Psicologia geral

Você sabe o que é comunicação assertiva? 

Comunicação assertiva é a capacidade para recusar e elaborar pedidos, pedir favores, expressar sentimentos negativos e positivos e iniciar, continuar e terminar uma conversa comum. Sendo considerada como a defesa de direitos pessoais e a expressão de pensamentos, sentimentos e crenças de forma direta e honesta.

Ser assertivo faz com que você se sinta melhor e que reduza a ansiedade e o estresse, já que você consegue lidar melhor com a sua comunicação. A comunicação assertividade é você poder: 

  • Expressar sentimentos;
  • Dizer não;
  • Criticar sem se sentir culpado;
  • Fazer pedidos;
  • Mudar de opinião.

Tipos de comunicação

Para o entendimento do conceito de assertividade, é preciso distinguir este estilo de comunicação dos outros estilos, nomeadamente as respostas passivas e as respostas agressivas. 

Comunicação passiva 

A comunicação passiva caracteriza-se pela ausência de expressão e sentimentos. Ao não conseguir expressar de forma direta as suas necessidades, a pessoa falha na defesa dos seus desejos, permitindo que sejam facilmente ignorados pela outra pessoa. 

Quem possui a comunicação passiva normalmente mantém o olhar para o chão, não quer incomodar, mais inseguro, costuma fazer as coisas para agradar as pessoas e tem dificuldade de dizer não, evita determinados assuntos, desculpam-se inúmeras vezes e se expressam de forma que anulam as suas necessidades.

Na origem da comunicação passiva, encontra-se alguns fatores, tais como:

  • Medo de consequências negativas,
  • Sentir-se ameaçado,
  • Ter dificuldade em aceitar os seus direitos, confundir assertividade com agressividade.

Comunicação agressiva 

Caracteriza-se como uma comunicação marcada pela ignorância ou desvalorização dos interesses ou direitos do outro. O Indivíduo expressa as suas necessidades, opiniões e desejos de forma reivindicativa, ameaçadora, insultuosa e hostil.

Respostas essas que incluem: falar alto, interrupções e perguntas antes que o outro acabe de responder, expressam suas opiniões como se fossem fatos

Existem diversos fatores que contribuem para a verbalização da comunicação  agressiva, sendo: percepção ameaçadora das situações ou dos outros, crença de que  a agressão é a melhor forma de confronto, dificuldade de pensar racionalmente sobre  si próprio e dificuldade em desenvolver assertividade. 

Tipos de comunicação assertiva 

Apresentam-se, de seguida, os cinco tipos de resposta assertiva mais comuns e seguidos por mais autores. São eles: assertividade básica e assertividade escalonada, mensagem do eu, asserção empática, e asserção de confronto. 

A assertividade básica 

É constituída por duas partes. Na primeira, a pessoa reconhece algo em relação à pessoa (tristeza, raiva) ou situação (pressão de tempo). Na segunda, descreve a sua situação, sentimentos, desejos ou crenças.

Exemplo: “Eu percebo que não sente melhoras e considera que este tratamento não é o mais adequado para si. Gostaria muito de lhe explicar o meu  ponto de vista sobre a sua evolução e o plano de tratamento.”  

Você simplesmente reconhece os sentimentos, desejos, crenças ou situação  da pessoa. Este tipo de resposta facilita igualmente a escuta por parte do interlocutor, uma vez que este percebe que o seu ponto de vista foi considerado.  

A assertividade escalonada  

É um tipo de resposta que pode ser utilizado quando uma resposta assertiva básica não produziu nenhum efeito na pessoa. 

Exemplo: “Lamento, não tenho possibilidade de alterar a hora do tratamento de amanhã. Outro exemplo: ”Como já lhe expliquei, não me será possível alterar o seu  tratamento para outra hora.”. Outro exemplo: “Peço-lhe que não insista! Já lhe disse duas  vezes, não consigo alterar a minha agenda de amanhã!”.  

Asserção de confronto  

A assertividade de confronto é apropriada quando existem discrepâncias (palavras da pessoa que contradizem o seu comportamento). Este tipo de resposta  assertiva tem três partes: descrição objetiva do que a outra pessoa disse que faria, descrição do que a outra pessoa fez na realidade, expressão do que realmente  pretende. 

Por exemplo, “Disse-me que passaria a realizar 30 minutos dos exercícios todos os dias em casa. Tínhamos acordado que o seu plano de recuperação passava essencialmente pelo trabalho desenvolvido em casa. Esta semana, verifiquei que nunca realizou os exercícios. Como já lhe expliquei, na minha opinião, é muito difícil  recuperar só com os tratamentos nos aparelhos aqui do ginásio. O que acha que o está impedindo de realizar os exercícios em casa?”.

Quando as discrepâncias são confrontadas pela simples descrição das mesmas, a resolução dos conflitos é facilitada, uma vez que o interlocutor terá menos probabilidade de reagir defensivamente, porque não se sente atacado pessoalmente. 

A mensagem do eu 

É quando o indivíduo assume a responsabilidade pelo que verbaliza ou sente, inclui a expressão de desejos — “Eu gostaria que você chegasse na hora para…”,  sentimentos –“Quanto me diz que não quer fazer o tratamento, eu sinto-me…”– e asserções –“Quando chega atrasado, iniciamos as sessões depois da hora, o que atrasa todo o meu trabalho com os outros pacientes. Sinto que não está respeitando meu trabalho. Eu gostaria realmente que não voltasse a chegar atrasado”.  

Estes tipos de respostas, de forma concreta, o que pensa ou sente, produz efeitos positivos, sem atacar a autoestima da outra pessoa. 

Para as situações em que existem agressividade ou persistência da parte da pessoa, os autores que mais se dedicaram ao estudo da assertividade propuseram vários tipos de resposta específicas, sendo de salientar:

Técnica de ignorar, que, como o próprio nome indica, consiste em ignorar o comentário agressivo ou insultuoso do outro e manter os seus objetivos (e.g., “Parece-me que está muito exaltado, acho melhor falarmos sobre este assunto mais tarde”). 

A mais conhecida de todas as técnicas assertivas, mencionada em todos os manuais, é a técnica do disco arranhado. Este consiste em repetir, com tranquilidade e sempre da mesma forma, o ponto de vista pessoal, ignorando as interrupções ou provocações que possam surgir da parte da pessoa.

 

Dicas para praticar a assertividade

Reconheça o que há de verdade nas queixas que alguém tem de você e ao mesmo tempo exponha o seu ponto de vista. 

Faça declarações claras e simples sobre seus desejos e necessidade, em  vez de esperar que outras pessoas leiam sua mente e prevejam o que você quer. É assertivo pedir ajuda diretamente, dizer aos outros o que precisa e ser claro acerca de suas expectativas. 

Foque no processo de assertividade ao invés dos resultados. Ser assertivo não significa que você sempre vai conseguir o que pede. O objetivo da assertividade é a comunicação clara. 

 

Thiago Augusto Araújo  

Psicólogo CRP 04/59841 

Graduado em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo. (UNITRI) 

Contatos:(34)99638-0717/ Instagram:@psicologothiag/ E-mail: thiagpsicologo@gmail.com 

 

Referência

GRILO, A. I. R. M. Processos comunicacionais em estudantes de fisioterapia e fisioterapeutas: Categorização e proposta de um treino individual de competências. 2010. 409f. Dissertação de Doutorado, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal. Disponível em:  <http://repositorio.ul.pt/handle/10451/2249>, Acesso em: 12 jan 2021.

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