Terezinha Féres. Psicoterapia de casal na pós-modernidade: rupturas e possibilidades. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/estpsi/a/XbD8scBcQN7XHvGvDhnrHPM/?lang=pt> Acesso em: 03 de Outubro de 2021.
Thais Trevizan Ribeiro
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