Psicologia geral

Por que eu estou sempre querendo comer?

Sabemos que pessoas acima do peso costumam sentir-se ansiosas e que níveis elevados de ansiedade podem alterar nossos comportamentos. A ansiedade pode estar entre as causas associadas ao sobrepeso ou pode ser uma consequência do fato de a pessoa não gostar de se ver acima do peso.                                                                               

Às vezes comemos demais quando estamos muito preocupados com algo. Há também aqueles que possuem episódios de compulsão alimentar em que há uma intensa ingestão de grandes quantidades de alimentos (frequentemente, alimentos hipercalóricos). 

Necessidade de estar sempre comendo

A ansiedade pode se associar ao comportamento alimentar por diversas maneiras:

  • Vivências pessoais,
  • Predisposição individual,
  • Fatores familiares,
  • Fatores culturais e outros.

A pessoa associa ansiedade ao ato de comer, pois comer gera uma redução temporária da sensação desagradável que estava lhe acompanhando. 

Depois de um tempo, a ansiedade volta a incomodar em função de algum acontecimento da vida. O que a pessoa faz automaticamente sem perceber? Ela come algo que lhe agrada para compensar aquela sensação ruim. Assim, inicia-se um ciclo difícil de ser rompido quanto mais vezes ele for repetido. 

Há também quem coma diante do menor indício de que algo desagradável eventualmente pode vir a acontecer. Assim, a pessoa mantém um baixo nível de ansiedade sem perceber que comer sempre que estiver desconfortável é uma estratégia que não funcionará bem no longo prazo.

Iniciando uma dieta     

Quem está em processo de reeducação alimentar precisa aprender a gerenciar suas emoções para que seus esforços não sejam desperdiçados por questões emocionais. Ao tentar seguir uma nova dieta, por mais equilibrada e apetitosa que seja, é comum que a mudança de hábitos desperte a ansiedade que estava latente em nós – o que pode atrapalhar os seus esforços.

Poderíamos pensar que uma pessoa fica ansiosa em função das mudanças de alguns hábitos alimentares. No entanto, a mudança de hábito é capaz de nos revelar muito mais sobre a pessoa. 

O que descobrimos quando mudamos hábitos alimentares?

Ao se esforçar para seguir os novos padrões de alimentação, muitas vezes a pessoa não consegue mais ocultar ou lidar com seus sentimentos através da comida. Não dá mais para “descontar tudo” na comida. Comer para se acalmar ou para esquecer dos problemas da rotina.

Assim, alguns conflitos emocionais que ainda não foram bem resolvidos em nossa mente podem aflorar para um nível consciente.

A partir do momento que a pessoa começa a ficar mais atenta ao que come, ela também passa a observar melhor os seus sentimentos e comportamentos – o que amplia seu autoconhecimento. Dessa forma, a pessoa consegue perceber que usava a comida como um mecanismo para lidar com problemas emocionais.          

Como começar a romper com esse ciclo de alimentação e ansiedade?

Ao desenvolver a capacidade de auto-observação, entramos em um contato maior com nós mesmos. Assim, nossas necessidades mais profundas se tornam mais evidentes. Essa capacidade de analisar seu próprio comportamento auxilia para que a pessoa quebre o antigo ciclo alimentar e emocional em que se encontrava. 

                                        

Hábitos alimentares podem esconder necessidades emocionais    

Hábitos alimentares que escondem necessidades emocionais poderiam incluir comportamentos semelhantes a comer quando estamos muito cansados sem perceber que a nossa principal necessidade naquele momento seria o repouso.

Nessas circunstâncias, comer poderia ser uma tentativa de descansar o corpo e a mente. Há também casos em que a pessoa come quando está se sentindo muito triste. Será que a sua real necessidade não seria parar para pensar um pouco e chorar?

Outras pessoas poderiam estar ansiosas e procurariam comer para aliviar o seu sofrimento. No entanto, existem outras formas de nos tranquilizarmos, pois a nossa real necessidade naquele momento não seria nutrir nossos corpos. O mesmo processo pode ocorrer com pessoas que estão carentes, frustradas, tristes ou sentindo-se sozinhas. 

                                 

De que forma a ansiedade está ligada ao aumento de peso?

Pessoas ansiosas engordam porque ficam presas a um círculo vicioso: o estresse da rotina funciona como um gatilho que ativa a vontade de comer mais. Com o aumento de peso a ansiedade tende a elevar-se, e as pessoas acabam agindo de modo compulsivo diante dos alimentos. O excesso e o descontrole na hora da alimentação facilitam para que a pessoa ganhe ainda mais peso. 

Como a terapia ajuda pessoas com dificuldade de emagrecer?

Com a psicoterapia a pessoa passa a conhecer-se melhor, aprende a mudar seus hábitos alimentares e é capaz de controlar as suas emoções. Afinal, a ansiedade costuma estar associada à obesidade por ser tanto uma causa como uma possível consequência dessa situação de saúde.

Para que você alcance seu objetivo de emagrecimento, o trabalho emocional é fundamental, já que através dele é possível identificar e tratar a ansiedade e outras emoções que desencadeiam o ato de comer exageradamente.

Além disso, a psicoterapia é essencial para que você aprenda a se conhecer e a construir condições psicológicas para enfrentar situações futuras, resolvendo os seus problemas de forma adequada sem desregular sua alimentação. 

Procure, na medida do possível, enfrentar as situações que você considera difíceis. Isto evitará que busque alívio na comida. Quando o olhar para o mundo interno não existe, procura-se olhar cada vez mais por fora, para o mundo externo, cobrando desse modo soluções mágicas e querendo que o corpo reaja com a mesma rapidez.

Enquanto todo esse processo não for percebido, as insatisfações e a ansiedade podem manter-se, assim como o excesso de peso.

Dicas extras                                                                                    

  1. A boa orientação nutricional apontará ao paciente quais alimentos e quais quantidades podem ser ingeridas quando a pessoa estiver mais ansiosa. Existem alternativas com baixo valor calórico e efeito calmante.
  2. Não adianta cortar todos os alimentos hipercalóricos de uma vez, já que essa atitude causaria mais ansiedade. É preciso uma atitude compreensiva e acolhedora diante das nossas próprias necessidades e desejos alimentares.
  3. Os exercícios físicos, especialmente os aeróbicos combinados com atividades relaxantes contribuem com a queima de calorias e com a produção de endorfinas. Assim, há um alívio do estresse e um aumento do bem-estar físico e emocional. Ao se exercitar, a tendência é de que você coma menos quando estiver ansioso.    
Gabriela Ballardin Geara
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