Desenvolvimento pessoal

Como ajudar as pessoas sem se sentir sobrecarregada(o)?

“Sempre faço tudo para os outros”.

Você se preocupa em atender as demandas das outras pessoas em detrimento de suas próprias necessidades? Não consegue estabelecer limites para essas pessoas? Cuida delas mas tem dificuldade em realizar tarefas por você mesmo? 

Para Young (2013), é fundamental que aprendamos desde pequenos a expressar as nossas emoções e necessidades sem medo de retaliações por parte das pessoas ou culpa por revelar os nossos sentimentos e pensamentos. Para que isso transcorra, é importante um ambiente familiar que nos estimule a expor desejos sem controle e punição.

Esse ambiente positivo pode não ter sido garantido e a pessoa pode invalidar suas características para conquistar o amor, a atenção e a aprovação. Nessa situação, as necessidades dos pais costumam ser mais valorizados do que os sentimentos e necessidades de seus familiares. Segundo Young (2013), pessoas com temperamento altamente empático, possuem alta motivação para aliviar ou impedir a dor alheia e apresentam grande sensibilidade ao sofrimento dos demais. 

Você se sente sobrecarregada(o)?

É muito comum nos consultórios de psicologia pessoas buscarem ajuda porque se sentem muito sobrecarregadas e exaustas, além de apresentarem estresse, dores de cabeça, problemas gastrointestinais e dores em geral, decorrentes dessa dedicação exagerada.  

Elas assumem diferentes papéis ao longo do dia e levam uma vida bastante agitada: profissional, casamento, lar, filhos, parentes, amigos, ou seja, abdicam do que gostariam de fazer para, exclusivamente, atender as necessidades das outras pessoas. 

Há um foco direcionado aos desejos e sentimentos dos outros, muitas vezes para obter o amor e/ou aprovação, não causar sofrimento a outros, evitar culpa por se sentir egoísta ou para permanecer com pessoas que acredita ser carentes, além de sensibilizar-se de forma demasiada ao sofrimento dessas pessoas. 

E você, o que faz para distrair-se? Qual seu hobby? Você tem momentos de lazer? Costuma cuidar da sua saúde física, emocional e espiritual? Consegue dar conta das suas próprias necessidades e demandas? 

Ajudar e se preocupar com as pessoas é uma atitude positiva e você pode apresentar uma autoestima elevada e sentir-se orgulhoso(a) por isso, porém, isso torna-se disfuncional quando essa preocupação se torna excessiva. Provavelmente você tem muitos amigos, ainda que suas necessidades não costumam ser satisfeitas nessa convivência. 

A importância da empatia

Lembre-se que a empatia é fundamental para os relacionamentos interpessoais e leva a pessoa a construir a habilidade de colocar-se no lugar do outro, a fim de compreender sua situação e seus sentimentos. 

Você não deve sentir o mesmo que o outro, mas entender o que ele está sentindo. 

Para um relacionamento saudável é necessário a atitude de não julgamento, além de demonstrar interesse no que a outra pessoa está vivendo e também aceitar o sofrimento dela. Do outro lado, a ausência de empatia pode ocasionar prejuízos nos relacionamentos e no controle das emoções, podendo levar a depressão, brigas, etc.

Mesmo se auto sacrificando para as pessoas, você pode ter uma sensação de que “nunca basta”, ou seja, não importa quanto você faça, você irá sentir-se culpada deduzindo que não fez o suficiente. O ideal é que você expresse os seus sentimentos e necessidades de forma adequada, sem sentir-se culpada(o) e nem com vergonha. 

Essa responsabilidade exagerada com relação aos outros, o auto sacrifício, pode sobrecarregar você e ainda mobilizar a raiva por se doar tanto, já que as pessoas não lhe correspondem. Essa raiva pode se transformar na atitude de não mais se doar para a outra pessoa. Algumas pessoas com esse perfil tendem a ser exploradas no ambiente profissional ajudando em tarefas que não são desejadas pela maioria das pessoas. 

A maioria das pessoas que se auto sacrificam foi emocionalmente privada de emoção. Segundo Young (2008, p. 220): “Elas se sacrificaram, e suas necessidades não foram atendidas em troca, por isso são carentes, tanto quanto a maioria das pessoas “mais frágeis” que elas se dedicaram a ajudar”. 

A outra pessoa não vai sofrer se você decidir se doar menos.

Alguns indivíduos se sacrificam para impedir que outras pessoas os abandonem ou para que o pai/ mãe se mantenham ligados a eles e continue cuidando deles. Em outros casos há a busca de aprovação em que eles cuidam de outros para obter aprovação ou reconhecimento.

Como você pode melhorar

  • Comece a identificar no seu dia a dia circunstâncias, em casa e no trabalho, em que você se sacrifica acima de suas necessidades. 
  • Não se angustie com o sofrimento do outro. 
  • Você pode ajudar as outras pessoas, mas é importante que você, além de pedir ajuda, também fale de você: das suas necessidades, dificuldades, preocupações, angústias, etc. 
  • Desenvolva a capacidade de sentir o sofrimento do outro sem confundi-los com os seus.
  • Não se exija de forma exagerada para dar conta das demandas dos seus entes queridos e/ ou de pessoas próximas. 
  • Permita que os outros cuidem de você também. 
  • Preste mais atenção a você e no que gosta, e quais são suas necessidades e preferências hoje em relação a: comidas, leitura, viagens, problemas, etc.
  • Não se veja na obrigação de parecer forte o tempo todo.
  • Mantenha sua própria opinião utilizando de uma comunicação assertiva. A capacidade de se comunicar provoca maior satisfação no relacionamento com o outro. 
  • Perceba que há um desequilíbrio da relação “dar-receber” em seus relacionamentos. Faça essa análise: do que você oferece para tal pessoa e o que ela te oferece. 
  • Busque relacionamentos que você possa expressar suas necessidades e sentimentos. 
  • Lembre-se de prestar atenção nas suas necessidades de carinho, compreensão, proteção e orientação, e permita que as pessoas cuidem de você também. 
  • Procure ajuda de um profissional capacitado que utilizará em seu tratamento: estratégias cognitivas, vivencial e comportamental, para essa temática. 

Identificou que precisa de ajuda? 

Realizo atendimentos online e presencial no bairro Vila Olímpia, em São Paulo. 

 

Referências bibliográficas:  

Berlitz, Daiana, & Pureza, Juliana da Rosa. (2018). A relação entre a empatia e os esquemas iniciais desadaptativos. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas14(1), 31-41. https://dx.doi.org/10.5935/1808-5687.20180005

YOUNG, Jeffrey E. Terapia do Esquema: Guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Andrea Regina Seoane
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