Psicologia geral

Adolescentes: como os pais podem lidar com a influência dos amigos?

A adolescência costuma ser um mar de dúvidas e transformações. É uma fase em que se vive cada momento intensamente. Há uma busca que se pode caracterizar como hedonista (isto é, voltada ao prazer), imediatista e individualista. Apesar de ser uma fase de grandes mudanças e incertezas, muitas vezes os adolescentes manifestam um certo sentimento de que possuem certeza de tudo o que dizem nessa nova fase da vida em que há uma intensa construção da identidade rumo à vida adulta. 

Os(as) adolescentes possuem muitas certezas. Afinal, ainda não desenvolveram o costume de questionar suas ideias e opiniões. Quando estamos muito convictos de algo, é comum que consideremos que todos os outros que pensam diferentemente de nós estejam errados. Os(as) adolescentes nem sempre sabem lidar com a discordância.

Em função do grau de certeza que eles colocam em seus pensamentos, uma sensação de onipotência pode surgir no(a) adolescente.                                                                                                     

Adolescentes não têm medo de nada?

Por confiar na sua sorte e na sua onipotência, alguns(as) adolescentes tendem a não demonstrar medo de enfrentar situações perigosas. Afinal, eles(as) acreditam que estarão sempre a salvo de acidentes graves e outros infortúnios.

Consumo excessivo de bebida alcoólica, direção perigosa, comportamento sexual de risco, brigas e disputas com desconhecidos: nada disso gera preocupação em alguns adolescentes.

Diferentemente de alguns adultos, os(as) adolescentes querem o risco. Em suas aventuras, eles(as) buscam desafiar os perigos. O principal elemento atrativo dessas atividades passa a ser o perigo que eles(as) correm ao realizá-las e a forte emoção que esse perigo representa na vida do(a) adolescente.

Isso gera um conflito, já que os adultos acreditam que, se os adolescentes conhecessem os riscos, evitariam os mesmos. No entanto, não é isso o que ocorre. Além disso, esses comportamentos de desafiar o perigo são realizados em grupo habitualmente.

Os comportamentos de risco e o grupo de amigos(as)

A questão da influência do grupo e a dos comportamentos de risco estão intimamente interligados. Isso acontece porque, nessa fase da vida, o adolescente passa por momentos de experimentação de papéis. A crise de identidade estabelecida na adolescência só ficará resolvida depois que o indivíduo conseguir desenvolver os pré-requisitos de crescimento fisiológico, maturidade mental e responsabilidade social que o preparam para experimentar e ultrapassar esse momento.

Dentro do seu grupo, os(as) adolescentes possuem inúmeras oportunidades de exercitar seus diversos papéis, experimentando o que lhe for novo com um sentimento de culpa reduzido, pois seus colegas estão fazendo o mesmo, muito provavelmente.

Assim, de acordo com o tipo de grupo no qual o(a) adolescente está inserido, ele(a) irá se identificar com seus integrantes e ficará exposto aos riscos que por ali são dominantes. O grupo de amigos(as) exige e impõe e, ao fazer isso, o grupo reduz nos indivíduos isolados o senso de identidade. Isso faz com que o senso de responsabilidade individual seja enfraquecido. 

Qual é a importância da convivência do adolescente em grupo?

O reforço do grupo ao comportamento do(a) adolescente apresenta importante papel diante dos aspectos mutáveis do ego; pois, assim, o(a) adolescente sente-se com maiores condições de enfrentar o processo de transição para o mundo externo onde não há mais o conforto familiar tal como ele ocorria na infância.

É importante destacar que, nessa fase, vivenciamos o processo de perda da identidade infantil e do papel infantil. A sociedade deixa de aceitar os comportamentos típicos da infância. Além disso, há também a transformação do próprio corpo, o desenvolvimento da sexualidade e o surgimento de uma nova forma de ver os pais. 

Geralmente, o(a) adolescente tem dificuldade em se definir em várias situações a que sua cultura lhe expõe, já que há uma confusão de papéis: ele não é mais criança e ainda não é adulto. Afinal, a adolescência é uma longa transição para a vida adulta. O processo de busca de independência gera medo e insegurança, o que faz com que o adolescente busque o apoio do grupo – onde ele coloca a sua confiança e esperança. 

Essa adesão a grupos é importante para o estabelecimento de uma identidade adulta, pois facilita o distanciamento saudável dos pais, permitindo novas identificações, dissociações e projeções que acontecem nos indivíduos desde a infância, mas, agora, não mais com as características infantis que lhe eram peculiares.

Por vivenciarem angústias semelhantes naquele momento, os(as) adolescentes se unem para enfrentar os desafios dessa fase rumo à vida adulta.

Por que a relação entre os adultos e os adolescentes é tão tensa?


Até o início da adolescência, os pais (familiares ou cuidadores de modo geral) costumam ser idealizados e supervalorizados pelo(as) filho(as). Isso é necessário para um desenvolvimento infantil adequado.

No entanto, com a chegada da adolescência, os pais passam a ser alvo de questionamentos e críticas – o que costuma despertar angústia nos adultos envolvidos que ficam com dúvidas sobre como devem agir.

A adolescência faz surgir a necessidade de uma busca de figuras de identificação fora do âmbito familiar. Assim começa uma verdadeira socialização num caminho que leva ao sentimento de individualidade. Porém, vale lembrar que o processo de separação depende das experiências infantis e da presença internalizada de boas imagens parentais com papéis bem definidos e memórias primárias de amor.

Assim, a separação dos pais será menos turbulenta e poderá ocorrer uma boa passagem para a maturidade. 

A adolescência é uma fase e vai passar!

Muitas vezes, as mudanças típicas da adolescência acabam se refletindo em identidades transitórias, ocasionais ou circunstanciais que o(a) adolescente assume; já que ainda não há uma identidade adulta e estável já estabelecida.

Identidades transitórias são aquelas estabelecidas durante um certo tempo. As identidades ocasionais ocorrem frente a determinadas situações e as identidades circunstanciais se dão em função de um grupo.

De modo geral, a identidade adolescente é caracterizada por contradições na manifestação da conduta, com uma variada utilização de defesas que permitem a ocorrência de todas as mudanças desse período da vida que faz a transição para a vida adulta.

Essas transformações levam a novas configurações e reestruturações da personalidade. Após fazer uma síntese de todas as identificações desde a infância, o adolescente terá um caráter mais estável e permanente, atingindo a idade adulta com esses conflitos resolvidos.

Buscar informações sobre a adolescência pode facilitar a compreensão que os adultos possuem dessa fase. Ao conviver com um(a) adolescente, os adultos sentem a necessidade de rever seu próprio comportamento, pois muitos conflitos surgem nessa época da vida.

A chave para lidar com os conflitos entre pais e filhos(as) adolescentes é a negociação e o diálogo para melhor compreensão do que está acontecendo e definição de limites saudáveis.

Gabriela Ballardin Geara
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