Saúde

Violência psicológica e o que evitar para não ser uma pessoa agressora

A violência é um fenômeno social, presente em todas as culturas e sociedades, seja no âmbito privado ou no público, sendo percebido, portanto, como uma questão de saúde pública. (DAHLBERG; KRUG, 2007; SOUZA; CASSAB, 2010).

Todavia, a violência pode ser enfrentada e até evitada e, segundo Dahlberg e Krug (2007), a ação coletiva como uma abordagem para a saúde pública tem sido comprovada como eficaz, com base em experiências juntando ações dos diversos setores sociais como educação, saúde, assistência social, justiça e políticas públicas, além da medicina.

A violência psicológica é uma forma de violência a alguém ou a um grupo, caracterizada pela inferiorização, pela ridicularização (zombação), pela manipulação, humilhação, controle, indiferença afetiva, exclusão, ciúme patológico, isolamento, ameaças e agressões verbais.

No caso da violência doméstica e/ou contra as mulheres, a violência psicológica é penalizada pela Lei Maria da Penha, sendo caracterizada como “[…] qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto estima, ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento […]” (BRASIL, 2006, p. 3). Pode ser bem sútil e se agravar gradualmente, assim como pode ser episódica. (COLOSSI; FALCKE, 2013).

De acordo com Souza e Cassab (2010), a violência física se diferencia da psicológica, na medida em que “[..] a violência física se constitui em gravidade, sendo superada, em intensidade, pela violência psicológica.” (p. 41). A manipulação é um tipo de violência psicológica e poder ser subdividida em: Gaslighting (confunde a vítima, distorcendo os fatos; a intenção é que a vítima sinta culpa pelo erro do próprio agressor); negging (críticas ou comentários disfarçados de elogios); ataques à distância; isolamento; silêncio tóxico; e pela necessidade de gratidão da vítima.

O que ela produz a outrem?

É o tipo de violência considerada como a mais impiedosa e prejudicial, já que produz marcas que são irreparáveis, por muito tempo ou até por toda a vida. (SOUZA; CASSAB, 2010). Pensando no caso da violência doméstica contra as mulheres ressalta-se o medo constante, produzido pelo abuso/violência psicológica, relacionado a incerteza a respeito das próximas atitudes de seu cônjuge, se este irá lhe trazer flores, ou novamente reafirmará a inferioridade, subordinação e estupidez que ele acusa esta vítima. Souza e Cassab (2010, p. 44-45) ainda complementam que:

Hirigoyen (2006) cita a estratégia de lavagem cerebral como outro fator para que a mulher permaneça em uma situação de violência. Constantemente usada pelo agressor, como forma de manter a mulher como “escrava”, a lavagem cerebral é uma das formas mais perversas de manipulação.

Nesta, o agressor utiliza das mesmas armas de lavagem cerebral usados em prisioneiros de guerra. Primeiramente, ele a isola do mundo exterior, não a deixando trabalhar, estudar e até mesmo ver amigos ou familiares.

Assim, ele a fragiliza psicologicamente, fazendo com que seus pensamentos – bons ou maus – sejam voltados apenas para ele. O próximo passo é convencê-la de que é uma pessoa sem vontade própria e que pertence apenas ao companheiro, e por isso deve ser submissa.

Nesta situação, a mulher se convence de que a culpa das “explosões” de raiva do companheiro são de responsabilidade dela, sua culpa e, assim, vive uma rotina de medo e culpa, na tentativa de fazer o companheiro feliz.

Mesmo que pessoas postadas fora do relacionamento abusivo tentem convencê-la de que o companheiro a está violentando, ela insiste em afirmar que a culpa é sua por não saber cozinhar direito, não realizar as fantasias dele, não ser inteligente para acompanhá-lo numa conversa, etc. Quando se chega a este estágio, o companheiro já conseguiu completar o processo de lavagem cerebral. (HIRIGOYEN, 2006).

Dentre as situações ou sintomas mais comuns, decorrentes desta violência, estão:

  • Dor e sofrimento psíquico;
  • Autoisolamento;
  • Baixa autoestima e/ou autoconfiança;
  • Sensação de culpa;
  • Não se sentir suficiente;
  • Ataques de pânico;
  • Sentimentos de incompetência;
  • Desenvolvimento de algum transtorno mental como as ansiedades, transtorno do pânico e depressão;
  • Pensamentos autodepreciativos;
  • Sentimento de inferioridade;
  • Insegurança;
  • Em casos mais graves, produz a ideação e/ou tentativas de suicídio.

O que fazer para não ser uma pessoa agressora?

  • Não zombe, nem faça piadas;
  • Respeite atributos físicos, estéticos, jeitos de ser e dos estilos das outras pessoas. Só faça comentários quando solicitado e mesmo assim, pense em um modo mais gentil de o fazer;
  • Exponha a sua insatisfação de forma objetiva e simples, no lugar de gritar e se exaltar;
  • Repense suas ações e falas;
  • Seja sincero e exponha seu ponto de vista, sem xingar, humilhar ou inferiorizar alguém;
  • Evite atribuir incapacidade aos outros;
  • Escute mais, para além de ouvir;
  • Fale mais devagar, para se escutar também;
  • Não compare as pessoas ou grupos;
  • Nunca isole alguém ou impeça o contato com as amizades e família;
  • Evite as ofensas e ofereça suas melhores palavras;
  • Dialogue, no lugar de só fala, sem ouvir as outras pessoas;
  • Exercite a empatia, reflita como sua fala e atitude podem chegar no outro.

A psicologia intervindo nas situações de abuso e violência

A psicologia como ciência e profissão tem o compromisso social de promover a saúde e a qualidade de vida, sendo vetado a este profissional que promova, incentive ou atue a favor de quaisquer formas de violências (CFP, 2005). ABUSO/ VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA PODE SER PENALIZADO CRIMINALMENTE. VIOLÊNCIA NÃO É ENTRETENIMENTO!

A terapia com pessoas vítimas de violência psicológica precisa envolver o acolhimento ao sofrimento emocional e visar a reconstrução da autoestima, autoconfiança, autoimagem e fortalecimento das pessoas. 

Pensando especificamente a respeito da violência conjugal, Colossi e Falcke (2013) ressaltam que ao considerar os sujeitos participantes da dinâmica da violência, abre-se a possibilidade de transformar esse contexto disfuncional, com destaque pela não comunicação e inexpressão emocional.

Colossi e Falcke (2013) ainda acrescentam que o/a profissional de Psicologia ao atender casais em uma dinâmica de violência conjugal, deve buscar elementos que possibilitam o surgimento de novos conflitos e agir, no sentido de instruir uma reorganização conjugal, para se prevenir novos episódios de violência.

Quem cuida de uma pessoa agressora?

Esta pessoa também deve procurar tratamento com um profissional da psicologia e, em alguns casos, também com psiquiatra. Essa pessoa deve rever suas posturas, ações e falas, quebrando o ciclo da violência, que em muitos casos é passado por gerações, pelos históricos de violência familiar. (COLOSSI; FALCKE, 2013). 

Você se enxerga em uma relação tóxica e não consegue terminar? Tem dificuldades nas suas relações pessoais? Tem dificuldades ou problemas para lidar com suas emoções? Já sofreu algum tipo de violência e ainda rememora esse fato? Eu posso te ajudar! Marque um horário para o atendimento psicológico. Você merece um cuidado adequado e regular!

Referências bibliográficas:

  1. BRASIL. Decreto Lei 11.340 de 7 de agosto de 2006. Lei Maria da Penha: Coíbe a violência doméstica e familiar contra a mulher. Brasília: Secretaria Especial de Política para as Mulheres, 2008.
  2. CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO. Conselho Federal de Psicologia, Brasília, agosto de 2005. Disponível em: < https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf >. Acesso em: 25 abr. 2021.
  3. COLOSSI, P. M., FALCKE, D. Gritos do silêncio: a violência psicológica no casal. Psico, Porto Alegre, v. 44, n. 3, p. 310-318, jul./set., 2013.
  4. DAHLBERG, L. L., KRUG, E. G. Violência: um problema global de saúde pública. Ciência & Saúde Coletiva, v. 11, n. 1, p. 1163-1178, 2007.
  5. SOUZA, H. L., CASSAB, L. A. Feridas que não se curam: a violência psicológica cometida à mulher pelo companheiro. In: Simpósio sobre Estudos de Gênero e Políticas Públicas, I, 2010, Londrina. Anais eletrônicos… Paraná: Universidade Estadual de Londrina, 2010, p. 38-46. Disponível em: < http://www.uel.br/eventos/gpp/pages/arquivos/5.HugoLeonardo.pdf >. Acesso em: 25 abr. 2021.
LUIS FELIPE DUTRA AVELAR
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