Carreira

Você está feliz com a sua vida profissional?

Identidade profissional: Expectativa versus realidade

Nem sempre somos nós quem escolhemos a própria profissão, e mesmo quando fazemos a nossa escolha, por vezes, ela é motivada por elementos mais externos do que internos.

Quando começamos a nossa carreira somos muito jovens para ter clareza do que realmente gostamos, do que fazemos bem e se é aquilo que gostaríamos de fazer por toda a vida. Além dessas incertezas, não tínhamos a noção de como é a vida profissional:

  • Rotina,
  • Prazos apertados,
  • Chefes que não lideram,
  • Empregos muitas vezes mal remunerados,
  • Pressões familiares ou sociais a respeito dessa ou daquela profissão,
  • Etc.

Todos esses fatores (além de muitos outros) influenciam nossa entrada no mercado de trabalho e com o tempo percebemos que pouco (ou nada) do que fazemos reflete quem realmente somos ou quem gostaríamos de ser.

Um caminho em construção: altos e baixos

O fato é que, bem ou mal, construímos a nossa identidade profissional ao longo da jornada. Nossas escolhas iniciais vão abrindo portas para ganharmos títulos (arquiteta, professor, engenheira, publicitário), cargos (analista, coordenador), passamos a ser reconhecidos pelas funções (a Maria do RH da empresa Y) e por tempos isso nos faz feliz, mas… e depois? 

É natural que haja altos e baixos na carreira, assim como em tudo na nossa vida cotidiana. Existem situações que nos motivam como quando somos promovidos ou quando nos alocam naquele projeto legal da empresa em que você sabe que te trará visibilidade e quem sabe novas oportunidades; mas também há aqueles períodos em que não há mais brilho nos olhos, dormir um pouco mais parece muito mais atrativo do que se arrumar para ter um bom dia de trabalho ou mesmo aqueles dias que parece melhor almoçar sozinho do que com aquele colega de trabalho que você não curte muito.

Mas e agora, o que eu posso fazer?

O primeiro passo para sairmos dessa insatisfação profissional é admitir que algo não vai bem. É comum receber no consultório pacientes “tudo ou nada”: que se veem como culpados por todo o “fracasso” nas suas vidas ou como vítimas de um mercado de trabalho cruel e sem solução.

A boa notícia é que as coisas não precisam ser assim e você pode fazer mudanças na sua forma de perceber e se colocar no mundo para que as coisas sejam mais leves, autênticas e felizes.

Se você se sente infeliz ou insatisfeito com o seu trabalho, que tal começar por um autorretrato profissional?

De frente para o espelho: quem sou eu?

O primeiro passo foi dado. Sabemos e admitimos que as coisas na vida profissional não vão como você gostaria. Mas, o que você gostaria? Você tem autoconhecimento suficiente para saber o que quer para você e sua carreira? 

Se é difícil saber o que deseja a partir de quem você é, vamos pensar um pouco sobre a situação atual que te incomoda. Reflita sobre alguns pontos que vão facilitar esse caminho de redescoberta:

  • O que te incomoda é o seu trabalho/emprego ou a sua profissão? (Vamos imaginar que você é professora. O que não te faz feliz hoje é trabalhar nessa escola ou você descobriu que ensinar já não te move mais como era antigamente?)
  • Se você recebesse uma oportunidade de trabalho em algo onde as atividades desenvolvidas são muito parecidas com as que você faz no seu emprego atual, mas a empresa tem um perfil bem diferente. Isso te agradaria ou não faz diferença?
  • Se você pudesse escolher uma única opção, qual seria?
  1. Trabalhar com pessoas diferentes;
  2. Desempenhar novas atividades;
  3. Trabalhar sozinho.

Os 3 motivos de insatisfação profissional mais comuns e por que é importante saber disso!

Com as perguntas do bloco anterior, o meu objetivo foi estimular a sua autorreflexão sobre qual ou quais os aspectos que hoje te impedem de ser mais feliz no trabalho. Dentre os motivos mais comuns que recebo no consultório, os três principais são: 

  1. Líderes ou empresas disfuncionais – exigem um perfil “sobrehumano” de profissional, exercendo controle excessivo, dando pouca autonomia e sobrecarregando o emocional das equipes com alta expectativa e baixa recompensa;
  2. Falta de propósito – os profissionais não veem sentido no que fazem ou de que maneira isso se conecta com algum retorno positivo para si e/ou para o mundo ou simplesmente não se identificam com as atividades ou o formato de trabalho;
  3. Falta de empatia – equipes que se consideram concorrentes entre si e gera competitividade entre os integrantes do mesmo time, fazendo com que o profissional se sinta o tempo todo inseguro e incapaz.

Isso tudo não significa que você precisa estar em um desses cenários. E espero que realmente não esteja! Independente de qual foi a “imagem” que você viu a seu respeito a partir do exercício anterior, o importante é que você consiga perceber que não é você a causa do momento profissional que está passando e que é possível, sim, mudar o seu caminho.

Para novos caminhos são necessários novos passos!

Se você chegou até essa parte do texto significa que de algum modo você se identificou com essa necessidade de mudança. E como já dizia Albert Einstein: “Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual”. Impossível discordar, não é?

Talvez você já tenha dado alguns passos em direção a uma mudança, mas quando estamos envolvidos com a situação nem sempre conseguimos avançar muito sozinhos. Por isso, convido você a procurar ajuda profissional para alcançar os resultados que você espera, afinal só a partir do autoconhecimento você terá clareza de qual realmente é o caminho que deseja trilhar e de como fará isso.

Rumo à mudança!

Agora depende de você! Reflita sobre tudo o que tem sentido, seus pensamentos, motivações e desmotivações e anote o que perceber que te incomoda ou que gera algum tipo de desconforto emocional. Anote também as coisas de que você gosta de fazer e que te geram uma sensação de bem-estar, sejam pessoais ou profissionais.

Que tal falar sobre todas essas coisas com alguém que possa te ajudar a entender suas motivações, ensinar a lidar com as emoções e melhorar a sua relação consigo mesmo?

Não há fórmula mágica para vivermos uma vida plena! Cada um de nós tem seus caminhos, com alegrias e dificuldades, mas nem por isso deixa de ser possível viver de forma equilibrada e feliz.

Sobre a autora

Obrigada pela sua companhia na leitura desse texto. Meu nome é Deborah Griebeler, sou psicóloga há mais de 15 anos atuando com desenvolvimento humano e profissional. Nos últimos anos tenho me dedicado às questões emocionais ligadas à identidade profissional, satisfação pessoal e profissional, orientação de carreira e profissionais em transição de carreira e empreendedores. Se quiser conhecer mais sobre o meu trabalho, entre no meu perfil na Plataforma Psicologia Viva ou entre em contato pelo WhatsApp pelo (11) 97151-7977. Ficarei feliz em conversar com você!

Referências bibliográficas

  1. Goleman, Daniel. Inteligência Emocional. Objetiva, 1996.
  2. Honneth, Axel. Luta por Reconhecimento. Editora 34, 2009.
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