Desenvolvimento pessoal

Bolha social

“Lagarta que não sai do casulo, não vira borboleta”

O que é bolha?

Gosto da definição de um escritor, Victor Lisboa, que nos diz: “Bolha é tudo aquilo que nos limita, mas, ao mesmo tempo, nos protege. É tudo aquilo que nos ilude sobre a natureza da realidade e, ao mesmo tempo, serve como apoio para prosseguirmos vivendo”.

Pergunte-se:

  • Onde estou agora?
  • Como vim parar onde estou?
  • O que em hipótese alguma eu abriria mão?
  • Será que consigo dialogar com pessoas diferentes do meu contexto?
  • Sinto-me confortável quando eu mesmo questiono uma crença/ideal que tenho?
  • Sinto-me ofendido quando questionam uma crença/ideal que tenho?

Estar em uma bolha social é tomar um partido, defender uma causa, ter um ideal, uma ideia. Existe pontos negativos e pontos positivos desse fato, e ao falar fato, quero dizer que todos nós estamos em uma espécie de bolha.

Pontos negativos

O problema se instala quando a gente se detém, quando ficamos parados, inertes, quando não temos ou perdemos a empatia e nos tornamos rígidos quanto a essa nossa opinião, esse nosso ideal, uma rigidez que nos impede de ter uma visão ampla, visão esta que vai além das nossas barreiras, descobrindo e entendendo outros pensamentos e outros tipos de posicionamentos, diferentes do nosso.

Todos nós temos a nossa bolha. Até os que vivem na mais plena liberdade têm a sua própria bolha social. Um exemplo: quem vive viajando, talvez longe da correria de cidades grandes, pessoas que têm uma grande liberdade de ir e vir, eles não sabem o que é a reclusão, não sabem o que é criar raízes em alguns contextos, pois estão na sua bolha de liberdade, e o contrário também.

Quem vive na correria de sua rotina, seja em cidade grande ou não, também não sabe o que é ter a liberdade de ir e vir.

Então, eles não têm o conhecimento pleno, apenas o da sua própria visão, e talvez por terem essa visão limitada de uma bolha social, não valorizam completamente o que lhes é proporcionado na sua realidade.

Pontos positivos

Ao mesmo tempo que nos limita, a bolha também nos protege, pois, o exterior pode ser tóxico e ela impede de você se corromper.

Um exemplo é o estudo publicado em junho/2020 da revista “Nature” sobre a utilização de “Bolhas Sociais de Proteção” contra a COVID-19. O estudo aponta que esse modelo reduz o nível de contaminação, aplicado quando as redes formadas por numerosos grupos de pessoas conectadas têm poucas ligações entre si (como indivíduos que vivem em comunidades ou cidades isoladas, com pouca movimentação e geralmente espalhadas por áreas rurais).

Ao aplicar esse modelo, foi evitado o contágio rápido, incentivando assim estratégias de distanciamento social e trouxe uma redução nos casos de grupos de pessoas infectadas. A bolha social serviu neste caso para que vidas fossem salvas.

Outro exemplo, trazendo para o contexto da mente e formação de caráter das pessoas, são os temas que envolvem os crimes de ódio como a homofobia, o feminicídio e o racismo.

A bolha social que o indivíduo pode estar inserido, cujo respeito é a base da sua constituição, terá capacidade de se impor contra esse tipo de pensamento, a bolha dará proteção para impedir de cometer e compactuar com tais crimes.

Rompendo as barreiras

É de suma importância avaliar aquilo que nos constrói, aquilo que nos cerca, a raiz das nossas crenças e preconceitos, pois o modo como pensamos, as atitudes que tomamos e a forma como expressamos nossas opiniões dizem quem somos, nossas memórias, nossos desejos. 

É necessário pensar sobre o que você pensa, pensar sobre o que você sente, e por que sente, para então entender o que você diz.

O pensar é um processo, primeiro existe um pensamento que vem antes da capacidade de pensar, é como uma opinião, uma ideia, um conceito que está sendo gerado, está sendo formado (pensamento) na cabeça da pessoa, e depois de maduro é expressado pela capacidade de refletir, ou seja, surge a capacidade de pensar.

Um autor chamado Bion (1963) diz que “Pensar consiste em ter problemas a solucionar e não em ter soluções para os problemas”.

Conheça o mundo que te cerca

A famosa “zona de conforto” nos impede de socializar, de ultrapassar nossas barreiras, de ter empatia e receber opiniões, impede-nos de experimentar e de crescer através do diálogo, da conversa com outras pessoas, que podem ser de um contexto totalmente diferente do nosso e que se pararmos para uma simples conversa de dez minutos, podemos tocar um mundo que antes era desconhecido.

Você sabia que o Google, o YouTube, e vários sites fazem seleções dos conteúdos/produtos que mais nos interessam? Fica o registro da nossa pesquisa, mesmo que você apague, é o chamado Algoritmo Seletivo. Isso é bom porque fica mais fácil de achar o que nos agrada, mas isso nos limita, de novo.

Perguntas para as suas possíveis respostas

“Onde estou agora?” A pessoa de dez ou cinco anos atrás que você era, teria orgulho de você hoje? Daquilo que você conquistou e abandonou pelo caminho. “Como vim parar onde estou?” Quais os meios que você pegou para estar onde está hoje?

Passou por cima de alguém? Saiba que nunca é tarde para analisar seus passos, e mais importante, transformá-los para algo melhor, evoluir sempre será uma possibilidade acessível, você está disposto?

“O que, em hipótese alguma, eu abriria mão?” Existe algo aí dentro de você que não importa a proposta, você não negocia? “Será que consigo dialogar com pessoas diferentes do meu contexto?” Você é um bom ouvinte, ou você julga logo de cara? Não consegue dar uma segunda chance porque a primeira aparência sempre vai importar mais? 

“Sinto-me confortável quando eu mesmo questiono uma crença/ideal que tenho?”, “sinto-me ofendido quando questionam uma crença/ideal que tenho?”. Quando você “perde” uma discussão (por falta de conhecimento, por exemplo) você se martiriza/culpa muito? Ou você é aberto a ponto de crescer em um diálogo, diálogo este que vai de encontro com você mesmo?

Além da bolha

Convido-te a olhar mais além, a ir mais profundo, a ultrapassar as barreiras que te cercam e sair do casulo para que, como uma borboleta, você possa voar e conhecer suas capacidade e lugares que antes você não viu, respeitando a si mesmo (seus limites em relação à sua maturidade para encarar esse mundo externo) e os outros.

Voar é cansativo, uma ave, quando sai do chão tem que fazer um grande esforço para ir em direção ao céu, e às vezes ela voa contra as correntes de ar, mas ainda no céu, às vezes essa ave descansa numa outra corrente de ar, que está indo na mesma direção que ela está voando.

Saiba que às vezes o voo é difícil, mas vale a pena você continuar, para então chegar a destinos cada vez mais longes.

“Seja menos curioso sobre pessoas, e mais curioso sobre ideias.”
– Marie Curie

Referências:

  1. FOCHESATTO, Waleska Pessato Farenzena. Reflexões sobre a “teoria do pensar”, de Bion. Estud. psicanal.,  Belo Horizonte ,  n. 40, p. 113-117, dez.  2013.
  2. MORALES, Anderson Pontes. Bolhas de proteção: fim da pandemia de COVID-19?. Boletim P&D, v. 3, n. 7, p. 27-31, 2020.
  3. ZIMERMAN, David E. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Artmed Editora, 2013.
Alice Pinheiro Mendes
Últimos posts por Alice Pinheiro Mendes (exibir todos)
Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar