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Janeiro branco: Sua responsabilidade na queixa e sua saúde mental

Por que janeiro, e por que o branco?

Janeiro foi o mês escolhido para movimentos da Psicologia, com o intuito de levar às pessoas o tema concernente à saúde mental.

A escolha do mês se fez exatamente por ser o primeiro do ano, fato que produz a ideia de iniciar todo processo de mudanças e metas, concedidas nos planos suscitados ao final do ano que se passou. Por último, a cor branca foi elegida pelo fato de remeter ao “papel em branco”, ou seja, utilizando de metáfora se entende que “aqui se pode escrever uma nova história”.

Porém, o que escreverei a seguir não estará delimitado ao tema da saúde mental, mas, de maneira sucinta, aponta para os critérios da questão: “o que te faz bem e como fazer isso?”

Afinal, saúde mental condiz com os pensamentos que resultam a um ato. Comumente os pensamentos nos levam a imaginações que transmitem incômodos, por exemplo: “o que tenho que fazer amanhã?”, “quanto terei que receber e pagar neste mês?”, dentre outros problemas cotidianos, fato que inere a um emaranhado de preocupações distintas, mas que vem a tona juntas!

E tais pensamentos tiram a paz de qualquer ser humano! Produzindo, por conseguinte, diversos sintomas.

Mas convido a você pensar por outra via, topa?

O que tira a paz do ser humano?

Nossa! São tantas coisas! Mas ao mesmo tempo é tão individual a problemática, que não posso responder, mas pense aí, o que te tira a paz?

Bom, existe uma causa que percebo na clínica, a qual sustenta diversos sofrimentos. Vou citar rapidamente um texto de Sigmund Freud, Totem e tabu (1913), o texto diz o seguinte: “nas tribos primitivas, no início do período neolítico, quando um(a) querido(a) falecia, todos ficavam proibidos de falar o nome desta pessoa, algumas tribos para não correr o risco de falar o nome, trocavam o nome do(a) falecido(a), o motivo deste imperativo cultural era porque acreditavam que caso o nome fosse dito, a pessoa retornava encarnada em um espírito malvado, suscitando então as primeiras idéias de demônios.”.

Atualmente quando uma pessoas amada falece, comumente escutamos algo do tipo: “nossa, eu deveria ter feito muito mais por ele(a)”, outros nada dizem, mas sofrem em demasia de uma maneira angustiante.

Perceba que os exemplos parecem totalmente discrepantes, porém dentre ambos existe um mesmo conceito: a culpa.

Nas tribos primitivas deixavam de falar o nome, atualmente causa um sofrimento exacerbado. “Talvez” a culpa seja o motivo latente de ambos, porém ressalto que obviamente estou generalizando a questão, pois “motivos e causas” devem ser analisados no campo individual, estou levantando a culpa como um sintoma típico na cultura.

Como somos sujeitos inseridos em uma cultura, logo estamos sempre no movimento interno e externo, algo vem de fora e causa efeito dentro, mas só transmite incidência quando o externo faz algum sentido para o interno; então, o que tira a paz são suas introjeções, ou seja, sua “leitura” perante o externo ou cultura.

O problema é que isso se movimenta desde criança em nível inconsciente.

E como resolver isso?

Vejamos, como escrito acima, estamos sempre dialogando com a cultura, e por sempre estarmos nessa dialética entre o eu e o Outro, da mesma forma que nos constituímos sujeito através do Outro, também culpamos o outro por questões próprias, um exemplo “eu sou assim porque meus pais eram assim; eu fiz isso porque minha família sempre me desamparou; a melhor forma foi mentir, afinal ele(a) nunca iria me entender”.

Percebe como nos colocamos no campo de vítima e culpamos qualquer um que faça sentido, diante da queixa e argumentação?

Claro que comumente essa conduta não é feita de maneira intencional, ou seja consciente, mas culpar o outro nos permite uma possibilidade de “lugar cômodo”, afinal agindo assim, a responsabilidade de mudança fica entregue a qualquer um, “menos eu”.

Responsabilidade seria um ponto eminente a se pensar numa possível desconstrução, o que é distinto do movimento em se culpar, pois como já escrito, o movimento inconsciente não produz uma ideia intencional consciente, mas a partir do momento em que você se dá conta daquilo de que se queixa, fica ao seu critério uma possibilidade de mudança, como disse Freud “qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”.

Então, levanto a questão: quem é você no centro de sua problemática?

Às vezes para preceder e proceder nesse caminho é necessário ajuda. Porém, pense que saúde mental não se baseia somente em “como fazer para melhorar”, mas também em “o que me causou isso, e me faz ser assim”, a felicidade plena é utópica, mas os encontros cotidianos com ela é possível.

Pense nisso!

Fernanda Dalla Paula Donato
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