Psicologia e os direitos humanos

Os preconceitos acerca das doenças mentais

O preconceito é um prejulgamento que se faz antes de se conhecer todos os aspectos sobre um assunto ou uma situação, e é exatamente isso que acontece, mesmo nos dias atuais, sobre as doenças mentais.

Há muito tempo os transtornos mentais vêm sendo discriminados pela sociedade. Na Idade Média, por exemplo, acreditava-se que as doenças mentais, poderiam ser fruto de alguma possessão demoníaca, muitas pessoas sofreram punições físicas a fim de expulsar os tais demônios e até mesmo eram isolados da sociedade. Em outros tempos, as pessoas com transtornos mentais foram tratados como incapazes de pensar.

E embora muita coisa tenha mudado aos longos dos anos, ainda há muito preconceito sobre as doenças mentais, mesmo em 2022.

As consequências da falta de informação

O desconhecimento ajuda a aumentar o preconceito enraizado sobre o assunto, trazendo outros problemas para o paciente. A generalização e banalização das doenças mentais impedem que os pacientes procurem a ajuda necessária, negando os sintomas e não tratando corretamente a doença.

A depressão e a ansiedade são ótimos exemplos. O Brasil detém o maior índice de pessoas com ansiedade no mundo, mas ainda ouvimos por aí que ansiedade é frescura.

A depressão é considerada pela OMS como a doença mais incapacitante do mundo, mas o consenso ainda acredita que os sintomas da depressão são só tristeza e excesso de sono, as pessoas acreditam que se o individuo é capaz de rir e levantar da cama, com certeza não é depressão. Esse tipo de pensamento, faz com que as pessoas ainda sintam vergonha de procurar ajuda ou neguem a doença.

Já no caso dos pacientes em tratamento, que possuem maior conhecimento sobre o próprio diagnóstico, encontram barreiras em questões voltadas para socialização principalmente no âmbito profissional, onde há uma forte crença que portadores de doenças mentais são incapazes de serem produtivos.

Neste caso, o preconceito gera baixa autoestima, insegurança, desmotivação e outras complicações emocionais, podendo até potencializar os sintomas psíquicos e em casos mais graves levar ao suicídio.

Direitos humanos

Ao repassar brevemente a história da saúde mental, podemos compreender o quanto a psicologia passa a ser importante nesse processo de desenvolvimento. A atuação da psicologia vai além da atenção ao adoecimento, tratando a saúde mental como um direito fundamental do indivíduo, promovendo a saúde além da doença, de uma forma biológica, psicológica e social.

O sofrimento psicológico passa a ser maior quando os pacientes não são acolhidos de forma adequada pela rede de saúde e passam a ser tratados como uma ameaça ao ambiente social.

O tratamento ao qual os portadores de doenças mentais eram submetidos antigamente só agravavam mais sua condição mental.

Os abusos e as diversas violações que sofreram demonstram que a solução vai além do isolamento e tratamento psiquiátrico, sendo necessária uma abordagem multidisciplinar não só no atendimento ao paciente, mas também aos familiares, de forma que os pacientes sejam respeitados e que eles possam exercer o direito à cidadania de forma digna.

Lylian Santos E Silva

Psicóloga e Palestrante | Especialista em Saúde Mental

Coautora do livro Heróis da Saúde

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Instagram: @psicologa_lyliansilva

Facebook: @psicologalyliansilva

Referências

  1. Conselho Federal de Psicologia (2011). Psicologia em interface com a Justiça e os Direitos Humanos. Brasília: CFP
  2. Organização Mundial da Saúde (2011).
  3. Conselho Federal de Psicologia (2001). Psicologia e Direitos Humanos Práticas Psicológicas: Compromissos e Comprometimentos. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Lylian Santos e Silva
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