Ansiedade

Ansiedade e a sensação de que tudo dará errado

O pensamento ansioso nos leva a imaginar o futuro de forma negativa e muitas vezes irrealista. Quando somos tomados pela ansiedade, torna-se difícil pensar em um futuro composto por um cenário positivo, onde metas são atingidas e vivencia-se uma sensação de pleno bem-estar.

Mas então, em que consiste a ansiedade e por que a sensação de que as coisas não darão certo? Para entendermos, vamos analisar os elementos que compõe a ansiedade.

O medo como emoção base

As emoções, positivas ou negativas estão presentes em nosso dia a dia e fazem parte da nossa vida. Para compreendermos a ansiedade, devemos começar analisando a emoção base presente nesta: o medo!

Embora o medo e a ansiedade sejam diferentes, ambos compartilham as mesmas reações físicas. Enquanto o medo consiste em um estado físico e emocional que impele o organismo para luta ou fuga diante de um perigo iminente, a ansiedade consiste neste mesmo estado, mas diante de perigo que não está iminente, sendo geralmente, a antecipação de preocupação por algo interpretado como ameaçador.

Para ilustrar, podemos imaginar qualquer situação de perigo iminente. No momento do perigo, a pessoa terá respostas fisiológicas como:

  • Coração acelerado,
  • Respiração ofegante,
  • Tremor,
  • Visão turva,
  • Entre outros.

Agora vamos imaginar outra situação, como uma apresentação em público. O indivíduo terá as mesmas respostas fisiológicas da pessoa que vivenciou o medo iminente, mas aqui não há perigo, a pessoa está vivenciando a ansiedade!

Crenças disfuncionais

As crenças disfuncionais são o elemento mais central e enraizado de nosso esquema cognitivo. As crenças são construídas no decorrer da vida, com ênfase na infância e adolescência, conforme as situações que vivenciamos e como as interpretamos. As crenças presumem nossa autopercepção e a forma como percebemos os outros, o mundo e o futuro.

Crenças disfuncionais, por sua vez, corroboram para que a interpretação do futuro seja extremamente negativa, desencadeando angústia e preocupação antecipatória. Geram ainda pensamentos automáticos também disfuncionais, como “não vou conseguir”, “nada do que faço dá certo”, “vão rir de mim”, entre outros.

Tais crenças disfuncionais fazem a manutenção da ansiedade, uma vez que desencadeando pensamentos e emoções desadaptativos, ajudam a gerar e a alimentar a ansiedade, em uma via de mão dupla.

Distorções cognitivas

As distorções cognitivas possuem relação direta com a crença disfuncional do indivíduo. Estas distorções são como “erros de pensamento”, que desencadeados pela crença, impulsionarão a pessoa a pensar e a interpretar as situações vivenciadas conforme prediz cada tipo de distorção existente.

Tanto as distorções cognitivas, quanto as crenças disfuncionais são como lentes de óculos, de modo que se eu visto uma lente com determinado grau, eu “enxergo” o mundo de determinada forma. Se pensarmos nas distorções como lentes, veremos que se eu usar a lente da distorção “X” terei uma percepção de mundo conforme o que eu vejo.

As distorções causam prejuízo ao indivíduo, porque estão ligadas à qualidade dos pensamentos deste. Além disso, contribuem para que o indivíduo tenha ações e escolhas baseadas neste erro de pensamento, possibilitando autossabotagem, esquiva de situações importantes, entre outros.

Catastrofização

A catastrofização é o tipo de distorção cognitiva mais comum em pessoas com ansiedade e consiste na percepção irrealista de um cenário extremamente negativo para o futuro. Ou seja, a pessoa com catastrofização tende a esperar o pior das coisas e sofre antecipadamente por isso.

Uma pessoa que catastrofiza acaba elevando o nível de dificuldade/perigo de forma extrema, ao mesmo tempo em que reduz o seu senso de autoeficácia para lidar com a situação.

Desta forma, na catastrofização, o indivíduo se percebe pequeno para lidar com tamanho problema ou situação. Esta forma de pensamento contribui muito para a sensação de que tudo dará errado!

Interpretação da situação como ameaçadora

Pensando em todos os outros componentes da ansiedade, podemos compreender por que a pessoa ansiosa percebe situações futuras como ameaçadoras.

Unem-se neste item, diversos fatores, como a crença disfuncional que gera uma enxurrada de pensamentos automáticos opressores, distorções cognitivas que “encaminham” para determinada percepção da situação, sendo uma delas a catastrofização que torna o futuro algo bastante assustador e difícil de lidar e as reações fisiológicas de medo, que podem paralisar ou piorar a situação.

Ao interpretarmos uma situação como ameaçadora, nosso organismo responde automaticamente a isso e iniciam todos os sintomas fatídicos da ansiedade, enquanto os pensamentos começam a borbulhar na mente.

Preocupação excessiva e antecipatória

Uma mente ansiosa está preocupada com algo a acontecer (ou não) no futuro. Essa antecipação da preocupação tende a tornar-se cada vez mais recorrente quando não trabalhada em terapia, além de dar vazão para pensamentos cada vez mais distorcidos sobre nosso futuro, trazendo a sensação de que as coisas sairão do controle e darão errado.

Nossa cabeça, permeada por esquemas cognitivos altamente disfuncionais, irá imaginar os piores cenários possíveis para determinada situação (ou para todas as situações, se estamos falando de uma Ansiedade Generalizada), trazendo grande prejuízo e sofrimento para o indivíduo.

Preocupar-se excessivamente e antecipadamente pode tornar-se um hábito negativo se não houver intervenção de um profissional, além de alimentar a ansiedade pela aversão da incerteza das situações.

A cada crise de ansiedade, ocorre uma descarga alta de cortisol e adrenalina no cérebro. Esta descarga se for recorrente e frequente deixa, consequentemente, o corpo e a mente estressados, entrando em um estado incompatível com a concentração e o relaxamento.

Um indivíduo que vivencia a ansiedade de forma frequente, acaba não tendo qualidade de vida, sofre e muitas vezes é criticado e julgado pelas pessoas ao seu redor.

Se você tem passado por estes sintomas físicos e se a ansiedade tem te causado prejuízos significativos, difíceis de lidar sozinho, procure ajuda! Através da terapia é possível tornar mais funcional, cada elemento do esquema cognitivo e manejar a ansiedade para obter melhor qualidade de vida.

Referências

  1. BECK, Judith S. Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e prática. 3a ed. Porto Alegre: Artmed. 2021.
  2. KNAPP, Paulo; BECK, Aaron T. Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Rev Bras Psiquiatr. Vol. 30, n. 02. 2008.
  3. Oliveira, M. I. S. (2011). Intervenção cognitivo-comportamental em transtorno de ansiedade: relato de caso.Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 7(1), 30-34.
Camila Fusco
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