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Decisão de ter um filho por adoção

Adoção e questões para elaborar

O sonho do filho biológico

Dizem que todas as mulheres sonham em ter um filho, pode ser um ditado popular, mas tem um fundo de verdade, pois a maioria das pessoas que tem filhos chega à conclusão que não conseguiria viver sem eles. O exercício das funções parentais realmente realiza uma pessoa e nos permite viver um novo estágio das nossas vidas, assumindo novas funções e um papel determinante para nossa realização pessoal.

Quando o filho não vem

O que falar de homens e mulheres que não se casam? Ou que se casam e não conseguem ter os filhos pelas vias naturais? Os castelos de sonhos se desmoronam, vem a tristeza, a depressão, vive-se uma situação que parece não ter saída.

Vive-se o luto, quase como de uma morte, que segundo Elisabeth Kubler Ross tem cinco fases: a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação.

Digamos que a maioria das pessoas, diante da impossibilidade de realizar o sonho de ter um filho, passe por pelo menos duas destas fases. Talvez no momento em que a pessoa chegue na fase de aceitação, consiga ver a luz no fim do túnel e enxergue outras possibilidades. Alguns se voltam a cuidar ou envolvem-se mais com sobrinhos ou afilhados, ou apadrinhar uma criança institucionalizada, mas se a lacuna e o vazio continuam então é hora de ver a adoção como forma de ter um filho. 

O que é adoção segundo a lei

A adoção, no Direito Civil, é o ato jurídico no qual um indivíduo é permanentemente assumido como filho por uma pessoa ou por um casal que não são os pais biológicos do adotado. O Estatuto da Criança e do Adolescente no seu art. 41, também estabelece o conceito legal de adoção, vejamos:

“A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais.”. 

O que é adoção afetiva

Em um vídeo no Youtube da Geração Amanhã, em que há uma entrevista com o psicólogo Luiz Schettini, ele  disse:

“A adoção afetiva é uma relação visceral, é mais do que algo bonito. As famílias que têm filhos adotivos constroem, em geral, uma relação afetiva muito profunda, porque não tem aqueles elementos das famílias que geram seus próprios filhos para se assegurarem em fatos históricos e biológicos. Na família adotiva há uma necessidade de um aprofundamento das relações afetivas”.

Sendo assim, uma pessoa para entrar em um processo de adoção precisa estar muito consciente de seu desejo e preparada para enfrentar os desafios de exercer as funções parentais de alguém que não tem com você uma identidade sanguínea. A adoção é um ato de amor e responsabilidade.

A vantagem nos casos de adoção é que, entre casais, homem e mulher, ambos têm que se preparar para serem pais e entram iguais em uma relação com um filho. Nenhum deles engravidou e isso acaba com o monopólio da mãe, que é quem gera e potencialmente tem mais direitos sobre os filhos. Uma coisa fica clara, a adoção é uma forma de você ter um filho, reconhecida por lei, sem diferença alguma com os filhos biológicos.

Portanto é um passo muito importante para se tomar, pois envolve a vida de uma criança ou de um adolescente, já ferido pelas perdas e pelos sofrimentos da vida. É uma situação definitiva e por isso todas as precauções devem ser tomadas, não se pode errar.

Oito questões para se refletir antes de adotar uma criança 

  1. Se o seu sonho é o de ter filhos biológicos, antes de adotar, é importante terem sido esgotadas todas as tentativas de ter esse filho, ou seja, tratamentos para infertilidade, fertilização in vitro, inseminação artificial, coito programado, indução da ovulação ou até gravidez com gametas ou embriões doados;
  2. A decisão deve ser do casal. Se este for o caso, nunca de apenas um deles;
  3. A decisão não pode partir da ideia de dar um irmão ao filho que já existe, principalmente se esse for filho biológico, pois esta alternativa tem grandes chances de não ter sucesso. Mesmo porque a chegada de um irmão certamente gerará ciúme ao outro irmão, e os pais se não tiverem o desejo real de ter esse filho, poderão desistir da adoção ao ver o filho sofrendo;
  4. A adoção não pode servir como forma de substituir um filho que morreu, principalmente se esse filho era  biológico. Nenhum filho substitui outro;
  5. A adoção não é para ser um “boa ação”, nunca! Você não pode ter um filho por pena ou solidariedade, ou mesmo para pagar uma promessa. Um filho é para sempre e você viverá com ele todos os tipos de sentimentos, bons ou ruins;
  6. Ter consciência que você se submeterá a um processo de avaliação e estar disposto para tal. Atualmente o processo é longo, com cursos e entrevistas conforme prevê a lei;
  7. Avaliar seu desejo, seu sonho e saber qual o perfil da criança ou adolescente que você quer ter como filho. Exemplo: idade, sexo, características físicas, se aceita irmãos e quantos, se está disposto e preparado a aceitar crianças com problemas de saúde, alguma deficiência física ou mental ou se apenas quer uma criança saudável;
  8. Outra situação de extrema importância para se refletir é que seu filho terá uma história, e essa nem sempre será positiva, podendo ser de abandono, de rejeição, ter sido vítima de abusos, maus tratos, genitores usuários de drogas, com histórico de enfermidades e outras coisas mais. Desta forma, é importante avaliar qual é a sua capacidade interna de enfrentar e estar preparado para lidar com histórias tão adversas.

Conclusão

Para tudo isso é importante diálogo, estudo e possivelmente a necessidade de acompanhamento psicoterápico, a fim de te auxiliar a tomar uma decisão acertada e que não trará prejuízo para você, para sua família e principalmente para a criança ou ao adolescente que será adotado, o qual não deve viver mais um trauma ou rejeição que lhe poderá ser emocionalmente irreversível.

Por outro lado, a adoção tem sido fonte de realização de muitos pais e filhos, mudando histórias de crianças e adolescentes, trazendo outras perspectivas de vida a quem se envolve nesse grande desafio pleno de emoções.

ANDREA TREVISAN GUEDES PEREIRA
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