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Psicólogos nas escolas públicas: Mudando a realidade de alunos e professores

Nos últimos tempos, vimos crescer a demanda por psicólogos nas escolas públicas brasileiras.

Como se sabe, a infância e a adolescência são momentos de muitas descobertas e transformações, e algumas delas podem ser bastante turbulentas.

Além disso, o Brasil está entre os países com maior incidência de transtornos emocionais como ansiedade e depressão, situação agravada pelos acontecimentos iniciados em 2020.

Os dados acima também são observados entre os mais jovens. E sem um suporte emocional adequado, problemas maiores podem surgir.

Veja abaixo como a presença de psicólogos nas escolas públicas é capaz de transformar essa realidade.

O sofrimento mental de crianças e adolescentes

A infância e a adolescência são fases da vida críticas para a saúde mental: o cérebro acaba passando por estágios de crescimento e desenvolvimento muito rápidos.

Também são nessas fases que os indivíduos alcançam habilidades cognitivas e socioemocionais que moldarão a sua saúde mental no futuro. E essas habilidades são muito importantes para os papéis adultos que irão assumir na sociedade.

Nesse sentido, a qualidade do ambiente onde eles crescem é capaz de moldar o bem-estar e o desenvolvimento deles. E isso inclui o ambiente escolar.

E já se sabe que a exposição a experiências negativas de forma precoce aumenta o risco de doenças mentais.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo o mundo, cerca de 10% das crianças e adolescentes vivenciam algum transtorno mental, mas a maioria deles não procura ajuda ou recebe cuidados.

Assim, considerando que os jovens passam grande parte dos seus dias no ambiente escolar, ainda que virtualmente, o contato constante com um psicólogo pode ser o grande diferencial para interromper ciclos negativos.

Os maiores desafios nas escolas públicas

Antes de aprofundar o assunto, é importante destacar que a atuação de psicólogos nas escolas públicas é tão fundamental que a atividade foi regulamentada por Lei Federal.

As áreas da Psicologia e Educação já dialogavam há décadas, mas não havia um reconhecimento formal.

Nesse sentido, os profissionais designados para as escolas devem atender às necessidades e prioridades definidas pelas políticas de educação, por meio de equipes multiprofissionais.

Ainda de acordo com a referida Lei, as equipes multiprofissionais deverão desenvolver atividades para a inovação e melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem.

As ações serão realizadas em conjunto com a comunidade escolar, atuando na mediação das relações sociais e institucionais.

Assim, não há dúvidas de que a Psicologia desempenha um papel fundamental para a educação como um todo.

Em um contexto de escolas públicas, o desafio é ainda maior. Afinal, há a incidência de privações de toda espécie, estigmas, exclusão social, preconceitos e, inclusive, violência.

Há ainda o aumento nos casos de bullying, presenciais e virtuais, nos últimos anos. A Internet acabou tornando ainda mais potente esse tipo de agressão.

E o resultado já é visto nos números: cerca de 10% dos alunos de escolas públicas não concluem a alfabetização.

Nesse sentido, as consequências de não abordar a saúde mental e o desenvolvimento psicossocial de crianças e adolescentes podem se estender até a idade adulta, reduzindo as oportunidades de uma vida plena no futuro.

Por isso, a inserção de psicólogos nas escolas públicas deve ser encarada como um fator de potencialização de condutas positivas e inclusivas.

E vale ressaltar que o apoio trazido aos alunos pelos profissionais de Psicologia se estende à comunidade escolar: professores, diretores e familiares. Assim, nesse cenário, há uma maior garantia dos direitos dos envolvidos.

Como acontece o acolhimento psicológico nas escolas

Como já mencionado neste artigo, crianças e adolescentes passam boa parte de seu tempo na escola, envoltos em suas atividades. Aliás, o acesso a um ambiente escolar de qualidade é, antes de tudo, um direito de crianças e adolescentes

Assim, a escola não é apenas o local no qual são ensinadas as matérias previstas no currículo escolar. É nela onde os alunos acabam criando vínculos sociais importantíssimos, além de conviverem com pessoas de diferentes realidades, personalidades e comportamentos.

Por isso, cabe ao psicólogo contribuir na mediação dessas relações. Em sua atuação, deve haver o foco na criação de espaços seguros de promoção de diálogo e debate, envolvendo toda a comunidade escolar.

Além disso, o acolhimento nas escolas públicas também deve englobar a defesa de uma educação cada vez mais inclusiva e plural, com respeito à diversidade e às diferentes necessidades.

A presença do psicólogo pode se dar por meio de encontros presenciais ou virtuais, com os agendamentos realizados de acordo com a realidade e demanda de cada escola. Situações externas também merecem atenção, como ocorreu durante a pandemia.

Cabe ao profissional orientar nos casos de dificuldades no processo de escolarização, auxiliar as equipes de educação, colaborar com as ações de enfrentamento à violência. Quando se trata de Psicologia Escolar, não existe um roteiro predeterminado – cada escola é única.

Portanto, não resta dúvida que a presença de psicólogos nas escolas é capaz de transformar a realidade de alunos e educadores.

É necessário lutar por uma educação de qualidade e inclusiva, embasada na defesa dos direitos humanos.

Quando todos trabalham em prol do mesmo objetivo, educacional e emocional, quem ganha é a sociedade.

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Referências

  1. Collares, C. A. L. e Moysés, M. A. A. (1996). Preconceitos no cotidiano escolar: ensino e medicalização. São Paulo: Cortez Editora, Campinas: UNICAMP/Faculdade de Educação/Faculdade de Ciências Médicas.
  2. Kupfer, M. C. M. (2000). Educação para o futuro: Psicanálise e Educação Săo Paulo: Escuta.
  3. Meta-descrição: A presença de Psicólogos nas escolas públicas vem mudando a realidade de alunos e professores. Entenda melhor neste artigo!
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