(Filme) Parasita: Onde o amor impera, não há desejo de poder

Introdução

O filme Parasita realmente possui muitas mensagens, e também muitos ensinamentos à população mundial; além do contexto de três classes sociais (vou falar assim: rico (família Park), pobre (família Kim) e miséria (a primeira governante e seu companheiro), existe a realidade da desigualdade social, tecnologia e as questões sobre status, amor e poder.

Se você pesquisar o significado de parasita, irá compreender mais ainda o enredo do filme: Organismo que vive dentro de outro organismo, obtendo alimento e não raro, causando-lhe dano. Ou: indivíduo que vive à custa alheia por pura exploração ou preguiça.

Então, comecemos a análise. A partir do significado do tema do filme, vamos ver a dependência de duas classes sociais (pobre e miserável) na classe rica. Isso com intensidade e oscilação de sentimentos das duas classes, pela família Park.

No entanto, na maior parte do filme, o foco é na família Park e família Kim — ambas possuem o mesmo número de pessoas (4), sendo os papéis: marido, esposa, filha e filho. Tais famílias começam a ter uma relação de hierarquia: patrões e empregados; é daqui o início do contexto do filme.

Análise dentro da abordagem Analítica de Carl Gustav Jung

Os Kim são pobres e vivem em um porão, cuja situação é de extrema luta diária pela sobrevivência. Os pais estão desempregados e lutam para ter o básico, trabalham modelando caixas para pizza. Mas, nem neste serviço conseguem se manter. Aí entram os filhos ajudando também, mas sem êxito. Os filhos, mesmo ajudando, querem crescer na vida e começam a utilizar a inteligência: canalizam a libido para fins manipuladores em busca do poder.

Através de uma proposta e indicação de um amigo para Kim – Ki – woo, de tornar-se tutor da filha primogênita dos Park (fingindo ser quem não é, assumindo um papel que ele sempre idealizou), começando a obsessão doentia pelo poder. Um por um dos membros da família começam a entrar na mansão dos Park através de ambição desenfreada, ganância, mentiras, falcatruas, falsidade, enganos, manipulação, sem medir a consequência de tudo isso.

Através de uma idealização desses personagens (no qual, era realmente o que cada um gostaria de ser), cito uma frase famosa de Jung: Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro.

Este é mais um filme citando a sombra da sociedade. O uso de máscaras, os defeitos não trabalhados e aceitos de maneira equilibrada, vindo à tona como uma revolta. Tal revolta camuflada de bondade e engano.

A partir daqui relato mais: os Kim agora querem poder, custe o que custar. Fazendo o que for possível ou impossível para sair da situação de pobreza, humilhação e descaso. A busca pelo poder começa a dar sinais que não precisa – se mais das formas honestas de trabalho para vencer na vida. Assim, Kim – Ki – Woo é indicado por um amigo para ser tutor da primogênita dos Park – Da – HYE, iniciando, assim, a infiltração.

Este, usará de todos os pontos fracos dos Park para infiltrar cada membro da família. Ele observa cada falha e vai tirando proveito daí. Exemplo: a carência da primogênita, a agitação da criança, a preocupação excessiva e protetora da mãe e, ao mesmo tempo como é ela quem toma as decisões da casa, pois o marido trabalha muito, a alergia da governanta e assim sucessivamente. 

Tendo observado esta mãe e sua fragilidade. Ela é tão preocupada que dá sinais de superproteção, comportamentos manifestos de TOC (também do esposo), pela casa e por cada um da família deles. O perfeccionismo também impera, mas é um lar que ainda vejo o amor. Nestas brechas entram os demais integrantes da família Kim dentro da mansão. Através de planos destrutivos, sem nenhuma piedade, a infiltração está completa. Sabendo que os Park são orientados por indicação, status e admiram pessoas conceituadas e estudiosas, não buscando mais informações de cada pessoa que entra na casa deles, eis que o domínio já está realizado!

Aqui o famoso ditado: as aparências enganam, vira uma grande afirmação!

Dominando aos poucos, os Kim tramam e tiram de cena um a um dos obstáculos (vou chamar assim) que os impedem de concretizar cada plano. As tramas e manipulações ganham força, e sucessivamente geram consequências trágicas. O único que ainda demonstra sentimentos e emoções é o pai. Mas mesmo assim, é repreendido e puxado para as tramas em prol do poder.

Ele consegue demonstrar empatia, arrependimento, preocupação com o outro. Mas nesta altura do campeonato, o poder entra em cena e a razão é necessária. Os demais sabem lidar com suas emoções, possuem autocontrole. Isso tudo utilizado com muita cautela, audácia e sem nenhum receio de machucar alguém. Os sentimentos e emoções não podem ultrapassar a muralha que os cerca. O que passa desta muralha, são jogos de interesse.

O desfecho catastrófico do filme

Como sabemos que tudo que fazemos sempre terá um retorno, aqui menciono que a lei do retorno veio mesmo. Mesmo quando tudo for planejado com riqueza de detalhes como um crime, sempre haverá pistas. Esta pista foi a brecha deles. A ex-governanta sabendo da rotina dos Park, aparece e consegue entrar na casa, destruindo aos poucos tudo que os Kim armaram. Começa aqui a queda deles.

Eles descobrem que a ex-governanta, escondia uma pessoa (que mesmo naquela situação, demonstrava gratidão pelos Park, principalmente pelo senhor Park no porão da mansão), vivendo em condições piores que a deles. Tudo naquela noite conspirou a favor do início da queda dos Kim, que também gerou a queda de todas as classes envolvidas no enredo.

Aqui começa uma série de descobertas de ambas as partes, onde começa também um jogo de manipulação pelo ganho do poder e permanência na casa. Infelizmente entra em cena a violência física, no qual tem como consequências os crimes. Devido as situações, presenciamos situações de surtos, histeria e morte. Mas através destas situações, o verdadeiro EU de cada um vem à tona. Infelizmente, de forma trágica, mas como mencionei: há sempre uma consequência para tudo que realizamos!

No aniversário do caçula dos Park, a tragédia acontece e vale ressaltar: o caçula tido como anormal, é na verdade o mais sensato. Percebeu muitas coisas, inclusive o mesmo cheiro na roupa de cada membro dos Kim. A festa é transformada em tragédia, sangue e muita violência. Todas as famílias perderam familiares, todos sofreram o processo de perda e luto e ainda teve mais consequências: instabilidades emocionais, as sequelas do filho dos Kim, a mudança de casa dos Park, a perda da ex-governanta. O fim foi o mesmo para todos. 

Mas mesmo com a venda da casa dos Park, outro Parasita se instala lá: o pai (Kim). E mesmo o filho sobrevivendo e morando com a mãe, continuam a viver na ilusão de que vão sair desta situação um dia, ou seja, uma projeção que infelizmente não ocorrerá. O filho não aceita e não se adapta à realidade, gerando um mundo de fantasia, onde se vê comprando a casa e vivendo lá.

Aqui, observo a obsessão da parte do filho pela casa e seu contexto de uma vida de luxo, poder e status.

Conclusão

Realmente, vivemos em um mundo onde os sentimentos estão sendo enterrados, onde o amor não possui importância, independente da classe social.

Quer conhecer uma pessoa? Dá-lhe poder!

O poder encobre o amor, e dependendo da personalidade, pode levar-nos a situações onde podemos até alcançar o topo de uma montanha, mas nunca nos levará a tocar o céu! A queda será maior e causará graves danos ou sequelas. Mas tocamos no céu agindo com amor, trabalho honesto e com bom caráter? Também não!

Sabemos que no caminho da individuação nunca seremos perfeitos, mas vamos aprender a lidar com frustrações, enfrentando situações negativas com equilíbrio, canalizando a libido de forma certa e harmoniosa. A busca pelo poder ocorre em qualquer classe social, em qualquer pessoa. A tecnologia está estimulando a ganância e a facilidade na obtenção de informações. Mas nem sempre estão sendo utilizadas para o bem. Precisamos observar mais o bem x mal.

O mal, com efeito, vem criando força e sendo admitido e aceito na personalidade humana com muito mais frequência.

Que possamos refletir e muito com o Parasita!

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