ansiedade

Ansiedade “pelo quê”?

Uma “sociedade acelerada”

Ao longo do tempo, a sociedade moderna foi passando por grandes transformações. Neste contexto, pode-se dizer que houve uma alteração no ritmo de construção de pensamentos levando, inevitavelmente, ao surgimento de problemas emocionais relacionados ao prazer de viver, às relações sociais, aos ajustamentos diante das situações, dentre outros.

É como se o ser humano tivesse se tornado “acelerado” em suas vivências cotidianas e até consigo mesmo. Não há tempo para “pensar muito” quando se tem algo a resolver. É diante deste contexto que podemos falar da ansiedade, que é quando o indivíduo tem uma preocupação mais intensa, um medo mais elevado diante dos desafios, podendo também apresentar sintomas físicos como taquicardia e sudorese, por exemplo.

O que sinto quando estou ansioso(a)?

Os sintomas psicológicos da ansiedade são:

  • Medo;
  • Preocupação persistente;
  • Insônia;
  • Angústia;
  • Dificuldade de concentração;
  • Pensamentos desastrosos;

Já os sintomas físicos da ansiedade são:

  • Sudorese;
  • Taquicardia;
  • Tremor;
  • Tensão muscular;
  • Falta de ar;
  • Enjoo;
  • Calafrios.

Estes são alguns sintomas que a pessoa sente quando está ansiosa, variando conforme a singularidade de cada um.

O que é a ansiedade para Fritz Perls?

Friederich Salomon Perls (Fritz Perls) foi um psicoterapeuta e psiquiatra de origem judaica, que junto com a esposa Laura Perls desenvolveu uma abordagem de psicoterapia chamada de Gestalt–Terapia, por volta da década de 50.

Para Perls (2002), a ansiedade é a excitação, o élan vital que carregamos conosco e que se torna estagnado se estamos incertos quanto ao papel que devemos desempenhar. Ela é o vácuo entre o agora e o depois, e é o produto do impedimento de viver plenamente a excitação. Se esta excitação não puder fluir para a atividade por intermédio do sistema motor, então procuramos dessensibilizar o sistema sensorial a fim de reduzir a excitação, causando assim a ansiedade.

Ansiedade pelo que mesmo? Como trabalhá-la na psicoterapia?

Para a Gestalt-terapia, quando o indivíduo está ansioso, houve uma interrupção da excitação. Este termo significa energia para a Gestalt. Esta energia não é apenas interna, mas está relacionada ao “mundo” da pessoa. O surgimento desta excitação/energia está atrelado a algum “objeto” do mundo. Esta energia necessitaria “fluir”, encontrar uma “expressão” através de atividades; devendo também haver mobilização muscular para tanto. Todavia, nem sempre a expressão dessa energia ocorre, é aí que surge a ansiedade.

A ansiedade é essa excitação/energia contida, como que “presa”, que não encontrou seu caminho, quando o indivíduo não assimilou/elaborou algo do mundo. O indivíduo ansioso geralmente sente angústia, tem sensações fisiológicas também que podem envolver por vezes a respiração.

Assim, a pessoa ansiosa tem outra vivência de mundo, chegando por vezes até a ter dificuldades nas relações ou a ver este “mundo” de uma nova maneira criada a partir desta contenção da energia, o que faz com que ele encontre alguma forma de expressá-la que não é saudável, nem é a mais adequada, fazendo com que o indivíduo não permaneça no aqui-agora, geralmente apresentando pensamentos voltados ao futuro.

A Gestalt-terapia trabalha na perspectiva de perceber como aconteceu a interrupção dessa excitação/energia,  por que não fluiu para a ação/atividade e ficou “contida”, “engarrafada”, encontrando outra forma de expressão que “não faz bem” ao indivíduo.

A partir daí, nas sessões, a pessoa passa por um processo de dar-se conta, entrando em contato de diversas formas com suas emoções, “maneira de viver”, de pensar, sendo acolhido e confirmado pelo terapeuta de forma incondicional. Em uma relação autêntica com o terapeuta, a excitação/energia encontra seu caminho, retornando a uma expressão satisfatória e mais saudável.

Viver o aqui-agora com consciência

Uma coisa importante de ser dita é o seguinte: a ansiedade nem sempre é existencial. Como se sabe, o ser humano ao longo de sua existência exerce vários papéis, que pode ser o papel de filho, de esposo, de colaborador, etc., a grande questão é que o indivíduo pode ter uma preocupação de não ser aceito pelos demais, daí pode surgir a ansiedade.

Também em uma sociedade onde se visa o desempenho, o lucro, o imediatismo a todo custo, não se pode muito “parar para refletir” de maneira profunda. É como se a experiência do aqui-agora fosse “interrompida”, em meio a um contexto social que preza cada vez mais pela rapidez. Assim, a energia que deveria seguir seu caminho, fica engarrafada, e isto faz o indivíduo perder bastante em criatividade.

Ao passar por um processo psicoterapêutico na abordagem gestáltica, a pessoa tem a oportunidade de experienciar o aqui-agora de outra forma. Ao entrar em contato com suas experiências, emoções e maneiras de agir, ele passa por um processo de awareness (tomada de consciência), o que faz com que a energia, antes presa, passe a fluir espontaneamente. 

O indivíduo, na abordagem Gestáltica, é visto como um todo, uma realidade que se liga à outra. O indivíduo age no meio e sente este meio, em constante interação, vai se construindo como um todo. Viver o aqui-agora implica estar consciente no momento presente de suas potencialidades, de suas vivências, de si mesmo. Para quem experiencia a ansiedade, nem sempre isso é fácil. Pois toda pessoa tem sua história, seus padrões, “maneiras de viver”, enfim, aspectos emocionais, fisiológicos, sensoriais e até mesmo culturais que foram construídos ao longo de muito tempo.

É de suma importância entender que o indivíduo ansioso não vive o presente plenamente, tendo em vista que o aqui-agora foi corrompido por experiências, preocupações com papéis sócias e até mesmo por um contexto social em que não houve possibilidade de a energia/excitação fluir de forma saudável, restando outra maneira mais contida, “presa” de estar presente na vida da pessoa como um todo.

Para viver o aqui-agora conscientemente o indivíduo precisa experienciar o contato com suas emoções e experiências, como que pudesse mastigá-los para então liberar a energia que estava “guardada”.

A expressão dos sentimentos, o contato com suas potencialidades e recursos levará a pessoa a agir de forma até mesmo mais produtiva, melhorar o contato social, refletindo em suas relações familiares, pessoais e profissionais como um todo.

Pois, muitas vezes o indivíduo ansioso apresenta dificuldades de relacionamento social, tendo em vista que tende a agir apressadamente em muitas situações ou até mesmo não se mobilizar para atividades, sejam elas sociais ou profissionais. Passa então a viver as experiências presentes, de forma mais fluida e consciente de seus recursos e reais necessidades.

 

Referências bibliográficas:

GINGER, Serge e Anne Ginger. Gestalt, Uma terapia do contato, 4ª ed.São Paulo: Summus Editorial Ltda, 1995.

GOLDESTEIN, Kurt. O organismo. Nova York: Editora: Zone Books, 1995.

RAYSSA MAZZA DE CASTRO ALENCAR
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