Psicologia geral

Novos rumos na Psicologia

As dificuldades criadas pelo vírus

Estamos vivendo em um momento histórico de bastante ansiedade. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, somos o país com mais ansiedade no mundo. Mas neste momento as indefinições e indecisões políticas em todas as escalas da esfera pública, federal, estadual e municipal estão bastante afetadas pelo enfrentamento do vírus.

É um vírus mortal que tem assolado diversas famílias, ceifando o sustento de parcela significativa da população e tornando a economia mundial instável e inquietante.

Apesar da porcentagem de óbitos em relação aos infectados não ser tão grande, a velocidade com que se alastra é assustadora. Vários líderes mundiais estão tomando atitudes sem ter certeza da sua eficácia. 

O mundo empresarial participa dessa confusão tentando sobreviver a uma economia que não dá sinais precisos de quais os rumos devam ser tomados. Alguns estão preocupados com a manutenção da própria saúde financeira, outros já se preocupam também com a vida e o emprego de diversas famílias que dependem daquela empresa e se sentem frustrados quando são obrigados a demitir, para poder sobreviver como empresa.

Grandes, médias, pequenas e micro empresas estão sucumbindo à avassaladora marcha do vírus que não poupa ricos ou pobres.

Os profissionais de saúde estão vivendo no limite entre a urgência em salvar vidas e o perigo com a própria saúde; socorrer pessoas com uma doença que se sabe tão pouco e o risco de transmitir à sua própria família e amigos, além do sentimento ambíguo ser reconhecido como herói, ao mesmo tempo que é também reconhecido como provável vetor de contaminação, sendo por vezes estigmatizado, o que provoca ansiedade e depressão.

Todo este ambiente acarreta muita ansiedade na população como um todo, e para quem já tem algum transtorno psicológico, esta somatória de incertezas trás ainda maiores prejuízos, além da dificuldade inclusive de não se saber onde buscar ajuda, pois todo o contingente da saúde estar voltado, com razão, para o bloqueio da escalada do vírus.   

Tem havido diversos movimentos de psiquiatras e psicólogos que estão procurando dar o suporte necessário tanto a esses profissionais que estão na linha de frente quanto a esses pacientes que estão também necessitando de apoio e atendimento.

Mas a tônica de quase todo atendimento tem sido, além de todas as outras possibilidades diagnósticas em psicologia, a Ansiedade

Várias atitudes podem ser vistas todos os dias, divulgadas por toda mídia, repletas de ansiedade. Em maior ou menor grau, a ansiedade tem afetado a todos, adultos, crianças ou idosos.

Aqueles que conseguem perceber e tomar atitudes para amenizar os prejuízos que essa reação, completamente normal e humana, podem provocar nas relações sociais, estão podendo ter uma vida menos atribulada, mas há, como temos visto nos atendimentos, uma verdadeira epidemia de pessoas ansiosas, que se não forem acolhidas poderão causar diversos prejuízos, tanto individuais, como sociais e econômicos.

O que fazer?

Os profissionais “psi” têm limites, tanto físicos, emocionais, como econômicos. Os atendimentos voluntários têm ocorrido de maneira sistemática por parte destes profissionais, mas eles também necessitam realizar atendimentos onde sejam pagos, ter sua subsistência garantida para sua saúde emocional também ser assistida, caso contrário não terão condições de fazer um atendimento adequado.

E temos visto que algumas pessoas que teriam condições de pagar um acompanhamento psicológico, não o estão fazendo, talvez por medo de um futuro incerto, ou mesmo por puro egoísmo. E essa ocorrência está deixando uma parcela considerável da população sem atendimento.

Por outro lado também temos pacientes que passavam por atendimento presencial, e que se negavam ao atendimento online por preconceitos enraizados em uma prática que ainda não está devidamente atualizada.

Uma ampla divulgação para conscientização da população, onde pudessem ser direcionados os atendimentos, com participação das UBS, CRP(Conselho Regional de Psicologia) e inclusive dos convênios e planos de saúde, priorizando os casos com maiores riscos à saúde mental. Melhor remuneração aos profissionais por parte dos convênios e planos de saúde.

Participo de grupos de ajuda a pessoas com esquizofrenia e bipolaridade, onde muitos estão sem acompanhamento por não terem convênio, plano de saúde ou mesmo dinheiro para pagarem uma consulta. Situações alarmantes são encontradas nestes grupos, onde pessoas que deveriam estar tomando medicação, com risco iminente de automutilação ou suicídio.

Realidade brasileira

Somos uma população de 375.000, espalhados pelo Brasil, segundo dados do CFP(Conselho Federal de Psicologia) com uma concentração de 109.536 no estado de São Paulo, onde a população na cidade de São Paulo ultrapassa 12 milhões. Ou seja, há uma defasagem muito grande de profissionais habilitados. 

O atendimento online tem possibilitado o acompanhamento de diversas pessoas em outros estados e mesmo em outros países. Mas a burocracia para a habilitação ao atendimento online ainda é muito grande, apesar de durante a pandemia o CFP ter flexibilizado o atendimento visando “atenuar os impactos do vírus na sociedade”, assim como para facilitar o atendimento e o trabalho das(os) psicólogas(os), tão necessário para a saúde mental da população, especialmente em um momento de pandemia, no qual há implicações emocionais de uma possível quarentena e de aspectos psicológicos do isolamento.

Há necessidade de se orientar e coordenar o atendimento online, sem dúvida. Mas isto já deveria fazer parte do currículo das faculdades de psicologia, e a oferta de plataformas onde a segurança e sigilo destes atendimentos sejam mais e melhor obedecidas, além de disseminadas.

Que isto nos sirva de lição no planejamento dos cursos de graduação em psicologia. Os profissionais que foram habilitados até o momento tiveram que fazer uma corrida desesperadora para se capacitarem para este tipo de atendimento, que não é nenhuma novidade no país, mas há ainda muita resistência a uma modalidade que, como podemos perceber, veio para ficar. 

Conclusões

A psicologia precisa amparar seus psicólogos, os instrumentos de amparo já existem, temos um CRP, CFP, um Sindicato dos Psicólogos e as faculdades de psicologia.

A psicologia em sua origem teve um processo elitista ao se estabelecer no Brasil, e isto ainda permeia muito da mentalidade corporativista da profissão. Por outro lado, há uma vontade do psicólogo em dirimir o sofrimento das pessoas que estão ao seu redor, empatia de sobra para se doar à conquista do conforto emocional alheio, e um mercado imenso a conquistar, mas que está à margem do atendimento psicológico, seja por falta de informação da população e do conhecimento pelo psicólogo dessa dimensão.

Mas esses órgãos listados acima necessitam mapear essas dificuldades, as necessidades do indivíduo psicólogo e as necessidades da sociedade em suas diversas esferas. Esse mapeamento precisa levar em consideração as exigências profissionais que devem ser abastecidas pelos cursos de formação de psicólogos.

Referências bibliográficas:

Miyazaki, M. C. de O. Santos e Soares, M.R. Zoéga. Estresse em profissionais da saúde que atendem pacientes com COVID-19. Este texto está disponível em https://www.sbponline.org.br/2020/03/grupode-trabalho-gt-de-enfrentamento-da-pandemia-sbp-covid-19.
Conselho Federal de Psicologia A psicologia brasileira apresentada em números http://www2.cfp.org.br/infografico/quantos-somos/ último acesso em 13/07/2020 23:25

Wilson Passos Gomes
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