Desenvolvimento pessoal

O “golpe do namoro virtual”: isso pode estar acontecendo com você!

No mundo moderno e com a chegada da internet, distâncias foram encurtadas rápido demais. Tudo parece atraente e belo, em telas onde fotos e vídeos são editados para reforçar a ilusão de que a vida perfeita existe e está ao alcance de todos. 

Uma nova pressão e cobrança para a felicidade e o sucesso surge para o ser humano moderno, mas sua psique, seu íntimo, sua cultura e suas crenças, tão enraizadas, não conseguem se atualizar com a mesma rapidez que os eletrônicos.

A nossa cultura ainda é permeada de costumes passados de geração a geração, trazendo para os dias atuais necessidades e valores antigos. É o que acontece com o amor romântico, por exemplo, que muito longe do companheirismo e parceria que se espera de um casal moderno, ainda propaga o mito de príncipes guerreiros e princesas em suas torres solitárias, esperando que eles as salvem.

Em novos e modernos moldes, a mídia ainda propaga a ideia de conto de fadas que alimenta o sonho de muitas pessoas.

Já que a vida real se mostra rotineira e insatisfatória, algumas pessoas usam a internet como fuga. Muitas delas usam aplicativos e redes sociais para encontrar alguém que caiba em seu ideal de par romântico. É aí que mora o perigo. 

O par perfeito” aparece em perfis nas redes sociais, com vidas aparentemente perfeitas e valores raros. Solicitam amizade e atenção, e logo fazem elogios, promessas, declarações de amor e até pedidos de casamento repentinos. A pessoa, encantada com a perspectiva de uma nova e brilhante vida, deixa-se envolver, sem saber que do outro lado uma armadilha está sendo preparada: os chamados golpes do namoro virtual. 

São máfias, quadrilhas inteiras, instaladas em países que se encontram em situação de grave miséria e guerra, em terras orientais. Eles sabem da solidão de que os ocidentais estão cada vez mais expostos, conhecem seus sonhos e desejos, conhecem os mitos que norteiam suas vidas e se aproveitam disso para iludi-los, saqueá-los até o último centavo e, em casos mais extremos, aliciá-los para o tráfico humano. 

Todas as idades, gêneros e classe sociais estão sujeitos a este tipo de golpe. Qualquer pessoa que pareça solitária e vulnerável emocionalmente, torna-se alvo fácil dos golpistas. E, infelizmente, são as mulheres as mais procuradas por eles. 

Isso porque, em nossa cultura, ainda existe a pressão social para que as mulheres encontrem um provedor, alguém que lhe traga a felicidade completa em uma bandeja, lhe dê filhos, casas e posses. Ao invés de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, ela é incentivada desde muito cedo pela mídia, círculos sociais, família, religião e política a partir de si mesma para o outro, em busca de um par idealizado que a nutra de comida e amor. Ela cresce acreditando que só terá valor, só terá lugar e respeito na sociedade quando estiver em um relacionamento normativo, hétero e cis.

Essas mulheres estão em alto risco de vulnerabilidade social. Pois o namoro virtual e o processo insidioso do golpe acontecem em silêncio. 

A maioria delas não tem conhecimento do mundo, história, religião, política e cultura. Suas referências provêm apenas das mídias: telenovelas, romances, filmes. Dessa forma, elas imaginam que estão se comunicando com homens gentis, educados e confiáveis. Muito pelo contrário, esses homens estão prontos para escravizá-las e submetê-las à sua vontade.

Alheias à realidade, elas fazem empréstimos, vendem seus bens e entregam toda a sua vida a este homem que elas juram conhecer. Elas abandonam empregos, filhos, família e, sem saber dizer uma palavra de outro idioma, se aventuram para encontrar sua alma gêmea em países como a Turquia, Iraque, Paquistão, Arábia Saudita, entre outros pertencentes ao Oriente Médio. Quando chegam ao destino, porém, seus sonhos se tornam pesadelos.

Muitas delas nunca mais retornam. Vítimas de relacionamentos abusivos, crimes de honra, tráfico humano, entre outras atrocidades. Desaparecem sem deixar rastros. Mas porque esse fenômeno tem acontecido com tanta frequência? Porque essas mulheres parecem dar tão pouco valor à sua liberdade?

É que a dependência emocional aprisiona. Antes de ser vítimas de golpistas, elas são vítimas de si mesmas. Vítimas de sua própria ingenuidade, de pensamentos e crenças na impossibilidade de conseguir se prover sozinha. Elas se sentem incapacitadas emocional e financeiramente. Suas bases e referências de amor são frágeis, violentas ou ilusórias.

A dependência emocional vem de uma baixa autoestima, falta de confiança em si mesma e também de uma educação social e familiar que ensina à mulher que ela só será um indivíduo completo se ela estiver em um relacionamento. Esse pensamento vem de crenças familiares e sociais muito antigas, difíceis de serem modificadas e possuem tanta força que mesmo mulheres independentes, com suas carreiras e muitos títulos, acabam se tornando, sem perceber, vítimas de golpes.

Como posso proteger a mim e a outras mulheres do meu convívio? 

  • Procure adicionar apenas pessoas que você já tenha visto pessoalmente, pessoas que morem na sua cidade ou região ou pessoas que tenham amigos em comum com você;
  • Preste atenção às redes sociais de seus filhos, amigos e familiares, se algum deles conversa muito ao telefone em outro idioma, se eles estão se comunicando com pessoas desconhecidas e estrangeiras, etc. Ao menor sinal de desconfiança, não hesite em conversar com seu parente, filho ou amigo para ter conhecimento da situação;
  • Comunique a outras pessoas que você tem conversado com uma pessoa desconhecida ou estrangeira;
  • Não aceite viajar com passagem e hospedagem paga por pessoas desconhecidas ou estrangeiros;
  • Não hospede estrangeiros em sua casa que não tenha ligação com alguma instituição de intercâmbio confiável e nem pague a vinda dela para o seu país;
  • Caso ainda assim queria se encontrar com a pessoa com quem tem se comunicado, envie à alguém de confiança sua localização em tempo real. Conte nos mínimos detalhes quem é esta pessoa, onde você vai encontrá-la, envie print de conversas, fotos e do perfil da pessoa com que irá se encontrar;
  • Não ignore os alertas de pessoas próximas a você. Elas te conhecem e te amam mais do que alguém que você acabou de conhecer;
  • Não compartilhe fotos ou vídeos íntimos, nem informações confidenciais como documentos, número de contas, seu endereço, etc. Não dê aos golpistas material para que possa te chantagear!
  • Em hipótese alguma envie dinheiro ou compre coisas para esta pessoa. Há muitas outras formas de ajudar alguém que esteja passando por dificuldades, como por exemplo, contribuindo com instituições que trabalham em locais que estão em guerra;
  • Não se engane com promessas. Homens da cultura oriental, principalmente muçulmanos, são pessoas restritas e guiadas por suas famílias, casam-se em casamentos arranjados ou apenas com mulheres que também sejam muçulmanas. Homens orientais bem-intencionados não buscarão esposas na internet. É contra a cultura deles.  

Confiei em alguém e sofri um golpe. E agora?

  • Bloqueie a pessoa de suas redes imediatamente. Não desbloqueie em hipótese alguma;
  • Procure orientação de um advogado;
  • Se necessário, entre em contato com seu banco para bloquear cartões e contas.
  • Registre Boletim de Ocorrência em delegacias comuns ou especializadas em crimes cibernéticos;
  • Caso esteja sofrendo chantagem, não ceda e procure as autoridades;
  • Caso você conheça alguém que esteja em risco de golpe, converse, mostre reportagens sobre vítimas desse tipo de crime e não hesite em buscar ajuda;
  • Procure ajuda psicoterápica. Não há problema nenhum em admitir que está em risco, vulnerável ou solitária.

O primeiro passo para se libertar da necessidade de ter alguém é procurar entender o que está acontecendo com você. O autoconhecimento é a chave! 

Fique atenta! 

O mais comum é que os golpistas sejam de países do oriente médio, mas eles também podem estar em países da Europa, América, Ásia, etc. Talvez estejam bem perto de você! Os golpes não se restringem a uma etnia ou religião apenas. Há muitos brasileiros, de religiões e localidades diversas, que só estão na internet procurando vítimas para seus crimes. Temos que ter cuidado com qualquer pessoa desconhecida que surja em nossas vidas ou na vida de nossos familiares. 

Larissa da Silva Monique da Silva
Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar