Psicologia geral

Múltiplos estilos de aprendizagem, você sabe qual é o seu?

Você sabia que temos diversas formas e estilos de aprender? Existem várias possibilidades e maneiras de aprendizagem que vão além do raciocínio lógico matemático, geralmente o mais cotado quando o assunto é inteligência ou aprendizagem.

Ainda hoje é o tipo de inteligência que a maioria dos intelectuais acreditam que toda pessoa deve ter de forma exclusiva.

Cada ser humano possui múltiplos estilos de aprendizagem que são maneiras de aprender alguma coisa ou assunto. Não aprendemos simplesmente quando estamos em uma sala de aula escutando o professor, escrevendo no caderno de anotações ou quando lemos sobre um determinado tema específico. 

Diferentes formas de aprender

Nós podemos aprender de diferentes maneiras: Pode ser com leitura mesmo, como já citei acima, pode ser ouvindo um podcast ou uma aula gravada em EaD, aulas on-line ou documentários em plataformas de Stream, participando de um seminário, apresentando ou ministrando aulas, fazendo atividades práticas sobre um tema específico, aprendemos sozinhos (autodidata), participando de debates em grupo de estudos mantendo interações com outras pessoas, assistindo a aulas em apresentações projetadas, aprendemos com a natureza em seus processos físico-químicos, com testagem em laboratórios, expressão artísticas, quando tocamos um instrumento musical, quando praticamos esportes, quando praticamos uma arte marcial, quando jogamos xadrez ou jogos de tabuleiro, app de testes, aprendemos quando desmontamos legos ou criamos enigmas ou quebra-cabeças, etc.

Você já ouviu falar no psicólogo e cientista norteamericano Howard Gardner?

Howard Gardner em Congresso Socioemocional, LIV 2018.

Ele causou forte impacto no meio educacional e da neuro-aprendizagem com a sua teoria das múltiplas inteligências, divulgadas no início da década de 1980 e que até hoje vem sendo amplamente estudada. Onde justamente ele aborda os diferentes processos de aprendizagem e as aptidões intelectuais humanas.  

Muito antes dos seus estudos o padrão mais aceito para a avaliação de inteligência eram os testes de QI, criados nos primeiros anos do século 20 pelo psicólogo francês Alfred Binet (1857-1911) a pedido do ministro da educação de seu país.

O QI (quociente de inteligência) media, basicamente, a capacidade de dominar o raciocínio que hoje se conhece como lógico-matemático, mas durante muito tempo foi tomado como padrão para aferir se as crianças correspondiam ao desempenho escolar esperado para a idade delas.

O que hoje verifica-se é que apenas medir uma inteligência de forma lógico matemática não define por si só a capacidade humana de aprendizagem nem muito menos de inteligência. E não se pode ser a única referência em uma sala de aula para um professor conhecer e classificar o seu aluno. 

Antigamente havia muito preconceito e estereótipos para os alunos “brilhantes”, aqueles que conseguiam tirar notas máximas na escola.

Mas, no entanto, outros alunos que talvez não tivessem essa mesma forma de lidar com provas e livros também apresentam uma forma de inteligência diferente do “padrão” e muitas vezes sofrem por falta de preparo e desqualificação sobre o tema por meio dos profissionais da educação e outras áreas. Já que até os dias atuais, infelizmente, grande parte das escolas apenas ensinam e avaliam apenas a inteligência linguística e lógico matemática. E

já sabemos que este tipo de educação limitada é inadequada para educar os alunos na plenitude do seu potencial. 

A necessidade de mudança no paradigma educacional foi trazida à discussão pela Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner.

A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner

Ainda precisamos entender que a diferença de uma cultura também pode influenciar em aspectos de habilidades e inteligência.

Pois o que se é valorizado e estimulado em cada contexto sócio-histórico também determina certos comportamentos que destacam uma vertente da inteligência. Gardner em suas pesquisas considerou estudos com “gênios”, mas também com pessoas com lesões e disfunções cerebrais incluindo o mapeamento encefálico onde ele foi formulando hipóteses que por sua vez trouxe algumas conclusões.

Ele destaca que cada um de nós temos um número de faculdades mentais que são relativas, ou seja, todos somos diferentes. Apresentando, então, os sete tipos de inteligência que, mais tarde, acrescentaria mais duas, são estas:

  1. Lógico-matemática: é a capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções. 
  2. Linguística: é a habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita para atingir objetivos. Como a comunicação interpessoal, por exemplo.
  3. Espacial: é a disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam a visão como fator predominante.
  4. Físico-cinestésica: podemos entendê-la como uma “inteligência corporal”. É o potencial para usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar produtos. Vai desde montar um brinquedo até contribuir na construção de um carro ou uma casa ou de praticar esportes e artes maciais.
  5. Interpessoal: é a capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e consequentemente de se relacionar bem em sociedade.
  6. Intrapessoaldiretamente ligada ao desenvolvimento de uma compreensão de si. É a inclinação para se conhecer e usar o entendimento de si mesmo para alcançar certos fins.

Uma pequena observação aqui: hoje lê-se Inteligência emocional (Aptidão Interpessoal e Intrapessoal).

  1. Musical: é o que muitos chamam de talento musical. É a aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais.
  2. Inteligência Natural: aquela que está relacionada ao reconhecimento e classificação de uma espécie da natureza.
  3. Inteligência Existencial: ligada a reflexão sobre temas que estão presentes na nossa vida.

Novas perspectivas de metodologia de ensino e procedimentos educacionais

Em diferentes fases da nossa vida poderemos utilizar esta multiplicidade de inteligências, mas com certeza poucas delas serão destaque em sua vida pessoal. Daí a importância deste entendimento. Tanto para educadores como para os eternos aprendizes que somos nós.

Saber como eu e você aprende vai fazer muito mais sentido na hora do plano de estudos para entendimento de um assunto ou tema específico. Lembrando que não há um tipo de inteligência mais valiosa do que a outra. Todas as múltiplas inteligências têm a sua importância.

Um questionamento para os educadores: Você conhece o estilo de aprendizagem dos seus alunos individualmente? Você sabe como deve proceder para atender aos diferentes tipos de inteligência que estão em sua sala de aula, em seu curso, seminário ou workshop? 

Esta teoria possibilitou pensar-se em novas perspectivas de metodologia de ensino e procedimentos educacionais para estimular as áreas potenciais dos alunos, incluindo não apenas os aspectos cognitivos, mas também os socioemocionais. Levando os alunos a descobrirem suas aptidões e os melhores caminhos no delineamento de suas trilhas de estudo.

Estimular que as pessoas consigam resolver problemas usando suas diferentes inteligências é uma das principais contribuições dessa teoria. Isto porque mostra que toda essa reflexão está diretamente relacionada à melhora da vida social e emocional entre as pessoas. Mais do que isso, está relacionada à melhora da convivência consigo mesmo. Visão na qual cada pessoa consegue perceber-se como inteiro da sua maneira, dentro e fora das salas de aula.

Como constantemente estamos aprendendo é importante entender como funcionamos e quais nossas principais habilidades e aptidões.

Está curioso ou já conhece suas principais habilidades de inteligência? Sabe aproveitá-las ao máximo?

Eu posso te ajudar neste tema. Se tiver interesse em se conhecer melhor, entender seus alunos e seu público-alvo ou entender a sua vocação, não deixe de entrar em contato.

Juliane F da S Figueiredo
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