Saúde

10 dicas para lidar com o Transtorno Obsessivo‑Compulsivo

A palavra obsessão é frequentemente usada na fala cotidiana para indicar qualquer interesse ou preocupação que alguém considere extrema ou exagerada, como pensamentos ou imagens intrusivos e recorrentes que um indivíduo considera indesejáveis ou desagradáveis e dos quais tenta se livrar. O comportamento pelo qual ele tenta se livrar é conhecido como compulsão.

As principais características do TOC são:

  1. Tratar seus pensamentos e sentimento e imagens como estranhos, bizarros, maus, perigosos e loucos.
  2. Monitorar seus pensamentos e sentimentos e buscar uma certificação que dá conta de todos eles, sendo muito comum examinar sua mente e sentimentos em busca de qualquer sinal de qualquer coisa que saia do comum.
  3. Examinar o conteúdo de suas obsessões intrusivas.
  4. Presumir que seus pensamentos levarão à ação ou que seus pensamentos são a mesma coisa que a realidade. Isso se chama fusão pensamento – ação, como resultado dessas crenças, de que os pensamentos se tornam realidade, o indivíduo se torna desesperadamente motivado a eliminar completamente esses pensamentos.
  5. Suprimir todos os pensamentos indesejados. Você pode dizer para si mesmo: “Tenho de eliminar esses pensamentos”. Dada a crença de que esses pensamentos bizarros são um sinal de algo defeituoso e vergonhoso, você tenta se livrar deles, quando você não consegue suprimir esses pensamentos e imagens, começa a notar que eles voltam, às vezes mais fortes.
  6. Presumir que seu retorno a esses pensamentos indica que você perdeu todo o controle.
  7. Desenvolver rituais ou comportamentos de neutralização de pensamentos, emoções e imagens, fazendo com que sua ansiedade temporariamente diminua. É assim que suas compulsões se reforçam, como a única forma que funcionará para neutralizar suas obsessões. Isso aumenta a probabilidade de que você fique obcecado e passará a usar as compulsões no futuro.
  8. Evitar quaisquer situações que acionem suas obsessões. Pelo fato de certas situações ou pessoas poderem estar associadas com suas obsessões, você poderá se pegar evitando muitas experiências.

Como lidar com o TOC

Primeiramente, todas as pessoas têm imagens e pensamentos estranhos. Isso é normal. Isso não indica nada de errado com você.  A questão é quando você começa fazer avaliações negativos desses pensamentos e imagens como:

  • Eles são ameaçadores,
  • Eles representam algo de ruim a seu respeito,
  • Você acredita que haja uma grande probabilidade de algo ruim acontecer,  
  • Você acredita que precisa de soluções perfeitas.

Lembre-se: 

  • Os pensamentos e imagens “estranhos” não querem dizer nada a respeito de você ou de seu futuro.
  • Eles não são ameaçadores. 
  • As pessoas não ficam loucas por causa dessas imagens e pensamentos. 
  • Eles não representam nada de mau ou fora de controle a seu respeito. 
  • Pensamentos não indicam que algo de ruim vai acontecer. 
  • A realidade não é determinada por seus pensamentos. 
  • Não há soluções perfeitas.  
  • Suprimir todos os pensamentos e imagens não funciona; os pensamentos voltam. 

Você acredita que não tem controle

Você está baseando essa crença no fato de que não tem controle sobre seus pensamentos e imagens. É impossível – e desnecessário – controlar pensamentos e imagens. Liste todos os comportamentos e resultados que você controla todos os dias. 

Agir de maneira compulsiva

Toda vez que você age de maneira compulsiva, você reforça sua crença de que tem de eliminar obsessões e de que as compulsões são a única alternativa para você. Em vez de agir compulsivamente, você pode atrasar tal comportamento, expondo‑se às coisas que fazem com que você tenha obsessão, freando completamente a compulsão.

Você continua a ter determinada compulsão até ter uma sensação de finalização

Você tem adotado atitudes compulsivas até sentir que as coisas estejam acabadas “completamente” ou até que você sinta ter feito o “suficiente”. Se agir compulsivamente, tente encerrar tal comportamento antes da sensação de finalização – faça as coisas de maneira imperfeita.

Dicas: 

  1. Construa sua motivação. O TOC gera impacto significativo em sua vida. Ele o impede de fazer coisas que outras pessoas facilmente fazem. Pode interferir em seu trabalho, relacionamentos, lazer e muitas outras coisas. Mas para modificá‑lo você terá de fazer algumas coisas que são desconfortáveis. 
  2. Examine por que suas obsessões são irracionais ou demasiado extremas. O que a maior parte das pessoas pensaria, já que elas têm os mesmos pensamentos que você. Por que elas não são obsessivo‑compulsivas? Talvez elas aceitem seus pensamentos e deem continuidade à vida normalmente.
  3. Examine suas crenças negativas sobre pensamentos intrusivos. Pergunte‑se se você realmente precisa prestar atenção aos pensamentos, se os pensamentos realmente o tornam uma pessoa responsável, se mudam ou sobrecarregam sua realidade ou se você realmente precisa suprimi‑los.
  4. Mude seu relacionamento com seus pensamentos. Seja receptivo com seu pensamento, observe‑o flutuar como uma folha sobre a água e tome conta de seu pensamento como se ele fosse uma pessoa sozinha.
  5. Evite automonitorar seus pensamentos. Você pode praticar permitir que sua mente se afaste das obsessões quando elas ocorrem. Por exemplo, pode permitir que sua mente reenfoque vários objetos do local em que você estiver, contando‑os e descrevendo formas e cores. Isso demonstra que não é preciso prestar atenção em seu pensamento.
  6. Pratique o pensamento em vez de suprimi‑lo. Se você tiver medo do pensamento “Posso ficar louco”, pratique dizê‑lo em voz alta 15 minutos por dia. Você constatará que não vai ficar louco – na verdade, ficará entediado. Isso deve provar que ter um pensamento não é perigoso.
  7. Elimine compulsões. Identifique um “gatilho” para suas obsessões e compulsões. Por exemplo, se você tem a compulsão de lavar as mãos, o gatilho pode ser sujá‑las. Coloque suas mãos em um local sujo – por exemplo, esfregue as mãos no chão ou mexa na cesta do lixo. Suje suas mãos. Depois, não as lave durante uma hora. Tolere a ansiedade. Se você tem medo de cometer um erro, pratique cometer erros nos papéis e fazendo contas. A isso chamamos de exposição com prevenção de resposta.
  8. Atrase suas compulsões. É difícil eliminar a compulsão inicialmente. Atrase‑a. Quando perceber sua obsessão, tente esperar 20 minutos antes de dar início a seu comportamento compulsivo. Isso enfraquecerá o desejo de dar início a tal comportamento.
  9. Modifique a compulsão. Suas compulsões podem ser bastante rígidas. Romper com elas pode implicar modificá‑las. Por exemplo, se você sentir a necessidade de repetir algo indefinidamente, interrompa a repetição; faça algo diferente em meio às suas repetições. Se você tem rituais de se lavar a todo momento, tente uma maneira diferente de se lavar. Muitas pessoas repetem suas compulsões até que atinjam uma sensação de finalização. Tente modificar isso, encerrando a compulsão antes de sentir tal sensação.
  10. Planeje a recaída. O TOC terá variações de intensidade. Mesmo que você tenha sucesso em revertê‑lo, há uma boa chance de que os pensamentos e urgências retornem. Não fique alarmado. Isso simplesmente significa que você deve, mais uma vez, implementar as técnicas que acabou de aprende.

Muitas vezes quem sofre com TOC se sente envergonhado e autocrítico em relação ao problema. Tente manter em mente o fato de que o TOC é uma capacidade que evoluiu para nos proteger, apenas se desenvolveu em demasia. Muito embora tenha sofrido por muito tempo, você pode melhorar se tiver a ajuda certa. Alguns casos podem exigir uma intervenção medicamentosa para equilibrar e ajustar as disfunções neurológicas.

Não deixe de procurar ajuda profissional, não faça diagnósticos por conta própria, quanto mais você vier a conhecer sobre sua vivência particular mais você estará ao rumo à melhora.

Lembre-se você não está sozinho(a).

Referências

  1. LEAHY, Robert L. Livre de Ansiedade, Porto Alegre, Artmed, 2011. LEAHY, Robert L., Técnicas de Terapia Cognitiva, manual do terapeuta.
  2. RANGÉ, B. Terapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
  3. SADOCK, B. J.; SADOCK, V. A.; RUIZ, P. Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
Fransuele Pereira Gularte
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