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O suicídio na perspectiva psicanalítica 

Introdução

A temática tem como objetivo oferecer aos leitores evidências que possibilitem uma noção básica sobre o suicídio à luz da psicanálise. O suicídio é definido como o ato de tirar a própria vida, e vários são os motivos que levam o indivíduo a decidir sua própria morte. Através do olhar psicanalítica sobre o suicídio, o leitor terá a oportunidade de conhecer os impulsos inconscientes presente nos pensamentos autodestruitivos, mente do sujeito com pensamentos suicida.

De acordo com as características do suicídio, pode-se concluir que a psicanálise nos oferece um olhar sobre o inconsciente e sua natureza de autodestruição, e nos aponta para um estudo individual de caso clínico, onde a interpretação da singularidade contribuem para uma múltipla rede de fatores dos quais impulsionam o indivíduo a buscar a sua própria morte.

O olhar de Freud sobre o suicídio

O suicídio é um fenômeno que tem gerado em todos os tempos preocupação e interesse por parte da psiquiatria, psicologia, sociologia, e, por fim, da comunidade cientifica, que já efetuou um contínuo número de estudos e pesquisas nessa área, na tentativa de compreender e esclarecer o suicídio numa compreensão de prevenir tão grave transtorno psíquico.

O suicídio aos olhos da sociedade é visto como um tabu, apesar de pesquisa informar o crescente número de casos de suicídio, entre adolescentes, jovens e adultos, nos dias atuais as pessoas não querem nem ouvir falar, e pouco se discutem sobre o assunto. Segundo a OPAS (Organização Pan Americano da Saúde) o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos, um período crítico para a aquisição de habilidades socioemocionais. 

Os danos autoinfligidos são o resultado de um compromisso entre os impulsos que atuam no indivíduo com o comportamento suicida. Tais impulsos permanecem inconscientes, reprimidos e opera paralelamente com a pulsão de vida e a pulsão de morte. A tentativa de suicídio está acompanhada de fatores de prazer e desprazer. 

Em decorrência às causas do suicídio no contexto socioeconômico dos dias atuais, os principais fatores de risco do suicídio são as múltiplas doenças psíquicas, porém, desde o passado a depressão tem apontado a principal causa do suicídio.

Segundo Freud, a melancolia se caracteriza, em termos psíquicos, por um abatimento doloroso, uma cessação do interesse pelo mundo exterior, perda da capacidade de amar.

Em uma publicação datada no ano de 1909, Freud trabalha numa análise de um caso de neurose obsessiva, ele observa que o impulso ao suicídio no caso de “homem dos Ratos” é tão frequente que sua exposição equivale a quase toda a análise do sujeito. O assunto principal de sua doença era o temor de que algo mal ocorresse com as pessoas a quem ele amava, além disso sentia impulsos obsessivo de autodestruição, como por exemplo de cortar o pescoço com uma lâmina de barbear.

Na obra freudiana “Além do Princípio de Prazer”, Freud relata um caso de perda de desamor mortal, de uma jovem que, desde a doença do pai, manifesta um comportamento de tendência de ideação suicida. De acordo com a análise, a jovem caíra enferma de grave histeria enquanto se achava cuidando do pai doente, o quadro clínico era constituído de paralisias motoras, inibições e distúrbios de consciência.

Freud novamente se refere às ameaças de suicídio em análise fragmentário de um caso de histeria, o “Caso Dora”. As ameaças de suicídio se relacionava com estados de depressão e desejos de vingança. Ele aponta que um dos mais importantes sinais da doença de Dora é o estado de depressão, desânimo e fadiga constantes, agravados na ocasião em que escreve aos pais uma carta de despedida na qual ameaça suicidar-se, alegando que não podia suportar a vida por mais tempo.

Pulsão de vida e de morte no suicídio 

Para a pulsão de vida e a pulsão de morte, na visão psicanalítica, Freud começa com conceito de instintos tomados emprestado da filosofia, e também o conceito de Eros. Segundo Freud, em sua origem, função e relação com o amor sexual, o “Eros” do filósofo Platão coincide perfeitamente com a força amorosa, a libido da psicanálise.

A partir do conceito freudiano de pulsão de morte e pulsão de vida, percebe-se indivíduos com vários tipos de doenças psíquicas e comportamento relacionado com a autodestruição. A existência congênita de morte ligadas à matéria vida condiciona uma suposta tendência desta a autodestruição, à morte e ao estado de repouso da primitiva matéria inorgânica.

O sujeito com comportamento suicída ou impulsos agressivos desta natureza tem padrão de conduta paterna que é derivado da volta do sadismo contra si mesmo. O masoquismo secundário é um fenômeno psíquico que seria interpretável de acordo com a mesma dinâmica aplicada na elucidação psicanalítica de todo e qualquer ato humano, ou seja, como uma aparência de um conteúdo manifesto que se mascara com a expressão de uma realidade subjacente a um conteúdo latente o qual escapa ao conhecimento do próprio indivíduo.

A culpa gera no indivíduo a percepção de que o ego corresponde à crítica do superego, manifesta-se essencialmente de forma crítica e desenvolve uma tão extraordinária rigidez e severidade para com o ego. Na melancolia, o superego dirige sua ira contra o ego com violência impiedosa, como se tivesse se apoderando de todo o sadismo disponível no indivíduo. Para Freud a melancolia geralmente não se limita ao caso muito claro de perda em virtude da morte, e abrange todas as situações de ofensa, menosprezo e decepção em que uma oposição de amor e ódio. 

Os instintos de morte, quanto mais o sujeito controla sua agressividade para com o mundo exterior, mais severo e agressivo se torna o seu ideal do ego, como se toda a carga de agressividade e autodestruitivo estivesse aí contida. A moral normal já possui um caráter severamente restritivo e proibitivo, donde, porém, a concepção de um ser superior que castiga implacavelmente. Segundo Freud é notável que quanto mais um homem controla a sua agressividade para com o exterior, mais severo – isto é, agressivo – ele se torna em seu ideal do ego.

Finalizando

O suicídio e as reflexões sobre ele podem ser comparados aos sintomas neuróticos, no qual se observam tentativas de mágoas simbólicas de solucionar os conflitos. A psicanálise e sua intrincada trama teórica relativa aos atos suicidas, nos leva a compreender a complexidade das motivações implicadas no suicídio. Pode-se concluir diante desta pesquisa que o suicídio se dá no sentido de o indivíduo tentar buscar um significado latente na maneira pela qual escolhe acabar com sua própria vida.

Eu, Antonio Caetano Maia, psicólogo clínico, sei que não é fácil controlar a ansiedade, que leva o sujeito a pensar em tirar a sua própria vida, porém, quero reforçar para você leitor deste texto: se você está com pensamentos autodestruitivos, ou conhece alguém com tais pensamentos. Saiba que estes pensamentos têm cura, e estou aqui para te ajudar a encontrar o caminha de volta à vida.   

Referências

  1. FREUD, S. (1914). “Introdução ao Narcisismo, Ensaios de Metapsicologia e outros Textos”. Edição companhia das letras, vol. 12 – Publicado em 1914-1916.
  2. ________, S. (1909). “Observações Sobre um Caso de Neurose Obsessiva”. (Homem dos Ratos). Edição companhia das letras, vol. 12 – Publicado em 1909-1910.
  3. ________, S. (1920). “Além do Princípio de Prazer”. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, vol. XVIII. Rio de Janeiro: Imago. Trabalho original publicado em 1920-1922.
  4. ________, S. (1901). “Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiano”. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, vol. VI. Rio de Janeiro: Imago. Trabalho original publicado em 1901.
  5. https://www.paho.org/pt/noticias/17-6-2021-uma-em-cada-100-mortes-ocorre-por-suicidio-revelam-estatisticas-da-oms
Antonio Caetano Maia
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